Augusto Melo triplicou a multa de Marcos Boccatto horas antes de sofrer impeachment no Corinthians
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Por Meu Timão

Marcos Boccatto (à esquerda) era o superintendente de novos negócios contratado por Augusto Melo
Reprodução / Instagram
No dia 26 de maio, data em que foi afastado do cargo de presidente do Corinthians após a aprovação de impeachment por parte do Conselho Deliberativo (CD) do clube, Augusto Melo assinou um aditivo contratual que triplicou a multa rescisória de Marcos Boccatto, superintendente de novos negócios do Timão à época.
A informação foi divulgada pela Gazeta Esportiva. De acordo com documento ao qual a reportagem teve acesso, foi assinado por Augusto Melo e por Bocatto naquela quarta-feira, horas antes de Melo ser afastado, o aditivo que alterou a multa rescisória do contrato de Marcos Bocatto, que era de um salário, em torno de R$ 25 mil, para cerca de R$ 75 mil, o triplo do valor anterior.
O funcionário foi demitido logo na primeira semana da diretoria interina, presidida por Osmar Stabile, que também destituiu todos os diretores estatutários, e outros profissionais contratados, como o Tiago Maranhão, ex-superintendente de comunicação do clube, logo nas suas primeiras semanas no comando. Além das assinaturas de Augusto e Marcos, o aditivo foi acompanhado por duas testemunhas: Dayna Nassif Barossi, assessora do presidente afastado, e Adalberto Garcia Gregui, responsável pela parte de operação da Neo Química Arena.
Marcos Boccatto, vale ressaltar, teria arrecadado junto a Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo, e Marcelo Eduardo Rodrigues Sales, o "Ninja", ex-chefe de gabinete da presidência, dinheiro para a campanha de Augusto Melo oriundos de agências de jogadores, segundo a conclusão do inquérito da Polícia Civil de São Paulo a respeito do caso VaideBet. Boccatto é presidente de honra do Água Santa, clube citado na denúncia apócrifa recebida pela Polícia Civil como "comandado pelo PCC".
O caso de Marcos Boccatto é similar ao dos aditivos firmados pelo Corinthians com a empresa RF Segurança e Serviços, responsável pela segurança e limpeza no Parque São Jorge e na Neo Química Arena. Esses complementos foram assinados por Augusto Melo em maio, antes de sua saída temporária do cargo de presidente do clube, decidida pelo CD, aumentando multas rescisórias e tempo de contrato.
Tanto no caso de Boccatto quanto no da empresa de segurança, os aditivos não foram analisados pelo departamento jurídico do Corinthians, liderado por Vinicius Cascone na época, que sequer foi informado sobre as alterações contratuais.
O que dizem os citados?
Augusto Melo
"Com referência à sua solicitação, creio que não posso te ajudar, uma vez que a fonte que te gerou essa informação deveria, em primeiro lugar, zelar pela preservação dos dados das pessoas envolvidas.
Aliás, é importante lembrar que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) prevê responsabilidade e até mesmo indenizações em casos de vazamento de informações sigilosas, especialmente aquelas de cunho pessoal.
Portanto, entendo que não sou a pessoa indicada para colaborar nesse caso".
Dayna Nassif Barossi
"Não tenho nada a me manifestar, apenas dizer que todos os contratos assinados no Corinthians ou qualquer entidade estão sob a Lei LGPD e que meus dados devem ser protegidos. Obrigada".
Outros envolvidos
A Gazeta Esportiva ainda entrou em contato com Adalberto Garcia Gregui, que, até o momento da publicação da matéria, não se pronunciou. Caso receba o retorno, a reportagem será atualizada.
O Corinthians também foi procurado, mas preferiu não se manifestar. A reportagem, entretanto, apurou que casos como o de Boccatto e da RF acenderam o alerta no clube, que deve instaurar uma investigação interna para averiguar se outros aditivos foram assinados por Augusto Melo antes de seu afastamento.