Nenê do Posto assumiu a base do Corinthians ainda enquanto Osmar Stabile era o presidente interino do Corinthians

Nenê do Posto assumiu a base do Corinthians ainda enquanto Osmar Stabile era o presidente interino do Corinthians

Foto: Reprodução / CBF

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Fala, Nenê!

Caso Furquim, contratações e denúncias de esquema: diretor passa a limpo a base do Corinthians

Por Meu Timão

Desde que o Parque é São Jorge, as categorias de base do Corinthians são rodeadas de polêmicas tanto dentro quanto fora das quatro linhas. Na mudança de diretoria após o impeachment de Augusto Melo, o presidente Osmar Stabile colocou Carlos Roberto Auricchio, o Nenê do Posto, à frente das camadas mais jovens do Timãozinho.

Em meio aos trabalhos, o diretor foi surpreendido pela saída precoce do atacante Kauê Furquim, de 16 anos, para o Bahia, que pagou sua multa rescisória avaliada em R$ 14 milhões. O Corinthians levou o caso à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) nesta semana e cobra valores milionários do clube baiano e do Grupo City, dono da SAF do clube . Nenê do Posto passou a limpo o caso.

“Ele (Furquim) é um jogador promissor, um atacante canhoto que joga pela direita e, em alguns treinos em que o Dorival precisou dele, subiu, mas não havia sido levado para jogo, não entrou no time de cima. Um dia ele jogou com o Botafogo Sub-17 na Fazendinha e, sem a gente saber, tinha uns empresários do Bahia na arquibancada, assistindo ao jogo. Depois, nós soubemos que eles tinham ido lá para ver o Guilherme Amorim jogar, estavam interessados nele. E aí miraram no que viram e acertaram no que não viram. Por quê? Porque o Guilherme Amorim foi abaixo naquele dia. Ele era sempre o nosso melhor jogador, que mais aparecia nos jogos. De repente, o Furquim fez um gol maravilhoso, sofreu pênalti, foi o dia dele. Nós, muito tranquilos lá em cima (no camarote da diretoria), nem imaginamos que tinha alguém ali embaixo assediando o jogador. Acabou o jogo, nós ganhamos por 4 a 2 e fomos embora”, contou Nenê do Posto em entrevista ao canal Voz da Arquibancada FC.

O jogo em questão foi em 29 de julho, quando Furquim anotou um golaço, mandando a bola para o ângulo do gol botafoguense . O diretor da base do Corinthians disse que só foi saber da ida dos diretores do Bahia pelos pais de outros jogadores.

"Tem um grupo de WhatsApp dos pais dos atletas, onde passaram que tinha um pessoal do Bahia ali embaixo, oferecendo dinheiro para os pais do Furquim na beira do campo, dentro da arquibancada. Eu falei: ‘Acho que é conversa, né?’ Nós ligamos para os empresários deles, que é uma empresa, são três empresários, e eles negaram de imediato, (falaram) que não tinha nada, não sabiam de nada, que não tinham interesse nenhum em tirar o Furquim daqui (do Corinthians)", destacou.

"Nós falamos: ‘Vamos fazer o seguinte, vamos marcar de conversar? Fazer uma reunião e vamos dar uma melhorada no salário dele’. Porque ele já tinha subido algumas vezes para o profissional, embora não tivesse jogado, nem ficado no banco, só relacionado. Eu falei: ‘Vamos fazer um contrato melhor”. Não era ruim, era um contrato top do Sub-17. Ele e o Gui Amorim eram o top. Aí, eles aceitaram", completou.

Segundo Nenê do Posto, as conversas até estavam caminhando, mas, ao se encontrar com os representantes de Kauê Furquim, o empresário Fred Moraes não estava presente, pois havia viajado para a Inglaterra. Em um primeiro momento, foi dito que ele havia ido ao país para negociar o atacante Savinho, que atua no Manchester City. Porém, o diretor da base do Corinthians deu a entender que, na verdade, a viagem teve como objetivo selar a venda da joia alvinegra para o Grupo City.

"Marcamos, no dia seguinte, dois vieram - eram três, um estava na Europa, o Fred Moraes, se não me engano. Inclusive, não se esqueçam, eles vieram na sala do presidente, com a presença dele, minha, com o Alex Brasil, e dos dois empresários. Conversamos. Não falamos em número, porque ele falou: 'Ah, não adianta, a gente tem que esperar o Fred, ele está fazendo um negócio lá no Manchester City com o Savinho, mas fiquem tranquilos, quando ele voltar, a gente senta e aumenta o salário dele para a multa melhorar’. Isso foi uma terça-feira. Passou quarta, a gente no pé deles... O Fabinho Soldado falou: ‘Deixa eu entrar no assunto’ e ligou para eles, o tal de Fred. Ele falou que ainda estava na Europa em um negócio dele, mas estava indo para o Brasil para fechar com a gente e pediu para ficar tranquilo, que estava tudo bem. Eu tenho print até desse Fred dentro do avião. Prints da conversa, ele falando para a gente ficar tranquilo que no dia seguinte ele voltava para o Brasil e ia acertar com a gente", comentou o diretor.

"Aí no dia seguinte, o que aconteceu? Osmar me ligou às 9 horas da manhã, que tinham depositado o valor da multa. O que você tira de tudo isso? O assédio. Os caras foram lá embaixo, não os empresários, o pessoal do Bahia. Foi lá na arquibancada, ofereceram R$ 1,5 milhão de luvas para o menino e R$ 50 mil reais por mês, não tem família desestruturada, ou mais ou menos desestruturada, que não aceita na hora", encerrou.

A saída enfureceu o Corinthians, que fechou as portas do Parque São Jorge para o Bahia, o Grupo City e a GTX, empresa que agencia Kauê Furquim - e outros destaques da base, como o meia Gui Amorim e o atacante Léo Amistá.

Agora, o clube vem revisitando alguns contratos da base, concedendo aditivo salarial para o meia Gui Amorim e o atacante Nícollas , ambos do Sub-17. Além deles, o volante André Luiz, promovido ao profissional, também renovou , e o atacante Gui Negão está em vias de acertar um novo contrato.

Na contramão das conversas avançadas, está o lateral-direito João Vitor Jacaré, de 18 anos, que vinha treinando com o técnico Dorival Júnior no profissional e que até retornou para a base por causa da indefinição contratual.

"O Jacaré, nós estamos negociando para renovar o contrato dele. A princípio, ele estava sendo negociado pelo profissional. Como o empresário dele forçou um pouquinho a situação, nós o voltamos para a base, porque vamos tentar renovar pela base. Ele vai ter que aceitar o valor de base, porque, agora, com a contusão do Matheuzinho, eles se empolgaram um pouquinho. Então, complicou um pouco a negociação, mas eu acho que, até o final da semana, a gente deve fazer alguma coisa a respeito disso", apontou Nenê do Posto.

"Amanhã nós vamos ter mais uma conversa. Enquanto isso, ele não vai subir mais (para o profissional). Mas, qual a partida que o Jacaré fez que encheu os olhos de algum empresário para vir pagar a multa rescisória? Ele não tem condições de ser jogador titular do Corinthians hoje, não dá, nem um pouco. Foi precipitada a subida dele para o profissional, ele fez 18 anos agora. Na frente dele, tem o Gabriel Caipira, que tem mais porte de jogador profissional, é mais velho, tem 20 anos", complementou.

Economia de R$ 1 milhão com dispensas de jogadores e funcionários

Desde que Nenê do Posto assumiu a base do Corinthians, 38 rescisões já foram registradas no BID da CBF

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Desde que Nenê do Posto assumiu a base do Corinthians, 38 rescisões já foram registradas no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF, contanto atletas de times mais novos e mais velhos. Aliado a isso, funcionários foram demitidos. A expectativa de economia é de pouco mais de R$ 1 milhão.

"Foram 70 atletas dispensados, eu tive uma economia só desses atletas de R$ 870 mil em 70 dias. E mais R$ 145 mil de funcionários que estavam ociosos. Pediam emprego para um para outro e nós enxugamos na demissão. Do Chicão e do Batata, eu não contratei ninguém. Eu economizei R$ 120 mil reais, porque eu reloquei um coordenador da captação para o lugar do Chicão e do Batata, um só, e dei R$ 2 mil de aumento para ele. E reloquei um captador para o lugar desse coordenador, dei mais R$ 1.500 de aumento. Tirei R$ 110 mil e coloquei R$ 3,5 mil”, calculou o diretor da base alvinegra.

A medida da atual gestão vai na contramão da de Claudinei Alves (diretor na época de Augusto Melo) na base do Corinthians. Em um ano e meio, foram oficializados 87 novos atletas , sendo que maior parte nunca chegou a estrear oficialmente.

Quando nós chegamos, não tinha espaço físico que você precisava (para tantos jogadores). Não tem como treinar. Era Sub-18, Sub-20B e Sub-20A, só ali tinha 80 jogadores. Tanto é que o nosso time do Sub 20 ficou muito debilitado, porque todo mundo chegava com o ano 2005, 2006, com um contrato de dois, três anos e não entrava. Nas outras categorias, a mesma coisa. O que eu fiz nesses três meses foi só enxugar. Não deu para contratar, não contratamos um atleta até agora. Agora sim, nós vamos começar a captar jogadores para aquelas posições carentes que, principalmente no Sub-20, vai ter", reclamou o dirigente.

"Nós vamos começar a (contratar), porque eu tive que dispensar mais ou menos uns 70 atletas. Ainda faltam uns 30. De Sub-14 para cima, agora do Sub-14 para baixo, ainda faltam uns 30 a 35. E hoje, se eu dispensar, vai gerar um custo muito alto. Então, eu estou chamando jogador por jogador, empresário, pai e querendo saber o que eles pretendem. Eles pretendem ficar sentados no contrato ou jogar em algum outro lugar? Estou tratando caso a caso, estou tendo sucesso conversando um por um em casos que eu ofereço dois salários para poder rescindir. E assim vai", também destacou.

O Meu Timão chegou a relatar, ainda em 2024, que o Sub-18 do Corinthians virou um "time B" do Sub-20, com jogadores em último ano de base . Nem no CT da base a equipe treinava, utilizava as instalações da Portuguesa justamente pela falta de espaço.

Agora, o Sub-18 foi oficializado como Sub-20 B e a tendência é que deixe de existir em breve com a diminuição de atletas sob contrato.

Denúncias de esquemas na base do Corinthians

William Batista acompanhou o Timãozinho no duelo contra o Santo André

Rodrigo Gazzanel / Agência Corinthians

Em meio ao alto número de contratações, Dinei, ídolo do Corinthians que trabalhou na base no último ano, chegou a denunciar que alguns jogadores tinham pagado para defender o clube . Nenê do Posto disse que esquemas são comuns na base, mas pregou que, em sua gestão, isso não vai ocorrer.

“A gente controlar isso é difícil, porque você tem três categorias e deve ter mais de 100 profissionais trabalhando com esses moleques das três categorias. Então, você tem que ter olho em tudo, acompanhar jogos, saber das categorias, quem está melhor, quem não está, e esperar as denúncias. Agora, se é caso de gente da diretoria, acredito também que façam isso, já fizeram isso, mas comigo nunca vai acontecer e nunca aconteceu. Tem vários (casos no Corinthians que não foram levados para Ética), porque muitos eram funcionários que foram demitidos, outros diretores que, de repente, não se comprovou nada, foi a palavra do pai ou do empresário contra a palavra deles, mas isso acontece direto. Não tenho nenhum pingo de medo de falar não. Na categoria de base é o que mais acontece isso. Eu já tive várias e várias ofertas disso aí”, comentou.

"Muitos têm vergonha de falar, outros comentam, mas é coisa nojenta, deprimente, sabe? Muitas vezes (contam) quando a gente dispensa um atleta, eu cheguei a dispensar muitos atletas e muitos não reclamaram, outros reclamaram de alguma contrapartida. A pessoa (que recebeu esse dinheiro) nem está mais, são diretores, grandes diretores, funcionários que já saíram e, claro, se ainda tivesse lá, seria mandado embora na hora. Na minha gestão, não vai acontecer e, se acontecer, aí eu boto a boca no trombone mesmo. Agora, se aconteceu outras vezes (em gestões passadas), as pessoas falam, eu não vou atrás de saber. Eu estou fazendo meu trabalho, quem tem que ir atrás da punição é quem foi lesado, não fui eu, entendeu?”, complementou.

Vale ressaltar que o Corinthians não cobra famílias para participarem de peneiras e outros testes no clube. A prática é totalmente condenada pelo setor de captação - e o clube como um todo.

No processo para evitar a prática de esquemas, Nenê relembrou uma prática que fazia em sua passagem passada. “Quando nós entramos em 2017, nós fizemos uma placa na frente da sala, ainda não existia o CT da base. Ali era a minha sala do clube, nós fizemos uma placa para denunciar pais e empresários que oferecem dinheiro para qualquer funcionário ou dirigente. Fizemos uma placa de cinco metros de altura e colocamos lá com o telefone embaixo para denunciar. E aí, nós saímos da gestão e agora a placa não estava mais lá, sumiu. Era chegar e olhar: ‘Pediu dinheiro, liga aqui e denuncia’. Tinha até a pessoa lá que recebia essas ligações. E isso tem que continuar, porque não é possível acontecer”, destacou.

Nenê do Posto vai seguir atuando na base do Corinthians até o fim de 2026, quando se encerra o mandato tampão de Osmar Stabile. O diretor pode seguir no cargo caso o presidente concorra às próximas eleições para seguir no clube até 2029.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians e Base do Corinthians.

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    All Colatra #229

    Bizarro. O Bahia sabia do potencial dos garotos tanto é que foi observá-los de perto, mas o Corinthians pelo jeito não sabia já que só buscou renovar o contrato após essa confusão toda

    E hoje o Jacará ainda é jogador do clube, um dirigente não pode sair expondo o garoto e falando até tecnicamente

    É uma mistura de incompetência com gente querendo benefício próprio, e dessa forma as coisas não vão pra frente mesmo

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  • Todos os comentários (35)

    Américo Jorge #40

    Toda essa pataquada só mostra como somos amadores. Os mulks são bons, mas no Corinthians tudo é feito nas coxas e pra mulk ter chance só por necessidade das bravas, como agora. Aí entram em divididas, e se derem mole se queimam, porque nossa torcida não tem como eles a paciência que tem com quem vem de fora. Infelizmente!

  • Levi Alves #818

    Aff

  • Luiz Balestrero #5

    Ficaram mais espertos

  • Sergio Goya #897

    Muita gente metendo o pau.
    Mas não vi ninguém tendo coerência com a situação.
    Os caras vão direto nas famílias, são sábados nível Hard.
    Corinthians não teve culpa.
    Quem reclama da diretoria agora, deve ter esquecido do Lulinha, renovaram o contrato com salário e multa de astro e não valia tudo isso. Aí malharam a diretoria por aumentar a multa e salários.
    Galera se forem aumentar o salário e multa de todos jogadores da base que fizer um jogo bom, estamos férrados.
    Tem que ir pra cima do Bahia que aprovou essa medida de negociação.

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