Carlos Filho
Essa é a situação enfrentada pelos jogadores e integrantes da comissão técnica do Corinthians. O salário de maio está atrasado, não existe previsão pública de pagamento e o problema ocorre pelo segundo mês consecutivo.
Nenhum profissional consegue trabalhar com tranquilidade sem saber quando receberá. No futebol, não é diferente. Atrasos afetam a concentração, o ambiente interno, a confiança na diretoria e o desempenho dentro de campo. Não se pode cobrar comprometimento absoluto dos jogadores quando o próprio clube não cumpre uma obrigação básica.
A responsabilidade não pertence apenas a uma gestão. Dirigentes atuais e antigos, conselheiros e grupos políticos participaram da construção desse desastre. Contratações foram feitas sem capacidade de pagamento, dívidas foram empurradas para administrações seguintes, receitas futuras foram antecipadas e o Corinthians passou a depender da venda de jogadores para pagar despesas comuns.
A gestão atual recebeu um clube endividado, mas também precisa ser responsabilizada. Quem aceita administrar o Corinthians assume o dever de apresentar soluções, controlar gastos e garantir salários. Herdar problemas não concede autorização para repeti-los.
Enquanto isso, o Conselho Deliberativo, que deveria fiscalizar com independência, frequentemente se transforma em palco de disputas políticas, acordos internos e proteção entre grupos que se alternam no poder. Os responsáveis mudam de cadeira, mas o modelo de gestão permanece praticamente o mesmo.
Diante de dívidas bilionárias, salários atrasados, bloqueios, transfer bans, processos e ausência de governança confiável, uma intervenção judicial independente precisa ser seriamente considerada. Não para escolher escalação ou administrar o futebol, mas para proteger o patrimônio do clube, preservar documentos, revisar contratos, fiscalizar movimentações financeiras e impedir que decisões irresponsáveis continuem aumentando o prejuízo.
A intervenção deve respeitar a lei, o contraditório e as decisões do Poder Judiciário. Porém, esperar que os mesmos grupos políticos que ajudaram a criar a crise resolvam tudo internamente parece cada vez menos razoável.
O torcedor também pode ajudar.
Quanto mais corinthianos divulgarem informações verificadas, cobrarem transparência e pressionarem pacificamente nas redes sociais, maior será o custo político da omissão.
Não se trata de atacar familiares de dirigentes. Também não se trata de espalhar boatos. A cobrança deve ser firme, responsável e baseada em fatos.
O Corinthians não pertence aos dirigentes, aos conselheiros nem às chapas políticas. O Corinthians pertence à sua torcida.
Compartilhar, cobrar e exigir investigação independente é uma forma legítima de defender o clube. O silêncio apenas favorece quem deseja que tudo continue como está.
em Bate-Papo da Torcida > Você conseguiria trabalhar bem sabendo que seu salário está atrasado...



















