Naming rights e a imprensa: uma ideia para a Arena

Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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Naming rights e a imprensa: uma ideia para a Arena

Material visual instalado no estádio do Luton Town

Foto: Luton Town FC

Falou-se há alguns dias sobre a proposta de emenda do Deputado Laércio Oliveira (SD-SE) que obrigaria os veículos de comunicação a usar os nomes que os próprios clubes atribuíssem aos seus estádios. A aprovação poderia ser muito útil para nós. Por isso, temos que estar de olho. Afinal, como todos sabem, a insistência de certos setores da imprensa em apelidar a Arena Corinthians tem sido apontada como um dos principais obstáculos para a venda dos direitos do nome.

A negociação dos direitos de nome tem sido muito usada nos EUA já há muitos anos. É comum não apenas em arenas esportivas do baseball e do futebol americano como também em parques e teatros - o teatro onde se realiza a cerimônia do Oscar foi por bastante tempo chamado de Kodak e agora é conhecido como Dolby.

De lá, a prática cruzou os oceanos e hoje é comum no mundo inteiro. Na Alemanha, oito dos dez maiores estádios levam o nome de patrocinadores. Recentemente, repercutiu bastante também a iniciativa do Arsenal de batizar sua arena com um nome que já virou familiar ao corintiano, o famoso Emirates Stadium. Exemplos estão no também na Ásia, especialmente no Japão. Mesmo no Brasil esse tipo de contrato vem ganhando força, com o exemplo da Allianz Arena e dos estádios da Itaipava no Nordeste.

A relação com a imprensa, porém, é naturalmente conflituosa. Grande parte do volume de atenção que o nome for receber dependerá da sua projeção em jornais, veículos televisivos e portais da internet. Obviamente, eles acabam detendo um certo poder e fazem questão de fazer uso dele. Como se diria na arquibancada, logo crescem o olho.

Não acreditem, por isso, que existe uma conspiração anticorintiana por trás desses apelidos para a Arena Corinthians que a gente lê em certos jornais. No mais das vezes, as razões são mais repugnantes do que uma simples vontade de prejudicar o Timão. Não se esqueçam de que, para os grandes veículos de imprensa, conteúdo jornalístico é puro negócio. Muitas vezes, só estão pressionando para ter uma fatia do contrato. Com a internet, porém, é difícil dividir com todos os interessados.

É óbvio que, além de mesquinho, é um pensamento imediatista. Em última análise, o dinheiro investido no espetáculo do futebol beneficia quem vive dele - a televisão e os jornais inclusive. Taxar os direitos de nome, como parece pretender a imprensa, portanto, parece um tiro no pé, como devem ter percebido os veículos da América do Norte e da Europa. Por aqui, lamentavelmente, a postura predominante tem sido outra.

Obrigar a mídia por lei a usar o nome apropriado, como proposto na Câmara, seria uma solução evidente. Não é, porém, o único caminho. Há outras formas de pressioná-la enquanto essa ideia ainda engatinha.

Uma primeira alternativa é a cobrança pública por parte da torcida e de alguns dirigentes. Já cansamos de ouvir reclamações do Andrés contra portais que se recusam a mencionar o nome da arena. Também é comum ler relatos de corintianos que deixam de assinar o Uol ou a Folha por conta dessa postura antipática. A imagem do veículo vai sendo desgastada progressivamente. Alguns portais já sinalizaram recuar, e não é impossível que uma hora funcione.

Porém, como essa iniciativa ainda não rendeu o resultado esperado, talvez possamos pensar em uma estratégia mais sofisticada. Uma boa inspiração vem - mais uma vez - da Inglaterra. Alguém ouviu falar do caso do Luton Town FC? Pesquisem na internet: o time cedeu gratuitamente - por uma partida - os direitos de nome do seu estádio ao hospital local do câncer. Além de ajudar uma instituição que precisa de apoio, associou a imagem do clube a uma causa muito nobre. Os dois lados saíram ganhando.

Será que se o Corinthians seguisse os passos do Luton Town e cedesse provisoriamente a denominação da arena a entidade beneficente, a imprensa teria estômago para continuar escondendo o nome do estádio? Não custa nenhum centavo, mas eu até pagaria para ver.

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Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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