O sinalizador é só um símbolo. Mas os símbolos têm poder!

Rafael Castilho

Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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O sinalizador é só um símbolo. Mas os símbolos têm poder!

Sinalizador na torcida do Corinthians em jogo disputado na Arena

Foto: Reprodução Instagram / Bruno Teixeira Rolo

Entra em campo o Corinthians. A Fiel de pé recebe o time que aponta no gramado. As bandeiras tremulam na arquibancada. Um mar de bandeiras. No rosto do povo se vê o orgulho de quem levanta com a força dos braços a bandeira do timão. O barulho é ensurdecedor. Misturam-se na atmosfera o grito da torcida, os tambores rufando, os fogos de artifício. Eram muitos fogos! Explodiam em cima de nós. A gente gritava: Corinthians! Corinthians!

Gritávamos todos usando todo ar que dispúnhamos nos nossos pulmões. Toda força que emanava da garganta. Mesmo assim não conseguíamos ouvir as nossas vozes porque o barulho era muito alto. Eu era um menino. Mas se essa festa fosse hoje eu continuaria sendo menino. Desde a arquibancada não se via mais o campo. Apenas as bandeiras a nossa frente e muita fumaça. Na falta de outro material, eu trazia comigo um rolo de papel higiênico. Olhei para meu pai. Atirei com força o rolo para o alto segurando o papel. Vi o rolo descendo pela arquibancada. Era apenas mais um risco naquele mar de papeis e panos alvinegros.

Olhava para os lados. Via o povão. Gente verdadeiramente simples. Gente desdentada. Com cara de pobre. Quem não era pobre ficava junto e se abraçava. Ali era uma favela só. Um senhor que eu não conhecia, do nada me segurou pelos braços e me levantou. “Corinthians! Corinthians! Corinthians” gritava com os olhos arregalados em minha direção. Era muito especial participar de tudo aquilo.

Acidentes poderiam acontecer? Não sei. Segurava a mão do meu pai. Certamente nada me aconteceria. Correr aquele risco do imponderável em meio à multidão me fazia um soldado. Sentia-me já um homem. Estava feliz naquela atmosfera. Eu era cúmplice de toda aquela gente que nunca havia visto na vida. Naquele momento eu tinha certeza que fazia parte de um povo. Que não estava só. Havia um sentido de coletividade que eu não conseguia entender direito àquela altura da vida, mas se construiria e se edificaria dia após dia na minha vida. Eu era Corinthiano! Mais um Corinthiano no meio daquela massa.

Meu sovaco suava. Sentia o cheiro da minha camiseta na altura das axilas e sentia um cheiro forte de suor que saía de mim. Olhava de novo para o meu pai e ele sorria. Sentia-me livre. Eu podia gritar o palavrão que quisesse. E assim eu fazia. Não deixava por menos. Porra, caralho, torcida de cuzão. Quem manda nessa porra é a torcida do timão! Por-cú Vai tomar no cú! Segunda-feira é terça-feira, filho da puta é quem torce pro Palmeiras! Ouvia o xingamento de resposta, vindo do outro lado da arquibancada. Era legal. Era o sentimento de liberdade. Era a diversão que meu pai podia pagar. Porém, mesmo que ele pudesse pagar outra coisa mais sofisticada, eu não queria. Bastava me levar ao jogo do Corinthians.

Havia chegado às 13h. Esperava três horas olhando para o gramado. O melhor momento era a festa da torcida quando o Corinthians subia para o campo. Dali a pouco estourava o último rojão, sempre o mais grave de todos: BUM! Subia a fumaça para o céu. Todos gritavam Vai Corinthians! O jogo iria começar. Passada aquela bagunça toda ninguém havia morrido. Ninguém havia se machucado. Era só uma festa. Havia um sentido muito especial. Não era a festa que haviam feito para nós. Era a festa que a Fiel tinha feito para o Corinthians. Tratava-se de ser ativo e participativo. De interferir na história. De ter protagonismo. De existir. Tal qual aquele último morteiro da bateria de fogos: BUM!

Eu acordo em 2017 e vejo a arquibancada vazia. A festa acabou. Estamos na ilegalidade. Fomos proibidos de ser quem somos. De ter cultura própria. De fazer aquilo que se gosta e que faz sentido na nossa vida. De existir. Devemos nos adequar aos novos tempos. Precisamos ser recivilizados pelo neoliberalismo. Estar adaptados às leis de mercado, já que o futebol é mercado. As leis do mercado, exteriores ao que é humano e sua natureza, funcionam como a lei de um império distante, que esmaga quem somos e nos obriga a seguir leis estranhas que não nos fazem sentido.

É evidente que o tal sinalizador não é um problema. Mas se tornou um símbolo. E os símbolos têm poder.

Acender um sinalizador não é um gesto em si mesmo. Quem acende quer dizer algo. É um grito de liberdade. De autodefesa. De rebeldia. O gesto legítimo de desobediência que brota quando não acreditamos em uma lei estúpida. Quando a lei imperdoavelmente entra em atrito com os costumes e a cultura. Quando uma lei vai de encontro com outras leis fundamentais que nos garantem a liberdade e a livre expressão.

Porque a livre expressão não pode por em risco blá blá blá. Da mesma forma de que para quem acende o sinalizador é apenas um símbolo, para quem quer proibir também o é. O proibicionismo e a policialização do Estado se servem de diferentes medos e angústias que estão na sociedade para controlar, eliminar convergências, encontros, rebeldias, insubordinações, confabulações, formulações e sentido de liberdade.

A borrachada no povo que acende sinalizador provoca aplausos dos espíritos servis. As multas aplicadas pela justiça desportiva deixa nítido que ela está a serviço de outros interesses grandiosos, pois nos divide. Joga-nos uns contra os outros. Cria desentendimentos. Deixamos de refletir sobre o mérito das coisas. Se a luta é justa ou se a justiça é repressiva. Passamos a culpar uns aos outros pela multa que o clube levou ou pela interdição de parte do estádio. Nos dividimos e perdemos a capacidade de questionar o absurdo que está ocorrendo.

Logo, a polícia recebe elogios da cobertura jornalística da imprensa velha por descer a porrada nos marginais que tomaram conta do futebol e tiraram as famílias de bem dos estádios. Sim, a tradicional família branca. Aquela que detém o poder. Que é dona de tudo e de todos. Das universidades, dos aeroportos, dos bairros bons e dos camarotes. As famílias que habitavam os estádios antes deles serem ocupados pela gentalha. Tal qual quando esse era o esporte da oligarquia. Quando filho de mãe solteira não podia entrar. Quando preto tinha que passar pó de arroz na cara pra poder jogar. Essa é a nostalgia dessa gente.

Amigo corinthiano, basta olhar um pouquinho para nossa história. O Corinthians nasceu justamente para derrotar esses preconceitos. Para se intrometer e estragar a festa da oligarquia paulistana. Somos necessariamente incômodos. Depois do primeiro título da nossa história em 1914, a liga aristocrática se dissolveu e formou outra liga sem o Corinthians, quase provocando o encerramento das nossas atividades. Por pouco não desaparecemos, depois de incomodar a tradicional família paulista. Não só resistimos como voltamos mais fortes e nos fizemos Corinthians justamente com a força do operariado e de quem não tinha lugar na sociedade.

Por favor, perdoem minha sinceridade. Respeito as diferentes formas de pensar. Mas não existe contrassenso maior do que corinthiano coxinha. Corinthiano aplaudindo a polícia batendo em corinthiano. Dá vontade de chorar, na verdade. Claro que o aplauso dura pouco. Logo em seguida existe a pausa para mais uma self, fazendo biquinho com a torcida organizada ao fundo, como paisagem.

O problema não é o sinalizador. Ele é só um bastião. O que está em jogo é justamente esse sentido de liberdade que descrevi no primeiro parágrafo. O protagonismo. É a gente existir como povo.

O que está em jogo é nos transformar em espectadores enquanto insistimos em ser agentes. É transformar em espetáculo o que é um acontecimento histórico. E destruir os instrumentos de solidariedade que nos une. Que sejamos apenas seres individuais e individualistas sem nenhum sentido de coletividade e pertencimento. É o direito de protestar, gritar, xingar, nos expressar em faixas, camisetas ou berros. Nossas vozes precisam ser caladas. Temos preservado o direito de aplaudir. Isso sim. Seja no Estádio, seja no Estado. Aplaudir é o que nos cabe. As vozes que podem permanecer são tão somente aquelas que são mediadas pelas elites. Que escolhem por nós o que cantar, o que dançar, o que vestir, o que comer e que horas devemos dormir.

O Corinthians deveria ser sabedor de seu tamanho. Ao invés de ficar pagando multas que irrigam os cofres da CBF, deveria assumir sua responsabilidade histórica e não apenas ser reativo. Não existe problema da torcida. Primeiro porque a torcida não é um problema, como alguns querem acreditar. Segundo porque não existe torcida e Corinthians como coisa separada. Corinthians e torcida são a mesma coisa. Somos Corinthians, no plural. Somos os Corinthians.

Se isso serve na hora de negociar as cotas de tevê, deve ser também no momento em que é necessário que a instituição represente seu povo frente aos órgãos competentes. Até porque o clube é o maior lesado pelo proibicionismo que toma conta desse estado. O Corinthians tem frustrada grande quantidade de receitas que poderiam ajudar a pagar a Arena porque não pode realizar eventos no entorno do estádio. Aquela tal Fan Fest. Não pode porque onde há povo, onde há aglomeração, onde há encontro e convergências, há também intervenção policial. É assim que funciona esse estado. E o Corinthians aceita passivamente. Não assume o seu papel e desconhece o tamanho que tem. Não é favor nenhum ter o Metrô meia hora a mais depois do jogo. Quem está ali no estádio é o povo brasileiro. É quem sustenta esse estado e merece respeito.

A luz que se levanta não é a de um material descartável inofensivo comprado em qualquer loja de festa. A luz que ilumina a Fiel Torcida Corinthiana é a chama da liberdade. Esse mesmo artefato, quando aceso em outras torcidas do Brasil e do mundo, não causa incômodo algum. O que se quer apagar, na verdade, é a força e o espírito rebelde da torcida do Corinthians. Querem nos calar.

Podem apagar os sinalizadores, aplicar multas, interditar espaços. Nunca poderão apagar aquilo que está no nosso coração e na nossa mente. O que ilumina nossa arquibancada são as ideias da nossa gente. É o amor que a gente tem no coração. Jamais vão poder apagar aquilo que guardamos na memória. Aquilo que vivemos com o Corinthians. A nossa história. A nossa cultura. O que faz sentido para cada um de nós. Essa é nossa vida. O Corinthians é o que nós somos. O que está na cabeça da nossa gente, para sempre estará aceso! Essa chama jamais se apagará!

Veja mais em: Torcida do Corinthians.

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Rafael Castilho é sociólogo, especializado em Política e Relações Internacionais e coordenador do NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians

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    por @juligorsccp

    Eu, cresci ouvindo dos amigos de escola.

    -Nossa, fui no jogo do Corinthians, a torcida é incrível, é impressionante.

    Ou vendo na TV.

    - Realmente, só quem vai na torcida do Corinthians, pra entender o quê é.

    Jogadores.

    - A torcida do Corinthians, é diferente.

    Do meu primeiro jogo, eu só lembro do pênalti perdido pelo Edu, na Libertadores de 2000, e da torcida que não parava de cantar, e eu perguntando para minha mãe, o porquê que aqueles loucos não param de cantar, pular, ascender aqueles piscas, será que é por que a gente foi, ou é sempre assim.

    Mas isso tudo, está acabando, graças a pessoas mal intencionadas, e a nós mesmos, por permitir que isso acabe, sempre foi dito, que lugar de torcedor é na arquibancada, então é lá que vamos lutar por nossos direitos, pagamos ingresso, temos nossos direitos.

    Logo não fará diferença para nossos Guerreiros em campo, se tiver 5 ou 50 mil na arquibancada, se todos estiverem quietos assistindo.

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    Lucas 20 comentários

    por @lucas.matheus.faria

    Melhor texto que li nesse site.

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    220º. por @matheus.santos101

    Saudades do futebol raíz...

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    219º. por @thais.cordeiro

    Texto sensacional! Cada vírgula remete a realidade de alguns hoje em dia, querem tirar nosso direito de ser Corinthians, de ser maloqueiro. Querem tirar tudo, proibir tudo, é a geração do ''não pode''.

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    218º. por @felipedalbem

    Que texto espetacular! Não a palavras pra descrever, arrepia a cada parágrafo!
    Nós queremos o futebol do povo, o futebol com festa, o futebol Corinthians de ser!

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    Claudio 1020 comentários

    217º. por @claudiop9

    Tempos difíceis para a nação Corinthiana. Para aquele torcedor que juntava uma grana dormia na fila do Pacaembu ou PSJ para ver o Timão jogar, para o torcedor humilde que não tem condições de ter um fiel torcedor, mas que antes acompanhava o Timão na velha maloca " Pacaembu", o torcedor desdentado que toma cachaça porque não tem grana pra tomar uma breja, esse mesmo que com orgulho compra uma camisa pirata do Corinthians e dar para seu filho, hoje não pode mais acompanhar seu clube querido, o ingresso caro, a cara de nojo de uns que não aceitam camisas piratas.
    a luta vai ser difícil mas já estar travada em breve o que é do povo vai voltar para o povo o Corinthians historicamente é anarquista, foi formado pelo proletariado e para ele vai voltar, muitos ainda serão agredidos pelo PM, muita coisa vai acontecer, mas uma coisa é certa.

    NOSSOS SOMOS E SEMPRE SEREMOS A RESISTÊNCIA.

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    Tiago 697 comentários

    216º. por @tiago.frozza

    Sinalizador são show.
    O Governo não sabe como combater a violência. Ele geram punições ridículas para vender a falsa diminuição da violência.
    Teria que fazer um bandeirão com o desenho ou foto de um monte de sinalizadores acesos.

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    Marcelo 176 comentários

    215º. por @marceloscheloto

    #[email protected]%...que texto foda! A cada dia que passa e a cada imposição ridícula das Federações e CBF o futebol se torna mais chato, uma pena eu não ter vívido essa grande festa, onde a torcida podia manisfestar seus sentimentos, tomara que um dia isso possa voltar e eu possa vivenciar esse momento junto com meus filhos.

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    Vinicius 21 comentários

    214º. por @vinicius.pauloza

    Amigo não sou especialista muito menos defensor de bandido somente falo o que tenho conhecimento pela minha vivência dentro de um campo de futebol, não desmerecendo seu corinthianismo ninguém è mais Corinthians que ninguém, mas sim pelas oportunidades que tive de vivenciar em mais vezes o Corinthians de perto e a vida de uma arquibancada, seja humilde chefe leia os comentários de pessoas que vivem isso que estão ali mais vezes que tiveram a oportunidade de vivenciar os dois lados do futebol de hoje, coisa que você com certeza não teve, ninguém aqui quer saber da sua vida da sua formação isso è problema seu, antes de qual quer diploma, temos que evoluir como ser humano como pessoa e mesmo assim não temos o direito de Julgar ninguém quanto mais generalizar alguma coisa, também sou formado em 2 faculdades e nem por isso fico arrotando isso aqui, procure se aprofundar no assunto antes de opinar Sr Engenheiro, já pensou se seu bairro for violento e você for taxado de ladrão também? Sua família?

  • Foto do perfil de Victor Augusto

    Ranking: 5990º

    Victor 173 comentários

    213º. por @victor.augusto.ventu

    Que texto foda!

    Essa questão vejo da seguinte forma.. Uma instituição falida e sem moral criou uma premissa falsa de que a festa nas arquibancadas é perigosa. A mídia que sempre foi servil a essa corja, abraçou a ideia.
    Usaram um episódio que lamentavelmente ocorreu com a torcida corintiana em 2013, como bode expiatório. A morte do menino - que Deus o tenha - Kevin Espada.

    Foi o ambiente perfeito pra essa instituição que estava na lama, voltar a impor suas regras e de presente engordar seu caixa - que terá como destino final as Bahamas -, com punições aos clubes.

    Enfim.. Tudo o que rolou é só mais um reflexo da nossa sociedade. Onde o dinheiro, a hipocrisia e a manipulação corrompem julgadores, imprensa, empresas, etc.
    Enquanto a arcaica federação continuar existindo, pouco mudará.
    A mudança deve começar de cima!

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    Vinicius 21 comentários

    212º. por @vinicius.pauloza

    O pessoal tá levando o texto oara um lado politico è um direito do escritor se posicionar, realmente usou de um termo polêmico (coxinha), porém apesar dassa infelicidade o texto è rico em informações do que era e do que fizeram com o esporte mais popular do Brasil, acredito que as pessoas que criticam as organizadas com o argumento que estão prejudicando Corinthians possuem razão como também a briga das organizadas è muito justa, vocês que criticam ajudem de alguma outra forma a pressionar esse sistema atual, para que o futebol tenha espaço pra todo mundo, pra festa pra bandeira para o batuque e para o cara que quer ver o jogo sentado comendo bobs e tomando ceva quente sem alcool em Itaquera, porém nenhum pode tirar o direito do outro.

  • Foto do perfil de Vinicius

    Vinicius 21 comentários

    211º. por @vinicius.pauloza

    Ou seja vai falar sobre calculo de engenharia amigo blog de imigrante nos USA porque de arquibancada futebol e Corinthians você não entende #[email protected]% nenhuma e ainda quer ficar aqui soltando merda e comentários preconceituosos sem o mínimo conhecimento de causa, fico vendo seus comentários e penso que você è um cara de pau que se intromete aonde não sabe.