Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves em entrevista coletiva

Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves em entrevista coletiva

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

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Paralisação

Conselho do Corinthians suspende processos internos contra ex-presidentes e faz pedidos à Justiça

O Conselho Deliberativo do Corinthians oficializou nesta segunda-feira a suspensão dos processos internos envolvendo os casos de uso indevido do cartão corporativo do clube nas gestões dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves.

A medida, tomada pelo presidente do órgão, Romeu Tuma Júnior, visa impedir que os membros da Comissão de Justiça (CJ) e da Comissão de Ética e Disciplina (CE) sejam acusados pelo crime de desobediência, já que Andrés possui contra si medidas cautelares impedindo-o de acessar o Parque São Jorge e contatar dirigentes alvinegros. Estas mesmas medidas já foram solicitadas contra Duilio pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

De acordo com apuração do Meu Timão, existe uma preocupação de que, caso os órgãos internos decidam por continuar com as investigações sem ouvir os ex-presidentes, os pareceres conclusivos possam ser alvo de anulações na Justiça, por eventual descumprimento do direito de defesa.

A redação obteve acesso ao despacho assinado por Tuma, que possui três páginas. O documento contextualiza que o MP-SP solicitou esclarecimentos sobre uma visita de Andrés ao Parque São Jorge, em dezembro, para depor à CJ, exigindo que o Corinthians apresentasse as gravações da sede do clube do dia em questão.

Internamente, este pedido foi visto com surpresa, conforme soube o Meu Timão. O motivo seria a cronologia dos fatos, pois Andrés compareceu à sede alvinegra em 1º de dezembro do ano passado, e a decisão judicial impondo as medidas cautelares dataria de 11 de dezembro, portanto, dez dias depois. Portanto, existe a compreensão de que o depoimento do ex-presidente não teria infringido qualquer decisão judicial.

Além disso, são feitas críticas à postura da diretoria na defesa do clube nos processos judiciais sobre o caso dos cartões corporativos. As reclamações giram em torno da gestão - que está habilitada nos autos - não repassar ao CD - que não está habilitado - o teor completo das decisões judiciais, inviabilizando que as comissões possam ter ciência do que poderiam ou não fazer em relação aos ex-presidentes, sem correr riscos de sofrerem implicações legais.

Em outro trecho, o documento lembra que, no pedido feito pelo promotor Cássio Conserino sobre a abertura de inquérito civil que analise a possibilidade de intervenção judicial no Corinthians, um dos tópicos levantados é um suposto descumprimento de decisões judiciais no impeachment do ex-presidente Augusto Melo, argumentando em seguida que a continuidade dos processos internos contra Andrés e Duilio poderia ser vista da mesma forma pela Justiça, se prosseguissem no contexto atual.

O despacho de Tuma finaliza com a determinação da suspensão das apurações internas na CE e CJ, e pedindo ainda que o departamento jurídico do Corinthians encaminhe a decisão para o MP-SP e solicite à Justiça que o Conselho Deliberativo tenha acesso aos autos das ações em tramitação e que os órgãos internos sejam autorizados a convocar e ouvir estes ex-presidentes, medida que permitiria a retomada das apurações suspensas.

O Meu Timão apurou que o departamento jurídico do Corinthians já recebeu o despacho, mas não há previsão para os pedidos serem feitos oficialmente em juízo. A redação também procurou o promotor Cássio Conserino para uma manifestação sobre o impacto da decisão nas apurações contra os ex-presidentes, mas não houve retorno.

Veja mais em: Parque São Jorge, Diretoria do Corinthians, Conselho do Corinthians, Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.

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