Volta à pauta a ideia de transformar o Corinthians em empresa

Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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Volta à pauta a ideia de transformar o Corinthians em empresa

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Volta à pauta a ideia de transformar o Corinthians em empresa

Ações da Corinthians S.A., além de tudo, estariam sujeitas à volatilidade do mercado

Foto: Wikimedia

A transformação do Corinthians em uma empresa envolve muito mais do que parece à primeira vista. Uma empresa é, por definição, uma entidade organizada com um objetivo específico: extrair lucro da venda de produtos ou da prestação de serviços. Uma companhia de futebol manteria um time sempre com esse propósito: o de render dividendos para os seus acionistas.

Você sente que seria possível o Corinthians prestar a você um serviço, como prestam um hotel, um escritório de advogados ou a Netflix?

Aqui na coluna, já falei desse tema espinhoso. Como já era esperado, vieram muitos comentários críticos na época. Agora, com a notícia de que o Congresso Nacional estuda estimular uma transição desse tipo e de que o próprio Corinthians teria interesse em constituir uma sociedade anônima, é hora de reavivar esse rebate por aqui.

O principal argumento dos defensores da mudança.

A maioria dos entusiasmados com essa iniciativa associa a figura da empresa com uma ideia de competência gerencial, talvez porque comparam os gestores atuais dos clubes de futebol com os dirigentes empresariais mais conhecidos. É uma meia verdade, porém. Há gestores competentes em entidades não-lucrativas, caso de boa parte dos hospitais privados no Brasil e também de vários clubes de futebol mundo afora, como é o caso do Barcelona. Por outro lado, não faltam diretores de empresa despreparados, tanto é que não é nada incomum ouvir sobre dificuldades de uma companhia ou outra, muitas vezes por fraudes praticadas pela sua alta administração.

Ainda que essa fosse uma verdade inteira, seria o caso de avaliar em que seriam competentes os diretores de uma empresa de futebol. Afinal, como já disse e repito, o objetivo do gestor de qualquer empresa é conseguir o máximo retorno possível para os seus acionistas ou quotistas. No caso da Corinthians S.A., questões fundamentais para o torcedor, como o desempenho esportivo, as tradições do clube e até o preço do ingresso ficariam condicionadas ao objetivo primário de obter lucro para os donos das suas ações.

Paixão do torcedor e sua exploração comercial

A razão principal para que um clube como o Corinthians jamais seja convertido em uma mera empresa comercial é a de que a sua relação com o torcedor jamais poderia ser equiparada à relação entre um consumidor e uma prestadora de serviços. A diferença é elementar: em condições normais, um torcedor jamais trocaria o time por um concorrente.

Se o hotel não corresponde às suas expectativas, basta procurar outro na internet e fazer a reserva. Se o advogado não defende o seu interesse como deveria, basta revogar a procuração e encontrar um profissional mais engajado. Se o catálogo do Netflix não agrada mais ao seu gosto, recomendaria a Amazon ou o Google Filmes. O torcedor infeliz com a falta de brilho do time, esse jamais vai cogitar trocá-lo por um rival no “mercado”.

Sem concorrência, não há atividade empresarial saudável.

A paixão do torcedor, que não permite a substituição do “serviço” oferecido pelo seu time de coração, será fatalmente explorada, isso se não perder desde logo a razão de ser. Convenhamos, é um pouco ridículo torcer por uma empresa. A própria torcida do Corinthians já passou por uma situação desagradável que expôs o constrangimento que esse tipo de relação envolve.

Outros caminhos

Nada do que aqui está sendo dito significa que temos que abrir mão do profissionalismo na gestão do clube. Remunerar quem ocupa funções importantes, por exemplo, é dar fim ao véu de hipocrisia que recobre a administração da maioria dos times do Brasil. Ninguém em sã consciência achará que é possível conciliar a presidência do Corinthians com alguma outra atividade profissional. É claro que não dá. E se não dá, quem ocupa cargos no clube vive de quê? Pois é. Embora haja obstáculos de natureza fiscal, a remuneração dos administradores ajudaria a deixar a realidade financeira do clube mais transparente.

Outras medidas interessantes poderiam ser tomadas. Depois de anos de penúria, o Flamengo tem conseguido bons resultados dentro e fora do campo. Essa evolução aconteceu depois de o clube ter introduzido no seu estatuto, há alguns anos, algumas hipóteses de responsabilização pessoal dos seus dirigentes. Como consequência, não há mais notícias de atrasos de salários ou de aumento insustentável da dívida. Não dá pra negar que vivem hoje por lá uma nova realidade administrativa, e não precisaram se tornar uma empresa.

Nas próximas colunas, quero explorar aqui algumas ideias para o estatuto do Corinthians. Por ora, é torcer para que esse projeto não prospere.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians.

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Por Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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    por @olavio.jesus.filho

    O Figueirense colocou uma empresa para administrar o futebol do clube, olha o resultado. Hoje o figueirense é lanterna da série B, com salários atrasados à 3 meses e com monte de ações na justiça. Ou seja, em menos de um ano destruíram com o clube.

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    por @sergio.alexandre2

    Do jeito que está sendo levado atualmente o clube vai quebrar. Só nesse ano já são mais de 100 milhões de deficit, fora que nada é transparente, vide o estádio que não está sendo pago a seis meses.

    Como uma empresa, os acionistas vão querer o melhor para o clube para ter lucro.

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    52º. por @pc.olimpia

    Obrigado ao amigo Roberto Piccelli, obrigado por ser Corinthiano e não se esqueça dos seus amigos sofredores.

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    51º. por @alemaoocz

    Vai quebrar

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    50º. por @catania

    Já não somos ouvidos e atendidos como antigamente.
    O torcedor corintiano que já teve voz ativa hoje vê o clube se distanciar cada vez mais, se virar empresa a nossa máxima de que o Corinthians e uma torcida que tem um time, que o time e do povo não passará de mera utopia

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    49º. por @junior.peres4

    Assunto bem complicado

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    48º. por @lipao88

    Embaçado

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    47º. por @lipao88

    Complicado!

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    46º. por @giba77

    Será que vamos esperar o Timão chegar à situação da Portuguesa ou de algum clube do Rio pra que algo seja feito?

    O que concordo é que não se pode fazer tudo da noite para o dia, sem discutir tudo de forma detalhada e garantir que essa mudança seja vantajosa para o clube. Avaliar muito bem o PL também é algo extremamente necessário. Mas o que não dá pra negar que essa é uma boa solução para o clube.

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    45º. por @giba77

    Mas sempre tem um porém... Falta profissionalismo, renovação, transparência, honestidade, gestores que amem de verdade o clube e não o usem para enriquecimento particular! Chega de negociatas, de jogadores de empresários amigos, de sub-30, de patrocínios que não condizem com o nome do time, de processos por não pagamento de dívidas de marmitas, empresas de limpeza, parcelas do estádio, de penhoras de taças de títulos importantes...Chega de passar vergonha! Já vi inúmeros clubes que são associações esportivas sem fins lucrativos quebrarem por problemas de gestão amadora/corrupta (Portuguesa-SP, América-SJRP, Botafogo-RJ, Fluminense, Vasco são bons exemplos) e até mesmo clubes que não mantém times de futebol, mas que chegam no fundo do poço do mesma forma.

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    44º. por @giba77

    “A empresa vai subir os preços dos ingressos e das camisas porque quer lucrar”... E hoje em dia os ingressos, camisas oficiais e outros produtos são muito baratos! Ok... Como o clube arrecada o dinheiro que precisa pra se manter hoje? Ingressos pra jogos, formação e compra e venda de jogadores, venda e licenciamento de produtos oficiais, fiel torcedor, patrocínios na camisa e no estádio, premiações por conquista de títulos, etc. E continuará sendo assim. De novo, com gente honesta e capacitada no controle do time, com bons resultados financeiros e dentro de campo, investidores e patrocinadores serão atraídos e um novo círculo virtuoso será criado. Os principais elementos para o sucesso o time já tem. Uma marca valiosa! Um nome, uma camisa e um escudo pelos quais milhões de pessoas são movidas.

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    43º. por @giba77

    Se quiserem deixar o negócio poderão fazê-lo vendendo as ações quando bem entenderem para outros investidores e não tirando dinheiro do clube. Diferente dos casos da Hicks Muse e MSI, que foram feitos licenciamentos para que gerissem o departamento de futebol do clube. A Hicks Muse tinha 85% e o time 15% do controle (absurdo!) e a MSI tinha 51% e o time 49%. Isso não pode acontecer jamais! De novo, não confundam as coisas! Vejam o exemplo do Bayern de Munique. O controle sobre as decisões é do clube. Bons resultados financeiros e bons resultados em campo.