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Dívida dupla
Corinthians deve quase R$ 20 milhões para ex-parceiras tecnológicas do Fiel Torcedor
Por Matheus Fiuza e Tomás Rosolino
Ao longo das diversas mudanças sofridas pelo Fiel Torcedor durante os 16 anos de existência, o Corinthians precisou lidar com dívidas oriundas das empresas responsáveis pela operação. Mesmo com a repaginação recente, em 2023, o Timão ainda possui pendências de quase R$ 20 milhões com ex-parceiras do programa.
Em documento apresentado à Justiça para aprovação do Regime Centralizado de Execuções (RCE), ao qual o Meu Timão teve acesso, o clube alvinegro tem cerca de R$ 18,4 milhões em dívidas com as empresas Omni e IBM, antigas gestoras tecnológicas do Fiel Torcedor. Os valores se dividem da seguinte forma:
- Omni: R$ 9.375.842,36
- IBM e Proxxi (braço da IBM): R$ 8.012.576,04 e R$ 1.413.671,76, totalizando R$ 9.426.247,8
A Omni é uma velha conhecida do Timão. A empresa fez parte do processo de criação do plano para sócios-torcedores e esteve à frente por quase dez anos no Parque São Jorge. O grupo chegou a administrar também o estacionamento na Neo Química Arena, cuja gestão do espaço durou até 2017, após imbróglios por alvará e mau funcionamento do local.
A responsável por auxiliar na criação do Fiel Torcedor deu lugar a IBM em dezembro de 2018. A gigante norte-americana de tecnologia assinou acordo por dez anos, com investimento na Casa do Povo e promessa de modernizar o sistema de benefícios aos sócios corinthianos.
No entanto, a parceria também passou por altos e baixos. Em 2021, o site do Fiel Torcedor ficou fora do ar por mais de 50 dias, criando uma rota de colisão entre clube e a empresa responsável pela estruturação tecnológica por cláusulas contratuais. Com a remodelação do novo programa, em maio de 2023, a IBM foi substituída pela OneFan, que cuida da comercialização do Fiel Torcedor.
O programa do Corinthians, vale destacar, voltou a trazer problemas em 2024. Em novembro, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar supostos desvios de ingresso no Fiel Torcedor , em que cerca de 50% dos ingressos não chegam ao programa.
Atual detentora do contrato, a OneFan disse recentemente que encaminhou até a possibilidade de implementação das novas tecnologias no estádio. A empresa avalia que, como prestadora de serviço, "se submete às decisões de modelo de negócio tomadas pelo clube, que tem soberania para determiná-las".
As pendências com as ex-parceiras integram os R$ 2,4 bilhões em dívidas do Corinthians, segundo apresentado pelo clube à Justiça para reestruturação jurídico-financeira. O clube ganhou prazo de 60 dias para evitar bloqueio de contas e congelamento de bens mediante apresentação de plano de credores.




