Cássio tem que ser reserva, mas não tem que ser linchado

Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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Cássio tem que ser reserva, mas não tem que ser linchado

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Cássio tem que ser reserva, mas não tem que ser linchado

Goleiro Cássio precisa ter o reconhecimento que merece

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Distanciamento histórico é um fator primordial pra entender a importância de certos momentos nas histórias, de uma nação, e a Nação Corinthiana não está alheia a esse axioma.

Ainda assim, não seria nenhum achismo supor que, dentro de dez anos, os corinthianos lembrarão do Cássio como um dos maiores ídolos da história do clube, não só porque alguns já o tratam assim como porque esse fator acima mencionado só tende a fortalecer ainda mais essa certeza.

A história do Cássio no Corinthians nunca será apagada. O problema é o seu presente, e não é um problema qualquer.

O goleiro está em má fase, tomando gols que normalmente não toma. O jogo contra o Flamengo não foi só um dia ruim, foi a cristalização de uma situação que já vinha sendo observada em várias outras partidas anteriores.

Há apenas quatro dias, eu disse que o Walter tem que ser titular do Corinthians, opinião que mantenho e reforço hoje. Mas, mesmo naquele momento, tomei o cuidado de não cravar, como muitos dizem, que o Cássio estaria fazendo “corpo mole pra derrubar técnico”. Disse que pode ser apenas uma má fase, e esta última rodada reforçou essa sensação.

Neste texto, pretendo tomar outro cuidado, que é o de não linchar o goleiro, não transformá-lo no vilão único do presente que o time vive, e tampouco no maior culpado pela derrota deste domingo ou pela má posição do Corinthians na tabela e sei risco de rebaixamento.

Não é a primeira vez que vemos o Cássio em má fase. Em 2016 ele também teve que ser substituído pelo Walter em uma série de jogos, depois daquelas falhas contra o Guaraní do Paraguai. Depois de um tempo no banco, ele voltou melhor que nunca: 2017 foi, na pior das hipóteses, tão brilhante quanto 2012, ou talvez até mais, já que o levou a uma merecidíssima convocação pra Copa da Rússia.

Naquele 2016, o Corinthians também terminou o ano com a corda no pescoço, situação gerada, sobretudo, pela desestabilização que o futebol do time sofreu com a saída abrupta do Tite pra Seleção.

Desta vez, os perigos são bem maiores, já que existe o risco de um segundo rebaixamento. A má fase do Cássio é um dos fatores que está levando a esta situação, sobre isso não há dúvidas. Mas não é o único problema, e embora seja imperativa uma mudança no gol, com Walter sendo o novo titular, seria ilusão achar que isso vai resolver todos os nossos problemas.

Este Corinthians defende mal e não cria boas jogadas ofensivas. Desde a saída do Rodriguinho, não temos um meia que possamos chamar de indiscutível. Os atacantes também estão falhando, mas também é verdade que a bola não está chegando, ou chega quadrada.

Tampouco seria incorreto afirmar que o futebol do Corinthians pode ser reflexo de uma crise interna muito maior. O planejamento (ou a falta dele), a transparência (ou a falta dela), as finanças (ou a falta delas)… tudo está em um caos que, inclusive, podem ter mostrado seus primeiros indícios ainda nos anos dourados desta última década, e nós não vimos porque estávamos cegos pelas glórias das que Cássio, Tite, Gil, Jô, Fagner e outros foram responsáveis.

No entanto, como inclusive o próprio parágrafo anterior nos lembra, naqueles anos dourados, o time conseguiu ficar tão alheio aos problemas internos do clube que foi capaz até de ganhar títulos e reeleger, os quais serviram pra reeleger uma diretoria que colecionava erros, mas se valia do fato de que a torcida passava pano pra eles em nome dos anos mais gloriosos da nossa história.

É muito mais difícil estar alheio a esses problemas com os caras cobrando as contas dos erros do passado na nossa porta, porém, o que se pede agora nem são títulos. Aposto que todo corinthiano adoraria que o time pudesse apenas terminar o ano sem cair pra Série B – por mais medíocre que seja essa aspiração, é a nossa realidade.

Pra terminar, claro que a decisão pela saída de um jogador histórico não é nada fácil, mesmo quando seu reserva é um baita jogador, que pode facilmente dar conta do recado. O problema é justamente esse, fazer com que essa saída não leve a um linchamento que o Cássio não merece, nem pelo passado e nem pelo presente.

O Corinthians já um grande goleiro da sua história saindo pela porta dos fundos: Ronaldo Giovanelli, vítima do ego do então recém contratado técnico Vanderlei Luxemburgo. Acho que o clube pode recuperar o Cássio de novo, e quem sabe fazê-lo voltar como naquele 2017, mas pra isso ele precisa de um tempo.

Veja mais em: Cássio e Walter.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Victor Farinelli

Victor Farinelli é um jornalista brasileiro e corinthiano residente no Chile, colabora como correspondente de meios brasileiros como Opera Mundi, Carta Capital, Revista Fórum e Carta Maior.

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