Boselli é um golfinho no Corinthians

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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Boselli é um golfinho no Corinthians

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Opinião de Lucas Faraldo

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Boselli é um golfinho no Corinthians

Boselli chegou ao Corinthians no início do ano e tem contrato até o fim de 2020

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Acho louco como Mauro Boselli desperta opiniões das mais extremas entre torcedores e até jornalistas que cobrem o Corinthians. Recentemente me peguei conversando com um amigo que não vê nada demais na ausência do argentino na escalação de Fábio Carille. Eu, por exemplo, já sou da opinião que se aproxima do outro extremo: como não tem nada demais?!

Quem acompanha o Corinthians, que seja de não muito perto, consegue perceber que Boselli é acima da média não só em termos técnicos. Vivido no mundo da bola como poucos, o veterano de 34 anos de idade tem inteligência, em relação a futebol mesmo, acima da média. Isso em comparação ao que entendemos como média dos próprios jogadores do futebol brasileiro, técnicos, jornalistas esportivos...

Se Boselli não rendeu muito até aqui nesta primeira temporada de Corinthians, acredito ser muito em função do esquema de jogo extremamente limitado e previsível que Fábio Carille insiste em tentar emplacar. Alguns colegas de time pouco criativos e de qualidade de passe questionável também não ajudam.

Fazendo um paralelo com o mundo animal, é como se Boselli fosse um golfinho. O mamífero aquático é cientificamente considerado um dos animais mais inteligentes do planeta, tendo como principais características a capacidade de inovar e de passar essa inovação à diante para demais gerações de golfinhos.

Sobre inovação, não precisa ser lá muito criativo pra produzir mais do que o Corinthians de 2019. Mas Boselli não somente dá sinais de que poderia ajudar como peça inovadora. Assim como os golfinhos, ele tentou passar essa ideia adiante - na tal entrevista coletiva que deu no início do mês. O que ganhou? Voltou à reserva depois de enfrentar Athletico-PR e São Paulo e ainda teve a fala sutilmente criticada em entrevista concedida hoje por Júnior Urso.

"Não vou concordar 100% com o Boselli que as bolas não chegam. De repente o Boselli queira receber a bola de um jeito e a bola chega de outro. Os outros estão tentando. É diferente característica do Boselli e de Love e Gustavo, que são mais brigadores pela bola", disse Júnior Urso no CT Joaquim Grava.

Qual o tipo de bola que Boselli quer receber? Redonda? E tá errado?! Quando a bola chega "quadrada", Vagner Love e Gustavo também apanham. Não à toa, Love mais sai pra buscá-la do que espera recebê-la; e Gustavo tem como principal característica a jogada aérea.

A impressão que tenho é que se fosse realmente um golfinho, sem pernas mesmo, Boselli ainda assim seria mais útil a esse Corinthians do que muitos. Sem ele (como parece ser a escalação ideal para Carille), o técnico e seus fieis escudeiros do elenco tendem a nadar, nadar, nadar... E morrer na praia.

Inteligente como é, só não acho que o golfinho em questão morrerá junto. E olha que pra escapar dessa nem precisa de muita inovação. Basta nadar pra longe.

Veja mais em: Mauro Boselli e Fábio Carille.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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