Na segunda-feira, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians oficializou a suspensão dos processos internos envolvendo os casos de uso indevido do cartão corporativo do clube nas gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves . A decisão foi explicada pelo presidente do órgão, Romeu Tuma Júnior, após a última audiência pública relacionada à reforma do Estatuto do clube .
Segundo Tuma, a medida não representa o encerramento das apurações, mas uma precaução institucional para garantir que as investigações internas sigam em conformidade com determinações judiciais e eventuais ações do Ministério Público. O dirigente destacou que a prioridade é preservar a legalidade do trabalho conduzido pelas comissões do Conselho enquanto o clube busca orientações formais junto às autoridades competentes.
"Hoje (segunda-feira) tomei a atitude de suspender a tramitação dos processos envolvendo os ex-presidentes Andrés, Duilio e Augusto, no que se refere aos cartões. Quero deixar claro que isso não paralisa as investigações; os processos continuam com diligências e cobranças que a diretoria deve responder. Fizemos isso, excepcionalmente, para proteger as Comissões de Justiça e Ética, garantindo que não haja qualquer sinal de desrespeito às decisões do Poder Judiciário e do Ministério Público", iniciou em entrevista coletiva.
A medida visa impedir que membros da Comissão de Justiça (CJ) e da Comissão de Ética e Disciplina (CE) possam ser enquadrados por desobediência judicial durante a condução dos trabalhos. Andrés Sanchez, por exemplo, possui medidas cautelares que o impedem de acessar o Parque São Jorge e manter contato com dirigentes do clube, enquanto solicitações semelhantes já foram feitas pelo Ministério Público de São Paulo em relação a Duilio Monteiro Alves. Diante desse cenário, o Conselho aguarda uma autorização formal para dar continuidade às oitivas e demais etapas do processo.
"Estamos cobrando que a diretoria peça autorização à Justiça para prosseguirmos com as oitivas e defesas internas, já que os processos correm em segredo e só conhecemos detalhes pela imprensa. Não podemos arriscar que o Judiciário ou o Ministério Público interpretem nosso trabalho como desrespeito, nem expor os conselheiros voluntários que buscam a verdade. Suspender momentaneamente as oitivas é uma cautela para garantir o devido processo legal e obter segurança jurídica; o processo administrativo continua com outras diligências enquanto aguardamos essas garantias", complementou.
De acordo com o dirigente, a decisão foi tomada em alinhamento com a diretoria executiva do clube, comandada por Osmar Stabile, que deverá formalizar o pedido de autorização junto ao Judiciário. O objetivo é assegurar respaldo legal para a continuidade das investigações internas e evitar questionamentos futuros sobre a validade dos procedimentos conduzidos pelo órgão.
"Protocolei a decisão e a diretoria concordou que essa é a medida mais segura para todos. O diretor Pedro Soares já se prontificou a oficiar o Judiciário amanhã, explicando o papel das comissões do Conselho para obtermos essa autorização. Precisamos dessa garantia legal para evitar que, no futuro, os próprios investigados peçam a nulidade dos nossos atos alegando desobediência judicial. Como o Conselho não tem autonomia para interpelar a Justiça diretamente, essa representação cabe à diretoria executiva. Além disso, sigo me defendendo em processos pessoais, como é de meu direito, seja contratando advogados ou em causa própria", disse.
Tuma também comentou sobre o desgaste pessoal decorrente de ações judiciais relacionadas ao tema e reforçou a necessidade de apoio institucional para a continuidade das apurações. O dirigente ressaltou que a condução do caso deve ocorrer de forma estruturada e respaldada juridicamente, garantindo a legitimidade do trabalho do Conselho.
"Ele (Stabile) não acionou o Conselho Deliberativo, mas sim a mim, Romeu Tuma Júnior, como presidente do órgão. Com isso, sou obrigado a arcar com advogados ou advogar em causa própria para defender a instituição, o que consome meu tempo e recursos particulares. Embora estejamos vencendo as ações, esse é um desgaste contínuo. Agora, exigimos que a diretoria cumpra sua obrigação e dê o respaldo necessário para que o Conselho siga com as apurações de forma institucional", finalizou.