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Uma história do Corinthians preto!

Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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Uma história do Corinthians preto!

Coluna do Rafael Castilho

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Uma história do Corinthians preto!

Anderson Morais, autor do texto destacado ao longo da coluna

Foto: Arquivo pessoal

Ainda que o dia da Consciência Negra tenha sido celebrado no último sábado, dia 20 de novembro, faço questão de publicar aqui na minha coluna o texto lindo e comovente do meu amigo, pesquisador do Núcleo de Estudos do Corinthians, Anderson Morais. Até porque refletir sobre o enfrentamento ao racismo não deveria ser coisa de um dia apenas, mas uma luta permanente de todos aqueles que lutam pela igualdade e fraternidade e que têm dentro do peito um coração Corinthiano.

Uma história do Corinthians preto!

“Oh, menino toca bola neguim”… “Sai da rua com essa canela russa menino... larga desse negócio menino...Sai desse campo”…”Futebol não dá camisa para ninguém”. O menino nem viu a mãe gritando para ele ir para casa. Na frente dele cada drible que ele dá, ele ouve a massa alvinegra gritar seu nome. Menino preto chuta a bola para sonhar com um futuro melhor. E cada carrinho que recebe ele lembra que adversidade faz parte e fala para si: “Acha que Zé Maria desistiu na primeira falta que recebeu? E o Wladi? A esse fez mais de 800 jogos e deve ter recebido muita botinada, muitas vezes deve ter pensando que não era fácil, mas Coringão que é Coringão não desiste”.

Assim nascem os sonhos. De luta, resiliência e amor. Esse menino, de quebrada e negro, representa o típico corinthano que acorda cedo, pega ônibus, leva marmita e sonha com um futuro melhor trabalhando.

Nesse dia 20 de novembro de 2021, celebrou-se mais um dia Nacional da Consciência Negra. É quando o movimento negro lembra para o Brasil seu compromisso com as pautas negras. E que existem muitos “meninos negros” que morrem por causa da violência policial, são parte das estáticas do encarceramento em massa e deixam de sonhar em jogar no Corinthians, porque a fome, a invisibilidade e o racismo estrutural e institucional do país tirou seu desejo de sonhar.

O Corinthians tem uma linda história com a população negra. O clube defendeu o direito de inscrever com unhas e garras, como um Gavião, os jogadores Bingo e David, no início da história do clube. Representou a população negra no uniforme preto com listras brancas. Uma forma de protesto porque a Liga Paulista, em 1915, impediu o Corinthians de atuar na liga por ter um jogador negro.

O “Timão” nasceu como apelido quando, em 1966, para sair da fila foram contratados jogadores conhecidos como esperança de um grande time. E entre eles estava o gênio da bola, o Mané Garrincha, que veio do Botafogo. Homem preto, humilde e que vem do mesmo lugar que muitos meninos negros, da periferia.

1977 foi o ano que saímos da fila (historiadores corinthianos contestam essa ideia, pois ganhamos títulos nos quase 23 anos). E quem foi o nosso salvador? Um menino preto. O pé de anjo Basílio. Esse menino fez a Fiel e a Dona Elisa, mulher preta, chorar de alegria.

O Time do Povo também foi o Time da Política. Assim nasce uma Democracia Corinthiana comandada por Casagrande, Sócrates e...Wladimir, o menino preto. Wladi é símbolo de luta e garra, assim como o Zé Maria que transcendeu os campos e foi ajudar meninos pretos, na Fundação Casa.

Tivemos outro pé de anjo, o Marcelinho Carioca. Um menino preto que veio do Rio de Janeiro para vencer em São Paulo. E venceu. Assim como aqui aportaram os meninos pretos Vampeta, Dida, Edilson e até tem os meninos pretos que vêm de fora do país como o Rincón. E ainda tem aqueles que literalmente vieram para defender o clube como:

Domingos da Guia, Gil, Betão, Elias, Célio Silva e outros meninos pretos.

Mas nenhum Timão é completo sem os meninos negros que fazem os gols e trazem a vitória como o Gil, Willian, Dentinho e o inesquecível Viola, o menino irreverente.

Nesse último domingo, houve o jogo do Timão contra o Santos, um clássico de meninos pretos que fizeram história. Do lado praiano um menino preto que virou rei e do lado do parque São Jorge, meninos pretos como Wladi, Super Zé...e hoje, temos William, Gil e uma massa alvinegra preta que vibrou com mais uma vitória. Viva o Corinthians preto. Viva a torcida preta do Timão!

Veja mais em: Ações sociais do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Rafael Castilho

Por Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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