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O Corinthians é incomparável
Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians. Ele está no Twitter como @Rafael_Castilho.

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O Corinthians é incomparável

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O Corinthians é incomparável

O Corinthians é incomparável

Foto: Wanderson Oliveira / Meu Timão

O Flamengo tem mais torcida, mas o Corinthians tem mais torcedores.

Nossa vitória foi grandiosa. Não pela importância relativa da Supercopa. Não sei se vocês já se deram conta, mas, no Corinthians, as conquistas não estão necessariamente ligadas a uma hierarquia de taças (o maior título da nossa história foi um Campeonato Paulista), outrossim no sabor, no significado, nas circunstâncias.

Também não foi o Flamengo que fez nossa conquista ser tão grande. O que brilha é o nosso contraste como instituição, como organização e como movimento, não apenas frente ao Flamengo, mas frente a qualquer outro clube do planeta.

Não é exagero, nem esforço retórico, mas nada se parece com o Corinthians. Somos diferentes de tudo e de todos. O Corinthians é incomparável. E, se eu peço licença para escrever nesse texto o nome do Flamengo, não é por escárnio. Até porque, para mim, o Flamengo não é inimigo e nem sequer rival. Raramente pronuncio o nome dos outros clubes. Apenas o faço porque historicamente os meios de comunicação e a opinião pública acabam por comparar os dois clubes e as duas torcidas, mas é evidente que são duas categorias absolutamente distintas e incomparáveis.

Até entendo a discussão em termos numéricos, muito embora isso me pareça desnecessário, a não ser para quem faz estudos de mercado. Mas a grandeza do Corinthians se dá em outras esferas de entendimento e compreensão do mundo.

O Corinthians não é grande pelo número de torcedores. Até porque somos o maior, mas se preferirem, somos também o menor clube do mundo.

O que nos faz diferentes é que somos homogêneos. O Corinthians é uma comunidade. Ao mesmo tempo que somos gigantes, não somos espalhados. As pessoas se conhecem, se entendem, possuem uma consciência coletiva. A gente se fala no olhar.

Claro que é lindo e que enche os olhos do mundo o espetáculo do Corinthians nas arquibancadas. Mas essa é só a parte visível de algo que é muito mais profundo. Nós somos fortes como organização. O corinthiano se preocupa com as coisas do Corinthians. O corinthiano vive o Corinthians a cada segundo, em cada momento, em cada situação. O Corinthians é parte viva da história. Quem não é corinthiano, dificilmente entende. Mas o dia do jogo é “apenas” a consagração. Porque, para nós, o jogo é o dia todo e toda hora. O jogo não termina com o apito do juiz. E também não começa com ele. A gente joga o jogo como a gente vive a vida. E a gente joga a vida como vive o jogo.

O Corinthians supera crises terríveis que fariam destruir qualquer outra organização. Mas isso só é possível porque a torcida abraça, acolhe e compreende que não existe uma separação entre clube e torcida. Somos a torcida que tem o time. Sim, tivemos, ao longo da história, mandatários que nos fizeram muito mal, mas, em nenhum momento, a torcida deixou o clube escorrer por entre seus dedos. O nosso amor é revolucionário. Faz mover a atmosfera. É verdadeiramente o amor que transforma.

E foi lindo demais. As pessoas foram em caravanas, de carro, de avião, de bugue, de busāo de linha, de tudo quanto é jeito. Tentaram esconder nossa torcida na imagem da televisão, mas a nossa paixão transbordou e ficou até feio para a outra torcida. A nossa torcida gritava com a alma. O grito saía do fundo do peito. Nossas organizadas deram um show. Papel picado, bandeiras, tudo colorido em preto e branco. Não paramos um segundo sequer. Ficou nítido que o Corinthians é diferente porque o torcedor ama mais o seu time. Para nós, o Corinthians é a nossa vida. É a nossa alma. Nada é mais lindo e apaixonante do que o Corinthians. A gente não poderia viver sem o Corinthians. O Corinthians, para nós, é tudo. A gente agradece a Deus por ter nascido corinthiano. As pessoas dizem que a gente faz de tudo pelo Corinthians. O tudo seria pouco. Até porque não fazemos pelo Corinthians, estamos fazendo pelo povo, pela história, por nós mesmos. Porque nós somos o Corinthians e o Corinthians também é a continuação de nós mesmos.

Esse é um ano muito importante. Celebra-se 50 anos da Invasão Corinthiana no Maracanã. Mas é o momento também de celebrar todas as nossas invasões. A invasão está no nosso DNA. A gente gosta de cruzar o Brasil e o mundo simplesmente para dizer a esse mundo que não existe distância possível entre o Corinthians e o nosso amor, sejam essas distâncias geográficas ou de desafios. A própria existência do Corinthians é uma invasão. Nascemos para invadir os espaços que antes eram bloqueados ao nosso povo. É isso que nós somos!

E que continuemos assim. Felizes e irmanados num eterno porópopó. Esse porópopó faz com que as crianças decidam ser corinthianas, mas também faz com que os corinthianos de todas as idades também voltem a ser crianças.

E que o Corinthians sempre mantenha essa infância viva dentro de nós. Que mantenha a nossa pureza e nos faça sorrir e brincar.

Porque é muito bom ser CORINTHIANO!

Vai Corinthians!

Veja mais em: Torcida do Corinthians, Títulos do Corinthians, Supercopa do Brasil e Corinthians x Flamengo.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians. Ele está no Twitter como @Rafael_Castilho.

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