Especialistas estimam prazos de retorno de Memphis e Carrillo no Corinthians após lesões
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Por Meu Timão

Memphis e Carrillo tiveram lesões confirmadas na última quinta-feira
Rodrigo Coca / Agência Corinthians
O Corinthians confirmou as lesões de Memphis Depay e André Carrillo, na última quinta-feira. Os dois jogadores devem ser ausências para o Timão por algumas semanas, apesar das situações diferentes.
O cenário mais preocupante é de Carrillo, que teve diagnosticada lesão ligamentar no tornozelo esquerdo, a qual precisará de cirurgia para recuperação. O peruano se lesionou no início do segundo tempo da classificação contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, após sofrer entrada de Giay e ficar com o pé preso sob o corpo do adversário.
De acordo com Flávia Magalhães, médica do esporte com mais de 20 anos de carreira e passagens por clubes e confederações como Atlético-MG, América-MG, CBF e Conmebol, há três casos para as lesões ligamentares no tornozelo. O mais grave, grau III, é ruptura completa do ligamento, junto a um inchaço e instabilidade de articulação. O grau II, por sua vez, indica uma ruptura parcial, e o grau I, o mais leve, possui estiramento leve, mas sem ruptura visível.
“O fato de o Carrillo precisar de cirurgia sugere uma lesão mais grave, como uma instabilidade crônica, uma ruptura complexa ou até mesmo uma lesão de sindesmose - estrutura que une a tíbia e a fíbula e que, quando apresenta alargamento patológico, precisa ser corrigida cirurgicamente”, detalhou a especialista em material enviado ao Meu Timão.
Devido à intervenção cirúrgica, a expectativa de Flávia é que Carrillo possa levar de três a quatro meses para retornar aos trabalhos leves, pois passará pela reconstrução do ligamento. Para as atividades competitivas, o período pode se estender a seis meses, a depender da evolução do atleta na recuperação.
“O processo de reabilitação após a cirurgia segue fases bem definidas. Nas duas primeiras semanas, o foco é no controle da dor e do edema. Entre a terceira e a sexta semana, há uma reintrodução gradual da carga e o início de exercícios proprioceptivos. Já entre a sexta e a décima segunda semana, o foco passa a ser o fortalecimento muscular, o controle neuromuscular e o equilíbrio”, iniciou.
“A fase final da reabilitação envolve a reintrodução aos treinos específicos, com progressão para atividades com bola e, só depois, o retorno completo à competição. Em casos de cirurgia na sindesmose, as cargas geralmente só são liberadas a partir da sexta semana, após a retirada do parafuso”, complementou Flávia.
Memphis em situação mais contornável
O caso de Memphis não é simples, mas requer menos preocupações em relação a Carrillo. O jogador sofreu uma lesão de grau 2 no músculo posterior da coxa direita, no fim do primeiro tempo no Allianz Parque, após tentar um pique em direção ao ataque. Ele está sob cuidados do departamento de fisioterapia do Timão.
Segundo Rodrigo Oliveira, fisioterapeuta esportivo e sócio da Sonafe Brasil (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física), a atual nomenclatura das lesões facilita para estipular prazos e tempo de recuperação, casos de 2A, 2B e 2C. A recuperação vai desde repouso e gelo até mobilização, exercícios leves e fortalecimento. Mesmo sem ter mais detalhes, o especialista analisou as chances de retorno de Memphis.
"A classificação da lesão muscular, ela hoje no Brasil é grau 1, 2, 3, mas internacionalmente se utiliza muito a 2A, 2B, 2C. A 2 significa que teve uma lesão muscular, apesar de a gente não saber o tamanho, porque pode ter sido ali 5%, pode ter sido 8%, pode ter sido 20% do músculo, a gente não tem isso, os clubes não divulgam isso de forma acertada", iniciou em material enviado ao Meu Timão.
"Mas se é uma lesão A, B ou C, seria interessante a gente saber, porque a lesão A é o músculo, B é a região miotendínea e C é a região intratendinosa. Então, se você sabe a localização, você consegue acertar melhor o prognóstico. Lesão A varia ali de 17 a 20 dias, lesão B normalmente de 17 a 22 dias, a C um prognóstico um pouco mais demorado, pode chegar aí a 40 dias, a depender da gravidade da lesão até mais, cerca de 70 dias. Claro, se for uma lesão mais complexa", continuou.
"Agora, ele fica com o departamento de fisioterapia, sai imediatamente para controle da dor, não tem uma inibição do músculo, manter esse músculo ativo para que ele consiga cumprir esse prognóstico. Então, acredito que ele vai se afastar algumas semanas para poder tratar, se reabilitar e voltar à atividade quando atingir os critérios de retorno ao esporte, ou seja, correr sem dor, conseguir atingir a velocidade que ele atingia, ter um bom controle lombo pélvico, conseguir gerar aí a 80, 90% da força da perna contralateral, então tudo isso é importante”, complementou.
A dupla já teve problemas físicos nesta temporada. Memphis foi baixa por algumas partidas em maio, após uma pequena lesão ligamentar no tornozelo direito. Já o meio-campista peruano sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda, em junho. Rodrigo indica que o calendário inchado do futebol brasileiro pode ter influenciado nas lesões, ainda mais nos oito jogos disputados em 25 dias pelo Corinthians desde o retorno da pausa do Mundial de Clubes.
“A falta de tempo para recuperação, jogos semanais e viagens frequentes, limita o tempo de descanso e recuperação dos jogadores. O corpo não tem tempo suficiente para se recuperar completamente entre os jogos, o que aumenta o risco de lesões por fadiga acumulada. O estresse repetitivo durante os jogos e treinos pode levar à sobrecarga nas articulações e músculos, resultando em lesões por uso excessivo. Lesões musculares como as na posterior da coxa, muitas vezes, são o resultado dessa sobrecarga contínua", comentou.
"O fato de os jogadores estarem constantemente competindo pode limitar o tempo dedicado a exercícios preventivos, como alongamento, fortalecimento muscular e treinamento de flexibilidade. Quando esses aspectos não são devidamente trabalhados, a chance de lesões aumenta. O calendário do futebol brasileiro inclui diversos campeonatos, o que faz com que os jogadores enfrentem jogos de alta intensidade de forma constante”, completou o fisioterapeuta.
Titulares sob o comando de Dorival Júnior, Memphis e Carrillo devem perder o primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil, previsto para 27 de agosto — a volta, em 11 de setembro, pode ter o holandês à disposição. O Corinthians volta a campo na segunda-feira, dia 11, contra o Juventude, pelo Brasileirão.