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'Maior cachê da história' e disputa política: como foi o único jogo do Corinthians em Cascavel

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Sócrates, Casagrande, Zenon e companhia atuaram pelo Corinthians contra o Cascavel, em 1982

Sócrates, Casagrande, Zenon e companhia atuaram pelo Corinthians contra o Cascavel, em 1982

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O Corinthians vai a Cascavel, no oeste do Paraná, para encarar o Londrina, em amistoso nesta quarta-feira, que marca a preparação para o retorno da temporada do time profissional masculino. Essa, porém, não será a primeira vez que o Timão vai atuar na cidade.

Há 42 anos, no auge do movimento democrático no Brasil e próximo das primeiras eleições gerais do país em quase duas décadas, o Timão acabou colocado no centro de uma disputa política e encarou o Cascavel no estádio Olímpico Regional com Sócrates, Casagrande, Wladmir, Zé Maria e companhia. Tudo isso mediante a um cachê tido como recorde para um clube brasileiro à época.

O duelo foi contratado pela prefeitura de Cascavel pela quantia de 12,5 milhões de cruzeiros, o equivalente a aproximadamente 55 mil dólares na época. Com a correção de valores pela inflação, seriam 176 mil dólares para ter o Timão atuando na cidade, o equivalente a R$ 880 mil nos dias de hoje.

O clube repassou 20% da quantia aos atletas, que celebraram o dinheiro vindo em meio à reta final do ano. Sócrates, de acordo com a Folha de S. Paulo, comentou com os repórteres que o Flamengo, então campeão do mundo, havia recebido 50 mil dólares para encarar o Cosmos, nos Estados Unidos, meses antes. Ou seja, o Timão do Sócrates custou mais do que o Flamengo do Zico.

A comparação fica ainda mais impressionante ao se constatar que o São Paulo atuou no mesmo estádio contra o mesmo adversário dois dias antes, mas com pagamento de 3,5 milhões de cruzeiros. Ou seja, menos de 30% da grana recebida pelo Corinthians.

Mas por que a prefeitura investiu tanto? Bom, além da óbvia popularidade incomparável do Corinthians e o chamariz de levar o capitão/referência da Seleção para a cidade, o prefeito local, Jacy Miguel - que hoje dá nome ao estádio -, conseguiu um evento para rivalizar com um comício do PMDB, partido rival do seu PDS (sucessor da ARENA). A reunião política seria realizada na mesma hora (20h30), no centro de Cascavel. O jogo teve entrada franca.

À época, avizinhava-se a primeira eleição direta para governadores e senadores desde o golpe militar de 1964, marcada para 15 de novembro, três dias depois. Filiados ao PT naquela altura, Wagner Basílio, Wladimir e Casagrande comentaram o tema e disseram não ver qualquer dilema. Casão chegou a afirmar que não gostaria de ser usado numa disputa política, mas que "era funcionário do Corinthians".

Já Zé Maria, candidato a vereador pelo próprio PMDB naquelas eleições, foi firme à Folha. "Se fôssemos jogar de graça, aí, sim, estaríamos sendo usados pela política". Sócrates, por sua vez, afirmou que não via utilidade para essa medida do prefeito, "se é que essa era a real intenção". "Ninguém vai mudar de voto por causa desse jogo", assegurou o Doutor.

No fim, o resultado foi de 1 a 1 em campo, gols de Paulinho, para o Corinthians, e Chico, para o Cascavel. Com muito mais dinheiro no bolso, o Timão voltou a São Paulo para ser campeão paulista no mês seguinte, impedindo o tricampeonato do rival do Morumbi.

Nas eleições, o esforço do prefeito Jacy não surtiu efeito, com o PMDB ganhando o governo do Paraná em 1982 e a cidade de Cascavel em 1983. Quem acabou eleito naquele pleito, aliás, foi justamente Zé Maria, exercendo o cargo de vereador na cidade de São Paulo pela legislatura de 1983 a 1988.

Veja mais em: História do Corinthians e Ídolos do Corinthians.

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