O limite e o limitar-se da vida. E um pouco de Mauro Cezar

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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O limite e o limitar-se da vida. E um pouco de Mauro Cezar

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Opinião de Lucas Faraldo

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O limite e o limitar-se da vida. E um pouco de Mauro Cezar

Presidentes de Corinthians e Santos, Andrés Sanchez e José Carlos Peres, almoçando juntos

Foto: Ivan Storti/Santos FC

O Corinthians consegue resultados satisfatórios. Ganha os jogos que tem de ganhar. Empata os que não pode perder. E assim se sustenta no pelotão de cima da classificação do Campeonato Brasileiro. Uma tabela relativamente esquisita (e generosa após pedreira justamente na primeira fase) também ajuda a manter o Timão na briga pela Sul-Americana.

Mas até onde esse Corinthians pode chegar? Corinthians de elenco bastante elogiado pelo próprio técnico Fábio Carille desde o início da temporada (e cada vez mais reforçado). Eu não sei. Você não sabe. Talvez nem o treinador saiba. Não nos deixam saber o limite do Timão.

O Corinthians se limita.

Quando Mauro Cezar Pereira (leitor do Meu Timão, para quem não sabe) compra briga com Deus e o mundo batendo nos técnicos do futebol brasileiro, há razão por trás. É verdade que há excessos que rendem situações como uma nota de repúdio dos próprios treinadores. Mas é óbvio que há sim algo razoável nas críticas do comentarista da ESPN e blogueiro do UOL à mentalidade muitas vezes simplória e pragmática de quem comanda por aqui.

É deprimente estarem jogando Manchester United e Chelsea na abertura da Premier League ao mesmo momento em que Corinthians e Internacional empatam em 0 a 0 no Beira-Rio. Um jogo que acabou 4 a 0 para os Red Devils. E do qual certamente muitos torcedores blues saíram menos irritados do que alguns corinthianos que acompanharam o duelo do Brasileiro.

Carille sendo repreendido pelo juiz durante jogo contra o Internacional

Carille sendo repreendido pelo juiz durante jogo contra o Internacional

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Os times de ponta do mundo não jogam para empatar. Jogam para ganhar. E muitas vezes perdem em decorrência disso. Mas em muitas outras vencem jogos que poderiam se limitar a empatar. É o caso do Chelsea contra o United. Ou do Santos contra São Paulo e Palmeiras, em clássicos nos quais foi derrotado (3 a 2 no Morumbi e 4 a 0 no Pacaembu).

Aliás, o Santos, líder do Campeonato Brasileiro, é ótimo exemplo. Se o Corinthians seguisse à risca seu planejamento de fazer três pontos em casa e um fora, seria hoje terceiro (e não sexto) colocado no Brasileirão. Legal! Seguiria atrás do tal do Santos de Sampaoli.

Ora, mas o que o Santos faz de diferente para se sobressair a essa matemática "mágica" dos quatro pontos conquistados em seis disputados? O Santos disputa todos os seis pontos. O Corinthians disputa quatro dos seis (e ainda está em déficit).

Tapas na cara não faltam. Seja na semifinal do Paulista, seja no primeiro turno deste Brasileirão: foram duas lavadas do Santos de Sampaoli contra o Corinthians de Carille. Ah, no fim o Corinthians foi campeã paulista, e ninguém ainda sabe quem vencerá o Brasileiro. Sim, sim. É verdade. Assim como é verdade que o Corinthians levou duas lavadas.

A grandeza de um clube passa diretamente pelo pensamento grande de quem lidera. E pensar grande não é só pensar em título. Pensar grande é pensar grande "jogo a jogo", como amam falar em entrevista coletiva os mais diversos entrevistados do nosso futebol brasileiro.

Para mim, mil vezes perder no Beira-Rio se esforçando para vencer do que empatar se esforçando para empatar. Para mim e para a matemática: no primeiro cenário, em dois jogos, o Corinthians provavelmente ganharia um, e o Internacional venceria outro, com três pontos pra cada; no segundo cenário, seriam dois empates e dois pontos pra cada. Simples assim.

Respeito quem pensa o contrário. Até porque é bem provável que o Corinthians seja campeão da Copa Sul-Americana e aí quase ninguém se importe com um meio de tabela no Brasileiro. E aí o planejamento terá sido bem executado para a temporada. Planejamento...

Fazemos muitos planos e vivemos pouco. A vida está nos momentos que guardamos para sempre na memória. Sejam eles bons ou ruins. E certamente o centenário Sr. Corinthians, prestes a completar sua 11ª década de vida, não lembrará bulhufas (se é que ainda lembra algo) do que se passou nos 90 minutos do último sábado no Beira-Rio.

Por mais lembranças. Por mais vida. Por menos limitação. E por um pouco de Mauro Cezar também (rs).

Veja mais em: Corinthians x Santos, Fábio Carille, Andrés Sanchez, Elenco do Corinthians e Campeonato Brasileiro.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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