[Alexandre Tavares] Onde vai parar o Corinthians de Carille?

Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e associado patrimonial do Corinthians. Tem por hábito estudar o estatuto do clube e o universo do Parque São Jorge.

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Onde vai parar o Corinthians de Carille?

Onde vai parar o Corinthians de Carille?

Carille orienta seu time na grande vitória contra o Grêmio, em Porto Alegre

Foto: © Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

De patinho feio da mídia, passando pelo título paulista até chegar à liderança absoluta do Campeonato Brasileiro jogando um futebol, acima de tudo, eficiente. Este é Corinthians comandado por Fábio Carille.

- Já são 6 jogos inteiros sem sofrer um único gol.

- O Corinthians de Tite, campeão brasileiro de 2015, completou a décima segunda rodada com 23 pontos e na quarta colocação. O de Carille é líder com 32 pontos, 9 pontos a mais na mesma rodada. Em 2015, o Corinthians já havia tomado 8 gols nesta altura e perdido 3 jogos; agora só levou 5 gols e não perdeu nenhuma partida. Um desempenho absurdo!

- Quarta maior sequência invicta da história do clube em 107 anos: 26 jogos, empatado nesta posição justamente com o Corinthians de 2015.

- Está a 9 pontos do segundo colocado, 10 do terceiro e 13 do quarto. Só isso.

Palavras do técnico na coletiva após o jogo contra a Ponte Preta:
''O grupo está muito motivado, pouco falo sobre motivação [ao grupo]. Só de vestir essa camisa aqui, já tem que ter uma motivação... então eles entendem bem o que é isso, sabem bem o peso que é vestir essa camisa. E todos com muita responsabilidade, os mais experientes ajudando os mais jovens''.

Isso denota uma responsabilidade compartilhada, sem paternalismo ou linha dura; demonstra para o time e para a coletividade que é um líder e não um chefe; que é um treinador que cobra, mas também ensina; que delega tarefas, sobretudo aos mais experientes para orientação aos mais jovens, sob sua supervisão e acompanhamento; alguém que não trata jogador como criança, os trata como profissionais, a todos igualmente e os esclarece olhando nos olhos; alguém que dá uma ordem de forma fundamentada e didática e o jogador compreende rapidamente e realiza com afinco. Carille demonstra ser além de um excelente estrategista tático, um bom gestor de pessoas.

É nítido: os jogadores do Corinthians estão felizes e correm pelo seu líder. O discurso do Carille os convence, eles acreditam na mensagem e executam as orientações à risca e com muita aplicação.

O comandante disse ainda, que cobra cada vez mais dos jogadores e que já no próximo treino mostraria a eles tudo o que poderia ter sido melhor (???) no jogo contra a Ponte Preta; que a estratégia é a mesma desde o início e não mudará: pensar um jogo por vez e que não há diferenciação de importância se o adversário é o Palmeiras ou a Ponte Preta, já que valem os mesmos 3 pontos.

Vale também ressaltar, a confiança que o técnico deposita no seu grupo e, claro, jogador sente isso. Por exemplo? Quem ainda depositava alguma esperança no Marquinhos Gabriel? Hoje é um reserva muito útil e que quando precisou jogar durante a ausência do Rodriguinho, correspondeu; e o que dizer do Paulo Roberto, que chegou desacreditado do Sport, praticamente anônimo, e hoje substitui o Gabriel à altura quando é preciso e até quebra alguns galhos na lateral-direita? E o trabalho que vem sendo feito com o promissor e talentoso Pedrinho? O garoto vem sendo colocado aos poucos e resolveu o jogo dificílimo contra o Botafogo com três toques de genialidade na bola.

Isso tudo sem falar na recuperação do Cássio, do futebol que está jogando o Jô (que quase ninguém acreditava quando retornou), no respaldo para que os meninos Maycon e Guilherme Arana entrassem no time e fizessem o belíssimo trabalho que estão conseguindo realizar e assim por diante.

Contra a Ponte Preta, o Corinthians jogou com três de seus principais jogadores pendurados com dois cartões amarelos: Jô, Gabriel e Rodriguinho. Ninguém foi poupado, ninguém tirou o pé e ninguém levou cartão. E por qual razão? O elenco confia no técnico, o técnico confia no grupo e, se necessário fosse, iria pro clássico com Paulo Roberto, Marquinhos Gabriel ou qualquer outro.

A mediana de aproveitamento de um campeão brasileiro na era dos pontos corridos é de 66,7%. O Corinthians tem até aqui espantosos 88,9%: ou seja, um time equilibrado e consistente que tem ainda, em tese, 22% de folga.

74 pontos é o número estimado necessário para que um time seja campeão brasileiro. Estamos falando que este Corinthians precisa de 14 vitórias em 26 jogos faltantes.

O desfecho é imprevisível, mas parece muito possível. Pelo que o time vem jogando, pela seriedade do trabalho e pelo comprometimento dos envolvidos. A conferir.

Veja mais em: Fábio Carille.

Coluna do Alexandre Tavares

Por Alexandre Tavares

Bacharel em Direito por formação, jornalista por paixão e associado patrimonial do Corinthians. Tem por hábito estudar o estatuto do clube e o universo do Parque São Jorge.

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