O Coletivo Voz Corinthiana pede a reforma do estatuto do Corinthians

O Coletivo Voz Corinthiana pede a reforma do estatuto do Corinthians

Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão

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Proposta pronta

Coletivo conclui documento sugestivo a reforma do estatuto do Corinthians; confira os detalhes

Por Meu Timão

Em junho, o Meu Timão entrevistou de maneira exclusiva os membros do Coletivo Voz Corinthiana, que reivindicam uma reforma no estatuto do Corinthians por meio de propostas da própria torcida . Dois meses depois de reunir essas propostas, eles montaram um documento final com as principais mudanças imediatas que planejam para as regras de governança do Timão. Toda a estrutura do projeto é baseada na maior participação popular da torcida na política do clube, na adequação do estatuto às Leias Gerais do Esporte e na profissionalização dos gestores do Corinthians.

Este documento está em fase de coleta de assinaturas e deve ser apresentado para pessoas de dentro do clube, bem como para as torcidas organizadas — o documento completo encontra-se neste link ; enquanto para aqueles que desejam contribuir com o apoio, a assinatura será computada por este formulário (tudo está disponibilizado na biografia do @coletivovozcorinthiana no Instagram).

É importante ressaltar que a publicação, sozinha, não tem poder de transformar o estatuto. A ideia é que, havendo uma alta adesão de apoiadores (entre torcedores comuns e aqueles que frequentam o Parque São Jorge), os atuais membros de poderes no Corinthians possam considerar as propostas ou, ao menos, ouvi-las.

O documento é separado em cinco subtópicos principais. Os quatro primeiros são introdutórios: Apresentação do Projeto, Atual Estatuto, Lei Geral do Esporte e Governança Corporativa do Futebol. O último é o das Propostas Concretas para a Reforma do Estatuto do Corinthians. Abaixo, o Meu Timão separou as principais pedidas que o Coletivo publicou junto à torcida alvinegra. Confira!

Propostas concretas para a Reforma do Estatuto

Realização de auditoria externa para análise dos atos efetivados nas últimas quatro gestões

O Coletivo aponta que "no prazo máximo de 30 dias após a promulgação da reforma estatutária, podendo ser prorrogada por mais 30 dias mediante justificativa adequada" deve-se convocar uma auditoria externa. O objetivo é "simples": punir os maus gestores para que uma herança de impunidade não seja levada à frente.

Reforma eleitoral, democracia e participação da torcida corinthiana

O grupo propõe que o mandato presidencial do Corinthians seja de quatro anos (atualmente, é de apenas três), para que um projeto governamental seja estruturado melhor. No entanto, a pedida é que os associados possam votar a partir de dois anos dentro do quadro de sócios do clube (atualmente, o estatuto dá direito ao voto apenas aos que têm cinco anos ou mais) e a partir dos 16 anos (atualmente, é necessária a idade mínima de 18).

O Coletivo destaca que pouco mais de 4 mil sócios (0,014% do total de corinthianos) votaram na última eleição presidencial, dentro de uma torcida que possui mais de 30 milhões de pessoas. A proposta é que haja um aumento no colégio eleitoral: um redesenho no Fiel Torcedor, para que uma modalidade de associação do programa também dê direito ao voto. Desta forma, milhares de corinthianos, mesmo que os não frequentem a sede social, poderiam votar.

Reforma eleitoral proposta pela reforma de estatuto do Coletivo Voz Corinthiana

Divulgação / Coletivo Voz Corinthiana

Fim do poder vitalício e governança corporativa para o Sport Clube Corinthians Paulista

Já a nomeação de conselheiros vitalícios, como nos casos de ex-presidentes, deve ser abortada na reforma do Coletivo. Eles preveem inovação e rotatividade do poder. Os membros que já são vitalícios passariam, em um primeiro momento, em um classe de "ex-vitalícios", onde poderiam apenas formular sugestões, mas não ter decisões efetivas nos Conselhos.

Sobre a governança corporativa, o Coletivo prevê a profissionalização da gestão e o impedimento de cargos por simples interesses pessoais, familiares ou políticos do presidente. Esta elaboração prevê que o cargo de Secretário Geral da Diretoria seja substituído por um CEO, escolhido pelo próprio presidente, por exemplo. Porém, antes da escolha, caberá ao Conselho Deliberativo realizar uma triagem e elaborar uma lista com apenas três candidatos.

Assim ficaria a estrutura de governança do Corinthians com a reforma do estatuto prevista pelo Coletivo Voz Corinthiana

Assim ficaria a estrutura de governança do Corinthians com a reforma do estatuto prevista pelo Coletivo Voz Corinthiana

Divulgação / Coletivo Voz Corinthiana

Redesenho dos Conselhos

Propõe-se que a maioria dos membros do Cori (Conselho de Orientação), Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Conselho de Ética também sejam escolhidos por Assembleia Geral dos associados. O ponto mais crucial aqui é que os membros escolhidos (tanto os majoritários por eleição popular, quanto a minoria escolhida pela gestão) tenham formações que compreendem suas respectivas funções em cada um dos Conselhos. Na prática, os escolhidos estariam mais capacitados a exercer sua função. Veja o exemplo do resenho do Conselho Deliberativo:

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Divulgação / Coletivo Voz Corinthiana

Transparência

Criação de um portal de transparência para a torcida, desde a divulgação de códigos de condutas até o contrato de jogadores. Veja na arte:

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Divulgação/ Coletivo Voz Corinthiana

Limite a ideia de SAF

Este prevê que uma reforma no estatuto vede a aquisição majoritária do clube por terceiros. O Coletivo ainda deixa claro que uma eventual aprovação de uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF) ao Corinthians deve ocorrer por meio da deliberação de uma Assembleia Geral (votos dos associados).

Preservação de aspectos históricos e culturais

Aqui, o grupo pede por maior respeito e preservação da história do clube. Uma das propostas e colocar a tradicional camisa preta com listras brancas como uniforme oficial no estatuto. Outra pedido é pela manutenção e divulgação em meio digital do acervo material e imaterial do clube (tanto elementos físicos, como taças e uniformes, quanto elementos documentais, a exemplo de atas, estatutos e registros audiovisuais).

Sócrates vestindo a camisa preta com listras brancas do Corinthians

Sócrates vestindo a camisa preta com listras brancas do Corinthians

Reprodução

Os outros quatro tópicos

Nestes quatro primeiros tópicos do documento, o Coletivo explica as motivações para tais propostas em busca de uma reforma no estatuto do Corinthians. Basicamente, são as justificativas e o embasamento traçados para que esta reforma ganhe vida: as mesmas já anunciadas na entrevista ao Meu Timão, em junho.

Apesar de não tornar público os nomes dos cabeças do projeto, eles deixam claro que a proposta é desenvolvida por corinthianos das áreas de direito, economia, marketing e administração. E "o objetivo é apresentar uma reforma estrutural ao atual sistema de organização interna, com ênfase na efetividade da governança do clube".

No subtópico nomeado como Atual Estatuto, o Coletivo tece uma crítica ao atual estatuto do clube, que é deficitário e antigo (baseado pela publicação de 2008). Um dos alertas principais que eles fazem é a participação efetiva de conselheiros vitalícios (incluindo ex-presidentes) nas decisões dos Conselhos (de Orientação e Deliberativo) do clube.

Na parte da Lei Geral do Esporte, o grupo aponta que o atual estatuto continua defasado em relação às novas regências do futebol brasileiro. É preciso, portanto, uma adequação em todos os sentidos: desde termos mal esclarecidos e falta de transparência e responsabilidade corporativa.

Por fim, na Governança Corporativa do Futebol, o documento alinha a pedida do Coletivo com o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC. O ponto mais relevante destacado é que o governo de um clube do futebol também gere valor sustentável: "o clube deve atuar como agente de transformação social, promovendo inclusão, diversidade e desenvolvimento humano".

Veja mais em: Estatuto do Corinthians, Torcida do Corinthians e Opinião da torcida.

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26 Comentários Comentar >

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  • Comentário mais curtido

    Alexandro Jesus #1.270

    Essa proposta de novo estatuto vai continuar a mesma sic!

    Sendo realista e falando logo do ponto principal: SAF, veta a compra majoritária por terceiros. Alguém acha que vai aparecer um abençoado querendo por dinheiro no Corinthians na condição e exemplo: 3 bilhões por 49% do Corinthians, mas não é quem colocou os 3 bi quem realmente decide como usar o dinheiro, quem decide é os 51% majoritários.

    Me poupe, olha outro exemplo da vaquinha que é pela torcida e mesmo assim a torcida não conseguiu ter crédito na ação, quem vai por dinheiro ainda mais no Corinthians falido por incompetentes para os mesmos incompetentes tomar conta!?

    ...ahhhh mais vai mudar a estrutura, alguém confia de por dinheiro em um negócio, empresa ou marca (Corinthians é um agravante negativo no momento) e ficar seguro que vai ter lucro? Que vai render ou que não vai perder o investimento? Não!

    Propostas (essa e a SAFiel) feita por quem está lá ou vinculado com o poder atual! Esse é o meu entendimento.

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  • Todos os comentários (26)

    Marcos Marques #1.819

    Muito bem elaborada! A Governança Corporativa é a base para uma gestão eficaz e que promova o desenvolvimento permanente do clube ou de qualquer organização. Importante ter se aberto para a torcida não sócia e de fora da capital. Parabéns! O otimismo esta voltando dentro de nosso clube!

  • Robson Angel #6.073

    Desculpe a minha ignorância, mais não me lembro.
    quem votara essas mudanças serão os sócios ou conselheiros?
    Se for os sócios podemos até ter esperança de ter alguma alteração que possa ser benéfica ao clube, porém se for os conselheiros, esquece, pode colocar a mudança boa que for que eles não vão aprovar, pois estarão prejudicando a si próprios que é o que interessa para esses sangue sugas..

  • Paulo Interior #2.894

    Sinceramente, não vi nenhuma proposta até agora de estatuto que resolva de fato o grande problema do clube que é o peso do clube social e os esportes? Amadores? No futebol.
    A primeira coisa a ser feita é separar clube social e futebol, aí sim teríamos um grande avanço. Além do que não tem muita lógica os torcedores votarem para presidente e decidirem também o futuro do clube social que nem sócios são, então a primeira coisa é separar o futebol, ele ser totalmente desvinculado do clube social, aí os sócios do clube votam para o presidente deles e os torcedores votam no presidente de futebol, cara remunerado pra exercer a função.
    Só que isso nunca vai acontecer pois os conselheiros do clube jamais vão querer perder a galinha dos ovos de ouro que é o futebol

  • Joao Nascimento

    Que reportagem mais sem nexo, de que adianta esse grupo fazer essa proposta de mudança do estatuto? Quem manda e decide são os conselheiros, esses grupos só perdem tempo com isso

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