Por que Coringão?

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Celso Dario Unzelte, jornalista e pesquisador, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, do programa Cartão Verde (TV Cultura) e professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

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Por que Coringão?

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Por que Coringão?

Coringão Chopp é uma das torcidas organizadas do Corinthians

Foto: Reprodução

O André Costa Nicioli pergunta quando e por que surgiu o apelido Coringão.

Faça como ele! Nós, aqui, vamos continuar esclarecendo as dúvidas dos internautas do site Meu Timão sobre história, estatísticas ou qualquer outro tipo de curiosidade ligada ao Corinthians, como essa.

A base para as respostas será sempre o Almanaque do Timão, trabalho que desenvolvo há mais de 20 anos sobre todos os jogos, jogadores e técnicos do nosso time desde 1910. Ele virou livro em 2000, foi reeditado em 2005 e agora existe na forma do APLICATIVO ALMANAQUE DO TIMÃO, para smartphones e tablets, que pode ser baixado (de graça!!!) via Apple Store ou Google Play. Nos dias (e noites) de jogos, esse aplicativo oficial do Corinthians continua sendo atualizado online.

O APLICATIVO ALMANAQUE DO TIMÃO também traz o GAME DO TIMÃO, uma plataforma de questões de múltipla escolha em que acertos e velocidade de resposta somarão pontos para um ranking geral de usuários cadastrados. Os mais bem ranqueados receberão prêmios periódicos (semanais, mensais, semestrais e anual), como réplicas de camisas antigas, camisas oficiais, camisetas, relógios, bijuterias, bonés e livros, além de visitas acompanhadas ao Memorial do Clube, no Parque São Jorge, e até ingressos de cortesia para jogos na Arena Corinthians.

CELSO UNZELTE

O apelido Timão todos sabem, mas Coringão, até agora, não sei bem o motivo. Já ouvi algo que seria um aumentativo pro nome Corinthians, pois “Corinthião” ou “Corinthianzão” não soariam tão bem, mas é uma dúvida. Meu pai uma vez disse que até a chegada de Garrincha, em 1966, ninguém falava Timão, era só Coringão. Mas qual a origem do nome?

André Costa Nicioli
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A intenção do apelido Coringão é, de fato, ser o aumentativo mais sonoro para a palavra Corinthians. No entanto, “Corinthião” também chegou a ser utilizado, pelo menos para batizar (e por duas vezes) um carnê de prêmios destinado à construção do estádio do clube que teria esse mesmo nome, primeiro prometido por Wadih Helu, em 1969, depois por Vicente Matheus, em 1979.

Estádio Corinthião, prometido em 1969
Crédito: Reprodução / Arquivo Celso Unzelte

Carnê Corinthião lançado em 1979
Crédito: Reprodução / Arquivo Celso Unzelte

As referências mais antigas à palavra Coringão datam ainda da década de 1960. Assim como Timão (a partir da chegada de Garrincha, em 1966), ela foi criada para levantar o astral da Fiel durante o período de 22 anos sem o título de campeão paulista. Já em 1969 o personagem Crioulo Joca, criado por Estevam Sangirardi para o programa Show de Rádio, da Jovem Pan de São Paulo, utilizava expressões como “O meu Coringão, o bão!” e “Ah, Coringão, Coringão... Você lava a alma da gente!”, que até hoje podem ser conferidas no YouTube - veja abaixo.

Coringão chegou também a ser usado na campanha à presidência do clube pelo candidato derrotado José Yunes, em 1975. Com a conquista do Campeonato Paulista de 1977, a expressão popularizou-se ainda mais. Eram comuns adesivos nos vidros dos carros com dizeres como “Coringão, alegria do povo” ou, ainda, “Coringão chegou lá!”.

Imagem da campanha de Yunes em 1975
Crédito: Reprodução / Arquivo Celso Unzelte

No Campeonato Paulista de 1987, quando o Corinthians saiu do antepenúltimo lugar no primeiro turno para um honroso vice-campeonato, a Fiel cantava: “É Coringão, é Coringão, olê, olê, olê!”. Coringão passou também a nomear torcidas organizadas, como a Coringão Chopp, fundada em 1989.


Logo da Coringão Chopp, fundada em 1989

Daquele mesmo ano (1989) é a gravação do samba-rock Garra Corinthiana, de Luís Carlos Xuxu e Branca di Neve, que começa dizendo “Vamo Coringão, vai na raça que esse jogo vale a taça”.


Quando o Corinthians ainda brigava para ganhar sua primeira Libertadores, a torcida cantava Festa na Favela: “É festa na favela, alegria do povão/Chegou o grande dia, vai pra cima Coringão”:

Há também a versão corinthiana de La Bamba - “Porque eu sou maloqueiro, sou Coringão, sou Coringão, sou Coringão...”:

Atualmente, um dos gritos mais conhecidos é “Vamos jogar com raça e com o coração, é o time do povo, é o Coringão...”

Veja mais em: Torcida do Corinthians e História do Corinthians.

Game do Timão

Coluna do Celso Dario Unzelte

Por Celso Dario Unzelte

Celso Dario Unzelte, jornalista e pesquisador, é comentarista das televisões por assinatura ESPN/ESPN Brasil, do programa Cartão Verde (TV Cultura) e professor de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero

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