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Denúncia documentada
Presidente do Corinthians prepara representação na Comissão de Ética contra Romeu Tuma Júnior
Por Felipe Sales e Rodrigo Vessoni
A confusão na reunião do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians, que votaria o anteprojeto da Reforma do Estatuto na última segunda-feira , terá desdobramentos na Comissão de Ética e Disciplina (CE) do clube.
Na ocasião, o presidente Osmar Stabile acusou Romeu Tuma Júnior, presidente do CD, de ameaçá-lo e coagi-lo durante o mandato, além de relatar um episódio de intimidação. O dirigente pretende formalizar uma denúncia na instância disciplinar do clube. A informação é do Meu Timão.
Como apurou a reportagem, pessoas próximas a Stabile, a pedido do presidente, já preparam uma representação que será encaminhada a Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo e presidente da Comissão de Ética.
O Estatuto do Corinthians não prevê, de forma específica, uma punição direta para casos em que o presidente do Conselho Deliberativo intimide o presidente da Diretoria. No entanto, o documento estabelece mecanismos disciplinares que podem ser aplicados caso a conduta seja considerada irregular ou contrária às normas do clube.
De acordo com o artigo 25 do Estatuto, os associados, incluindo dirigentes e conselheiros, estão sujeitos a penalidades como advertência escrita, suspensão ou até desligamento em caso de infrações ao regimento, aos regulamentos internos ou às decisões dos poderes do clube.
Nessas situações, cabe à Comissão de Ética e Disciplina conduzir o processo disciplinar, podendo apurar os fatos, colher provas e ouvir os envolvidos. Após a análise, o caso pode ser encaminhado ao Conselho Deliberativo, órgão responsável por julgar membros dos poderes do clube e aplicar eventuais sanções.
Assim, mesmo sem uma previsão específica sobre intimidação entre dirigentes, o Estatuto prevê, na cláusula D do artigo 27, punição ao associado que “praticar ato condenável ou ter comportamento agressivo contra pessoa ou danificar o patrimônio do clube”, dispositivo que pode embasar eventual responsabilização a Romeu Tuma Júnior, caso a conduta seja considerada inadequada ou prejudicial ao Corinthians.
Acusação durante a votação

Conselheiros do Corinthians reunidos no palco após cancelamento da reunião
Fábio Marinho / Meu Timão
Como reportado pelo Meu Timão, antes do início da votação do anteprojeto de reforma do Estatuto do Corinthians, Osmar Stabile, presidente da diretoria, pediu a palavra para fazer um pronunciamento. Durante o discurso, ele afirmou que tem se sentido ameaçado e coagido por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD), acusado pelo líder da diretoria de tentar interferir na gestão.
“Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: 'ou você faz o que eu quero ou eu vou te f**er'. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso, além de outras interferências. Trago aqui documentos sobre ele (Tuma) me pedindo atualizações sobre o que faço. Não posso aceitar mais isso”, disse o presidente.
Pedro Luis Soares, atual diretor de negócios jurídicos do clube, foi ao púlpito, a pedido de Stabile, e relatou o ocorrido aos presentes, apoiando a versão do presidente. O episódio teria acontecido durante um jantar informal no Parque São Jorge.
Na sequência, Tuma acusou a atual gestão de recontratar Aldair Borges, segurança citado em depoimentos na Polícia Civil por permitir a invasão de torcedores no Parque São Jorge em janeiro de 2025, como reportado pelo Uol nesta segunda-feira. O conselheiro acrescentou que falaria à imprensa caso Stabile não tomasse uma providência.
Após as falas, conselheiros chegaram a se levantar e houve princípio de tumulto, o que paralisou a votação por cerca de dez minutos. Logo depois, com todos os membros ainda em pé, a presidência do Conselho decidiu se apoiar no artigo 45 do Estatuto e levar a votação do anteprojeto diretamente para a Assembleia Geral dos sócios, sob a alegação de que o CD não desejaria realizar a votação.
Em entrevista após o encerramento da reunião, Romeu Tuma Júnior afirmou que Osmar Stabile mentiu durante as acusações e disse aguardar a representação na Comissão de Ética para que possa apresentar sua defesa.





