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Post de Pablo no fórum "Bate-Papo da Torcida" do Meu Timão

16 de dezembro de 2012. Eu nunca vou esquecer esse dia. Era final de Mundial. Corinthians e Chelsea. Acordei cedo, ansioso, com o coração batendo acelerado como se eu fosse entrar em campo.

Quando cheguei na sala, meu pai já estava lá, sentado no sofá, com a camisa do Timão aquela mesma, surrada, que ele usava em todo jogo importante desde 1995 do Marcelinho e o patrocínio da suvinil. Ele olhou pra mim, sorriu e disse:

Hoje é dia de fazer história.

Me sentei do lado dele, e ficamos ali, lado a lado, com os olhos colados na TV. Ele explicava jogadas, reclamava do juiz, gritava nos lances perigosos, e eu absorvia cada detalhe, cada emoção. Era como se aquele jogo fosse o centro do universo.

E aí veio o momento. Segundo tempo, 23 minutos. Guerrero sobe entre os zagueiros e… GOOOOOL! Gol do Corinthians! Gol do título!

Meu pai me abraçou, me levantou no ar como quando eu era pequeno, e girou comigo pela sala. A gente chorou, riu, gritou, ajoelhou no chão. Nunca vi meu pai daquele jeito. E eu… eu me sentia completo. Pleno. Era como se tudo no mundo estivesse certo naquele instante.

Aquele dia foi o mais feliz da minha vida. Não só porque o Corinthians foi campeão mundial. Mas porque eu vivi tudo aquilo com ele.

Os anos passaram. A vida mudou, como sempre muda. Mas a gente sempre lembrava daquele jogo como o nosso maior momento juntos.

Até que, em 2020, meu pai se foi. Rápido demais. O covid chegou e levou ele sem me dar tempo de me despedir direito. Fiquei sem chão. Foi como perder um pedaço de mim.

No dia do enterro, eu vesti a camisa dele. Aquela camisa. Já gasta, um pouco desbotada, mas com o cheiro e a lembrança viva daquele 16 de dezembro. Naquela noite, cheguei em casa, sentei no sofá no mesmo lugar que ele sentava e coloquei o jogo inteiro pra assistir de novo no YouTube.

Chorei. Muito. Mas não foi só de tristeza. Foi de gratidão também. Porque eu tive aquele momento com ele. Porque a nossa história está marcada na história do Corinthians. Porque aquele gol, aquele abraço, aquele choro, tudo aquilo… é eterno.

Hoje, toda vez que eu vejo aquele lance do Guerrero, eu não penso só no título. Eu vejo meu pai. Eu vejo nós dois. E sorrio.

Obrigado, Corinthians. Obrigado, pai.

em Bate-Papo da Torcida > De Pai para filho

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