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Volante do Corinthians passa por acompanhamento médico após diagnóstico de deficiência de ferro

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Por Marina Borges e Maria Beatriz de Teves

O Corinthians identificou uma deficiência de ferro no volante Charles durante exames de rotina realizados no meio da temporada. Procurado pela reportagem do Meu Timão, o clube informou que o atleta vem sendo acompanhado de perto pelo departamento médico e que, mesmo após o início da suplementação indicada pelo doutor André Jorge, os níveis do nutriente permaneceram muito baixos.

Por isso, Charles passou por novos exames no Hospital Sírio-Libanês para investigar as causas da falta de ferro. Apesar do quadro, vale reforçar, o volante treina e joga normalmente. A situação foi divulgada inicialmente pela esposa do jogador, que relatou que a deficiência acontece há mais de um ano e que os níveis de ferritina do atleta chegaram a ficar próximos de zero — um indicador crítico que afeta diretamente a disposição e causa fadiga intensa. Veja o post compartilhado nas redes sociais abaixo.

Charles está com deficiência de ferro há mais de um ano

Charles está com deficiência de ferro há mais de um ano

Reprodução / Instagram

Para entender o quadro que afeta o volante do Corinthians, o Meu Timão conversou a nutricionista esportiva Carol Bernardino, mestre e especialista em bioquímica da nutrição e multidisciplinaridade do esporte e exercício físico pela Unesp. Segundo ela, a situação é mais comum do que parece, mesmo em atletas de alto rendimento.

"A deficiência de ferro é um tema muito importante no esporte de alto rendimento. Por mais que pareça que seja impossível de acontecer, já que o atleta geralmente come muito, essa perda pode acontecer de diversas formas", iniciou em entrevista ao Meu Timão.

De acordo com a especialista, o ferro é um nutriente essencial para o transporte de oxigênio no organismo, participando diretamente da produção de hemoglobina, que oxigena os músculos durante o esforço físico.

"O ferro não é apenas um nutriente, ele é essencial para o transporte de oxigênio. Então, atletas que correm, atletas que precisam ter esse sprint, precisam ter essa energia. Se têm deficiência de ferro, o transporte de oxigênio não se faz presente de uma maneira concreta. Qualquer deficiência em relação a esse nutriente compromete diretamente o desempenho", destacou Carol.

Possíveis causas da deficiência de ferro em atletas

No esporte, a deficiência de ferro pode estar ligada a uma série de fatores que vão além da alimentação. Entre eles estão:

  • Autodesgaste físico intenso;
  • Micro-hemólise (quebra de hemácias durante o impacto da corrida, podendo gerar sangue oculto nas fezes);
  • Perda de ferro pelo suor, urina e fezes;
  • Dieta pobre em carne vermelha (principal fonte de ferro heme, mais biodisponível para o organismo);
  • Dietas restritivas ou vegetarianas sem suplementação adequada;
  • Uso recorrente de anti-inflamatórios, que pode causar micro sangramentos gastrointestinais;
  • Má absorção intestinal;
  • Verminoses não tratadas.

Sintomas da falta de ferro

A deficiência de ferro pode afetar não apenas o corpo, mas também a capacidade de concentração e a tomada de decisão em campo. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Fadiga precoce durante treinos e jogos;
  • Queda de performance aeróbica;
  • Sensação constante de cansaço e fraqueza muscular;
  • Palidez e tontura;
  • Queda de cabelo e unhas frágeis;
  • Aumento de palpitações;
  • Comprometimento da concentração e do foco;
  • Maior risco de lesões por má oxigenação dos tecidos.

O impacto no rendimento esportivo

No caso de atletas profissionais, como Charles, o déficit de ferro não é apenas um problema clínico, mas um fator que compromete diretamente o rendimento em campo.

"A deficiência de ferro é muito clara em relação à queda de desempenho. É o atleta que chega atrasado na bola, que perde uma jogada importante, que fica mais lentificado. Sem ferro não tem explosão, não tem resistência muscular", explicou a nutricionista.

Segundo Carol Bernardino, o tratamento precisa ir além da reposição com suplementos ou ferro intravenoso:

"Quando a gente vê um atleta com deficiência de ferro, a solução não é apenas simplesmente suplementar com ferro. Óbvio que quem está com deficiência, tomando ferro na veia, vai melhorar muito. A medicina ajuda a gente nesse sentido, mas o importante é tratar a causa, não somente a consequência. Então, como o ferro é literalmente um nutriente essencial para o nosso corpo, sem ele não tem essa explosão, não tem resistência muscular. Dessa forma, o olhar integrativo é fundamental para o atleta, tanto na medicina quanto na nutrição", concluiu a especialista.

Veja mais em: Charles e Departamento Médico.

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