Muita calma nessa hora

Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e conselheiro do Corinthians.

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Muita calma nessa hora

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Opinião de Alexandre Tavares

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Muita calma nessa hora

''Teu passado é uma bandeira, teu presente é uma lição''

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Sim, o Corinthians perdeu. Mas e daí? Não foi a primeira vez e nem terá sido a última, assim é o futebol. A vida continua, o Corinthians não acabou e domingo já tem outra decisão.

Me assusta o comportamento de inúmeros corinthianos, sobretudo nas redes sociais. Ficar na bronca com uma derrota num jogo estressante é absolutamente normal, mas é preciso parar por aí. A gente não pode ser volúvel a ponto de achar que o time foi o máximo no domingo (e foi mesmo!) e logo na primeira derrota, entender que domingo tudo servia e que agora nada mais presta, caçar bruxas de forma generalizada, querer a cabeça do técnico e, se possível, atear fogo no clube como se não houvesse amanhã. Calma!

Nós escolhemos torcer para um clube que nasceu em 1910 e que rema contra a maré desde o nascimento; o futebol era um esporte para poucos e aquele time fundado por operários e imigrantes era um estranho no ninho num jogo praticado pela elite; depois fomos boicotados por eles, atravessamos dificuldades, quase fechamos as portas: reza a lenda que Neco forjou um assalto aos nossos troféus para livrar e proteger o clube de um confisco; depois, com muita luta, nos reerguemos, conquistamos até o nosso primeiro estádio, o da Ponte Grande; ficou pequeno, compramos o Parque São Jorge até então utilizado pelo Sírio: muitos disseram que era uma loucura, que jamais pagaríamos aquilo, que era muito longe de tudo o tal de Tatuapé (alguma semelhança com algo que se ouve hoje em dia?) - e honramos religiosamente o compromisso, com muito sacrifício e esforços o Parque foi devidamente quitado; depois tivemos o maior esquadrão que se viu no país, o lendário time dos anos 50: Gilmar e Cabeção; Idário, Olavo, Homero, Goiano, Roberto Belangero, Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone, Mário, entre outros, e ganhamos tudo até o título paulista de 1954; mas aí veio um período difícil, de 23 anos sem um título paulista - anos de sofrimento, de gozação de adversários, de decepções como a de 1974, com um ídolo como o Rivelino deixando o clube da forma triste como deixou... mas quem deixou de ser corinthiano em meio a mais de duas décadas terríveis? Será que se fosse hoje em dia, muitos não abandonariam o barco? Eu não sei, leio cada coisa por aí que fico com essa dúvida...; aí finalmente veio 1977 e a nossa redenção até chegarmos aos dias de hoje com seis títulos brasileiros, três Copas do Brasil, uma Libertadores, uma Recopa, dois títulos mundiais. Mas nada foi fácil, nunca foi fácil, muitas derrotas estiveram no caminho.

Não temos que entrar na pilha de grande parte da imprensa, temos chances reais de sairmos com um título paulista daqui a poucos dias e contrariando muita gente; o São Paulo, nosso próximo adversário, também foi eliminado esta semana, mas o destaque e foco, claro, é o Corinthians; fomos campeões brasileiros no estádio novo ainda outro dia e com aproveitamento recorde em casa! Recorde! O aproveitamento de pontos do Corinthians na Arena é absurdamente bom, portanto não tem nada de ''estádio maldito'. Espera um pouquinho, sofremos uma derrota sim, mas o time se não é o melhor do mundo também não é o pior, muito menos a quarta força do Estado. É um time em construção, que merece elogios pontuais e críticas pontuais. Não nos interessa a celeuma, o desespero, a pressão psicológica, os profetas do apocalipse, a divisão entre a própria torcida: só interessa ao São Paulo e a quem não gosta do Corinthians.

Fomos eliminados por erros nossos, mas o time tem bons valores, já provou no Morumbi que pode fazer muito mais e melhor que isso: caiu por ter feito um gol rapidamente, ter acreditado que a parada estava decidida e ter abdicado de jogar bola a partir daí; perdeu gols que não se pode perder em algumas chances que teve e perdeu nos pênaltis, fim! Que sirva de lição e aprendizado, página virada.

O Corinthians é como um filho: quando faz boas coisas, nos enche de orgulho; mas quando faz bobagem a gente fica bravo, repreende, mas não deixa de amar e nem expulsa de casa. Não podemos desistir do Corinthians. Jamais!

O futebol não dá tempo de ficar lambendo feridas, é um rolo compressor, é quarta e domingo. Se ficar olhando muito pra trás, ele te tritura. Portanto, vida que segue, domingo tem mais, e nada melhor que provar diante do São Paulo que sim, nós podemos! Afinal de contas, somos o Corinthians e isso basta. Sempre bastou!

Coluna do Alexandre Tavares

Por Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e conselheiro do Corinthians.

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