Ex-diretor comenta possível candidatura à presidência do Corinthians

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Foto: Gustavo Lima / Meu Timão

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Ex-diretor comenta possível candidatura à presidência do Corinthians

Por Meu Timão

O ex-diretor financeiro do Corinthians, Rozallah Santoro, afirmou que não é candidato à presidência do clube neste momento. Apesar disso, não descartou a possibilidade de disputar o cargo no futuro e declarou que deseja participar de uma eventual eleição em 2026.

"Hoje, não (candidato à presidência). Numa eventual eleição no Conselho — até por não haver viabilidade, vamos dizer assim, dentro do grupo — eu vejo gente no MCG, no Movimento Corinthians Grande, que é a chapinha", iniciou em entrevista ao Benja Me Mucho nesta terça-feira.

"Agora, respondendo à tua pergunta: você vai levantar a mão e falar 'eu quero'? Eu vou. Se o grupo vai me escolher ou não, é outro assunto. Agora, eu entendo que essa conversa é para 2026. Para uma eventual eleição — caso, de fato, o Augusto venha a perder o mandato — tem gente no MCG (Movimento Corinthians Grande) com mais viabilidade do que eu", completou.

Rozallah Santoro também comentou sobre possíveis nomes que poderiam disputar a presidência do Corinthians. Ele se declarou fã de Felipe Ezabella, advogado e integrante do Cori, e mencionou outros membros, como Fernando Alba, ex-diretor adjunto; Sérgio Alvarenga; Rafael Castilho; Armando Mendonça, atual vice-presidente; e Wagner Mohallem.

"Você sabe que eu sou fã declarado do Felipe Ezabella. Dentro do grupo, a gente tem o Fernando Alba, o Sérgio Alvarenga, o Armando Mendonça, que está lá na vice-presidência, o Rafael Castilho e, em nomes que talvez você não tenha tanto contato, o Wagner Mohallem", destacou.

"Temos um grupo de conselheiros que concluíram, ou estão concluindo, o segundo mandato agora — foram eleitos pela segunda vez — e que passam a ter capacidade de serem candidatos. O Movimento Corinthians Grande, diferente de outros grupos lá no Parque São Jorge, não tem dono. Então, a gente vai sentar e discutir", concluiu.

O que levou a deixar o Corinthians

Rozallah entregou o cargo de diretor financeiro do Corinthians em junho de 2024, poucas horas após o anúncio do fim da parceria com a VaideBet, então patrocinadora máster do clube. No entanto, segundo ele, a decisão teve relação com a “ingerência” e a constante intromissão de Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo, em suas funções no departamento.

"No começo, eu tive esse tipo de abertura para falar com a Libra, LFU, por exemplo. O relacionamento começa a se deteriorar na medida em que passo a perceber uma tentativa de ingerência na área — de intromissão, vamos falar assim — por parte do Marcelino, do administrativo", explicou Rozallah.

"O que eu ouvia dele era 'o presidente falou para eu me meter, eu vou me meter'. E o que eu respondia? 'Fala para o presidente me ligar'. Essa ligação nunca aconteceu. Ele nunca me disse: 'Deixa o Marcelinho decidir o que paga e o que não paga'. Até porque, sabe, se ele falasse isso, seria ali, na hora, que eu iria embora", complementou.

O ex-diretor ainda relembrou o episódio em que Augusto Melo, durante uma live, afirmou que Marcelo Mariano descia diariamente para aprovar pagamentos. A declaração pública o irritou e, embora tenha sido convencido a permanecer no cargo naquele momento, Rozallah deixou o clube duas semanas depois.

"Quando, na minha ausência, começaram a ocorrer os pagamentos — e isso foi justificado pelo presidente numa live, dizendo que o Marcelo Mariano evitaria erros do financeiro e que ele descia todo dia para aprovar 30, 40 pagamentos —, naquele dia, eu esperei o Augusto chegar ao Parque São Jorge, fui à sala dele e falei: 'Presidente, você já me demitiu publicamente lá no podcast, eu vim aqui só formalizar'. Ele respondeu: 'Não, não quis dizer isso'", relembrou.

"Então, basicamente, ali eu fui convencido a ficar com a promessa de: 'Pô, entendi que não pode ser assim, você vai ter autonomia, não vai mais ter ingerência'. E isso durou duas semanas. Foi o que eu combinei com ele: na primeira evidência de ingerência após essa nossa conversa, eu não ia nem ligar, ia deixar a carta com a Márcia, lá no quinto andar, com a secretária dele, e mandar um WhatsApp de despedida. Foi o combinado. Durou 15 dias", continuou.

Falta de transparência nas contratações

Ainda na entrevista, Rozallah também apontou a falta de transparência nas contratações como outro fator que o irritou. Segundo ele, as negociações com Rodrigo Garro, Félix Torres, Diego Palacios e Pedro Raul ocorreram sem seu conhecimento prévio e utilizaram recursos provenientes da venda de Gabriel Moscardo ao PSG.

"No dia da posse, teve aquele evento em que o presidente e os vices discursam. Mas, no final da cerimônia, passou um vídeo anunciando Garro, Félix Torres, Palacios e Pedro Raul. Eu não sabia. Aí depois, provavelmente, vieram o Matheuzinho e o Coronado. E aí eu já tinha falado: não tem mais, acabou. Como é que a gente consegue equacionar o que vocês já fizeram?", destacou.

"A gente pega a venda do Gabriel Moscardo — tem todo um fluxo de recebimento — mas, como esse recebimento era do Paris Saint-Germain, conseguimos antecipar esse valor numa taxa muito atrativa. Então, a gente pegou o que seria pago até 2026 e recebeu aquilo à vista, de um banco — e esse banco vai receber do PSG depois. Tivemos uma taxa de desconto na casa de 5, 5 e pouco por cento ao ano. Super taxa. Obviamente, em dólar. E esse dinheiro pagou esses caras", comentou.

Caso VaideBet

Outro tema abordado por Rozallah foi a polêmica envolvendo o caso VaideBet, em que os repasses de valores pagos pelo Corinthians na intermediação do acordo levantaram suspeitas de um possível esquema com uso de "laranja". O ex-diretor, no entanto, afirmou que não participou da negociação e que Augusto Melo o excluiu completamente do processo.

"Se tinha alguém na equipe do Augusto com experiência em negociar contratos desse tamanho, esse alguém era eu. E eu não fui envolvido em nenhum momento da negociação. E pode ter certeza que eu teria dito: 'cara, sensacional, ao invés de 120, eu vou assinar com 105 por ano? Só que, cara, o patrocínio atual é por tua conta'. Para mim, isso é o básico quando se fala em troca", falou.

"Isso é um custo de mudança — o switching cost. Aquela história do 'vou pedir demissão aqui, abrir mão disso, disso e daquilo, mas vou ganhar tanto a mais no outro'. Meu novo empregador me ajuda a equilibrar essa conta? Não? Quando você fala de uma luva de contrato, ela serve, a princípio, para esse tipo de situação. Quero sair de um fornecedor e entrar em outro. O novo fornecedor deveria ser o cara que fala: 'show de bola'", complementou.

Ainda sobre o caso VaideBet, Rozallah avaliou que a negociação com a patrocinadora foi conduzida com falta de experiência e competência. Para ele, houve erro estratégico principalmente na forma como foi feita a troca do patrocínio, considerando os valores envolvidos e o impacto financeiro imediato para o clube.

"Minha leitura é que é um pouco de cada (falta de experiência, falta de competência ou aquela galera do ‘quanto pior, melhor para todo mundo’). É um pouco de cada, mas, de fato, a competência e a experiência têm um peso bastante relevante nisso. Quando você compara o que tem de um patrocinador com o que vai ter do outro, assim... Você tinha 75, 85 milhões por ano de um. Vamos arredondar para 80? Então você tem 80 milhões de um e está passando para 120", destacou.

"Legal? Três anos de contrato. Agora põe a vírgula: só que, para você ganhar esses 120, você tem que pagar 40. Ou seja, no primeiro ano o resultado já é pior do que a troca. A troca é boa do segundo ano para frente. No primeiro ano, ela já era ruim, porque esse dinheiro que você está gastando para empatar o primeiro ano você já não tem", finalizou.

Veja mais em: Presidentes do Corinthians, Eleições no Corinthians e Diretoria do Corinthians.

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