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Vivo um sentimento inédito com o Corinthians
Pedro Mairton

Cearense fascinado por análise de desempenho e vivendo o sonho de trabalhar no Meu Timão desde abril de 2023.

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Vivo um sentimento inédito com o Corinthians

Coluna do Pedro Mairton dos Santos Silva

Opinião de Pedro Mairton

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Vivo um sentimento inédito com o Corinthians

A cada dia que passa é mais desanimador torcer para o Corinthians

Foto: Bruno Teixeira / Agência Corinthians

Este texto é um desabafo. Em quase 24 anos como corinthiano, pela primeira vez não vejo uma perspectiva de futuro positiva para o clube. As notícias recentes fora das quatro linhas chegaram ao ponto de desanimar o torcedor tanto quanto os maus resultados em campo.

Sabemos que no Corinthians o assunto vai muito além do que ocorre durante os 90 minutos, mas não tem sido normal se aborrecer com a implosão política do clube da mesma forma do que em mais um jogo sem vitória no Brasileirão.

Saída polêmica de patrocinadora máster, troca de diretores, presidente contraditório, vice denunciado por supostas ameaças contra um ex-funcionário do próprio clube, atraso no pagamento de salários e na transferência de jogadores… Isso sem falar da dívida bilionária.

O empate frustrante contra o Atlético-GO foi para afundar de vez o sentimento de impotência do torcedor, que só pode assistir de mãos atadas a um jogo que o roteiro mostrou que nada parece dar certo. Todas as falhas - individuais - ocorreram com a partida controlada. Era uma vitória para anestesiar o sofrimento da torcida e também para aliviar a luta contra o rebaixamento, uma infeliz realidade mesmo após somente oito rodadas.

O único ponto positivo do jogo foi a atuação de Carlos Miguel, que nem isso o torcedor corinthiano pode comemorar tanto, já que o goleiro tem saída iminente para o futebol inglês.

Um jogador que passava confiança não só debaixo das traves, mas também para a reconstrução do elenco, reformulado após as saídas de quase todos os medalhões e mirando um futuro sem olhar para trás.

Ele foi acolhido pela Fiel para assumir o bastão deixado por Cássio, um dos maiores ídolos do Corinthians, e ainda assim vê na proposta do 17º colocado do último Campeonato Inglês um sonho maior do que a chance de gravar o nome no hall da fama do Parque São Jorge. Não dá para entender.

Também é incompreensível o fato da multa rescisória do goleiro ser de apenas quatro milhões de euros, sendo que o valor dela já foi 12 vezes maior. Fruto de uma diretoria que plantou a semente para o caos que o corinthiano vive hoje. A nova gestão sequer conseguiu reparar o erro e não correu para fazer um novo planejamento de carreira para o até então titular absoluto da posição.

Mas Carlos Miguel não será o único a mostrar que um jogador se desgasta menos do que a torcida diante de uma crise, mesmo vivendo grande fase individual. Não faz muito tempo que um camisa 10 e artilheiro foi realizar o sonho de jogar no futebol do Catar antes de um clássico decisivo a preço de banana, acordo facilitado por uma promessa do ex-presidente para prevalecer a todos, menos a vontade do clube.

O corinthiano já nem teme somente o próximo jogo, mas também o amanhã, tamanha instabilidade que o clube vive. Aos poucos, as inúmeras incertezas vão dando lugar ao medo. Está cada vez mais difícil de imaginar um cenário positivo no final da temporada.

O que dá para garantir é o apoio incondicional da torcida pelo clube, independente do desgaste emocional do corinthiano, quem verdadeiramente sofre com o Corinthians. A torcida até abraça a complexa ideia da Gaviões para quitar o estádio com o próprio dinheiro e está disposta a fazer o que for necessário para dias melhores no Parque São Jorge.

Os atletas se quiserem podem ir embora, os treinadores optam por retornar ou não, eles são profissionais além de tudo. Já os torcedores não têm o mesmo direito de escolha, nem mesmo a maioria de nós escolhemos os nossos próprios representantes, que se orgulham e se apropriam da Democracia Corinthiana, mas que não abrem mão do poder sobre o Parque São Jorge.

O corinthiano, diferente de qualquer jogador, técnico ou dirigente, é o único quem verdadeiramente vai amar o Corinthians até mesmo depois dos últimos segundos de vida, como já dizia o Doutor Osmar:

Não sou corinthiano de coração, porque um dia ele para. Sou corinthiano de alma, porque ela é eterna.

Veja mais em: Torcida do Corinthians, Corinthians x Atlético-GO, Campeonato Brasileiro, Diretoria do Corinthians, Parque São Jorge e Presidentes do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Coluna do Pedro Mairton dos Santos Silva

Por Pedro Mairton dos Santos Silva

Cearense fascinado por análise de desempenho e vivendo o sonho de trabalhar no Meu Timão desde abril de 2023.

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