Fundo da Arena Corinthians abate R$ 260 milhões de dívida com Odebrecht

Fundo da Arena Corinthians abate R$ 260 milhões de dívida com Odebrecht

Por Vinícius Souza e Lucas Faraldo

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Arena Corinthians é a casa do Timão desde maio de 2014

Arena Corinthians é a casa do Timão desde maio de 2014

Danilo Augusto/Meu Timão

O Corinthians deu importante passo para a quitação da Arena. Um balanço divulgado pelo fundo imobiliário que administra o estádio aponta redução de R$ 260,5 milhões das contas a pagar. Segundo apuração do Meu Timão, o valor nominal, isto é, não corrigido pela inflação, se refere a novos repasses de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) alinhados ao pagamento da dívida do Corinthians com a construtora Odebrecht.

No último mês de 2018, a dívida do Arena Fundo de Investimento Imobiliário - FII com a Odebrecht era de R$ 290,1 milhões. Já em janeiro, o saldo de obrigações devidas caiu para R$ 29,6 milhões – daí a abrupta queda superior a R$ 260 milhões.

A reportagem tentou confirmar para quanto a dívida total do estádio baixou após o abatimento, mas não obteve resposta da direção corinthiana. É necessário lembrar que o débito junto à empreiteira se trata apenas de uma parte da quantia a ser quitada pelo Timão ao longo dos próximos anos.

Passivo do fundo da Arena Corinthians 2018-2019

Reprodução/Meu Timão

Os números acima fazem parte do informe mensal do Arena FII. Uma fonte ouvida pelo Meu Timão e ligada à BRL Trust, gestora do fundo, confirmou que a redução se deve a uma negociação de CIDs e, consequentemente, ao pagamento de parte do débito do clube pela construção da Arena.

A movimentação, como esperado, impacta também no ativo da Arena Corinthians. Para efeito de comparação, o estádio tinha a receber R$ 261,1 milhões por “outros direitos reais” – os tais CIDs citados acima – em dezembro passado; em janeiro, R$ 91,8 milhões. Uma significativa redução de R$ 169,3 milhões.

Ativo do fundo da Arena Corinthians 2018-2019

Reprodução/Meu Timão

Valor nominal x valor real

A diferença entre quantias (R$ 260 mi e R$ 169 mi) é explicada pela forma de contabilização dos contratos firmados com Prefeitura de São Paulo e Odebrecht. “A metodologia de contabilização de um e de outro é diferente. CIDs você tem uma contabilização interna, tem o valor de face do título, que nunca foi atualizado”, disse, sob condição de anonimato, uma das pessoas ouvidas pelo Meu Timão. “A forma de contabilização do contrato de obra e construção era outro, então de fato você não vai ter o mesmo casamento de números por questões contábeis”.

O valor de face dos incentivos fiscais cedidos pelo governo municipal à Arena Corinthians em 2013 era de R$ 420 milhões. Porém, corrigidos pela inflação, os certificados já ultrapassam a barreira dos R$ 500 milhões.

“Se tivesse que atualizar os 90 milhões (CIDs a negociar), estaríamos falando de cerca de R$ 150 milhões que precisam ser vendidos. Teria baixado já 400 milhões”, enfatizou.

O que são os CIDs?

Os CIDs fazem parte de um acordo entre Corinthians e prefeitura paulistana. Na prática, são certificados emitidos pelo governo municipal para incentivar empresas a investir em empreendimentos que fomentem regiões carentes da cidade. Esses certificados são vendidos com descontos, garantindo aos seus compradores vantagem ao quitar seus impostos.

A emissão dos CIDs teve início em 2013, mas acabou congelada em razão de processo movido pelo Ministério Público contra o Corinthians. O imbróglio teve fim somente em abril do ano passado.

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Posicionamento

A reportagem entrou em contato com outros integrantes da diretoria do Corinthians e da gestão da Arena em busca de maiores esclarecimentos. Nem Luis Paulo Rosenberg, atual diretor de marketing do Timão, nem Caio Campos, superintendente, responderam aos questionamentos.

Em entrevista recente, Rosenberg revelou que a dívida do clube pelo estádio é, “na pior das hipóteses”, de R$ 650 milhões, resultado da soma do financiamento da Caixa Econômica Federal (entre R$ 450 e 500 milhões) mais o aporte da construtora, responsável por transformar a casa alvinegra num estádio de abertura de Copa do Mundo.

“O financiamento da Odebrecht, quando você faz a diferença entre o que foi gasto e o que valem os CIDS, dá alguma coisa entre zero e 120 milhões. Essa é a discussão do Corinthians”, pontuou.

Veja mais em: Arena Corinthians, Especiais do Meu Timão, Diretoria do Corinthians e Luis Paulo Rosenberg.

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