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Depoimento
Andrés Sanchez depõe à Comissão de Justiça do Corinthians em apuração de cartão corporativo
Por Matheus Fiuza e Felipe Sales
A Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo do Corinthians ouviu, nesta segunda-feira, as explicações de Andrés Sanchez, ex-presidente do clube, na apuração interna do uso indevido do cartão corporativo do Timão. O ex-mandatário responde a uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pelas possíveis irregularidades.
A informação foi divulgada pela Gazeta Esportiva e confirmada pelo Meu Timão. Andrés esteve sob a presença dos advogados no Parque São Jorge após convocação da CJ devido à investigação . Segundo soube a reportagem, Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo e presidente da Comissão de Ética e Disciplina, participou do depoimento.
A expectativa é a de que a Comissão colha informações de mais uma ex-funcionária do segundo mandato de Andrés (2018 a 2020) e conclua o parecer para a Comissão de Ética, que será a responsável por definir uma punição, variando entre suspensão e expulsão do quadro associativo, antes da deliberação no CD. Matias Ávila, ex-diretor financeiro do Corinthians, já foi um dos ouvidos pelo órgão.
A Comissão de Justiça é composta pelos conselheiros Alexandre Marques Silveira, André Moreno, Corinto Baldoino Pereira e Costa, Fausto Di Toti Garcia e José Luis Cecílio — todos escolhidos por Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, para compor o órgão desde setembro. O grupo ainda vai analisar os gastos dos ex-presidentes Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo também, assim como pontos levantados pela auditoria interna que identificou desvio de materiais esportivos da Nike .
Andrés Sanchez, vale lembrar, é conselheiro vitalício e integrava o Conselho de Orientação (Cori) e o Conselho Deliberativo. No entanto, após a denúncia do MP-SP, o ex-presidente solicitou afastamento das funções .
Em meio ao avanço da investigação interna, o Ministério Público denunciou o ex-presidente Andrés Sanchez e o então superintendente financeiro Roberto Gavioli por uso indevido do cartão corporativo do Corinthians. Andrés responde por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsificação de documento fiscal; Gavioli, pelos dois primeiros crimes.
A denúncia lista mais de 200 despesas suspeitas, distribuídas em 31 faturas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, totalizando um prejuízo estimado de R$ 480.169,60. Entre os gastos citados estão compras de relógios, roupas de grife e itens de supermercado.
O MP pede que Andrés e Gavioli devolvam o valor integral aos cofres do Corinthians e ainda paguem multa por danos morais, elevando o total para cerca de R$ 1,1 milhão. A defesa do ex-presidente tenta derrubar a ação, que será analisada pela 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário.
Relembre o caso
O Ministério Público abriu, em agosto, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (no segundo mandato, de 2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves (de 2021 a 2023) em seus respectivos mandatos no Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés , que admitiu as despesas pessoais , e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio . Pouco depois, Augusto Melo (presidente de janeiro de 2024 a maio de 2025) também entrou na mira do MP-SP .
Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo , segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O Ministério Público também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.
O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação . Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians.
A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados.




