Dois que ficam, um que passa

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Dois que ficam, um que passa

Itaquera: vitória maiúscula e celebração feminina em família

Foto: WFJr.

1) Você que acompanha esta coluna deve se lembrar do texto de fevereiro, referente à vitória por 2 a 0 sobre os verdes. Apontei a festa junina adiantada no gol de Rodriguinho. O título do artigo era "dois que vão, um que passa".

2) E não é que repetimos a dose, ainda em maio, variando a coreografia! Anarriê, alavantu e balancê! Desta vez, o lépido Pedrinho largou dois palestrinos pelo caminho ao iniciar a jogada que culminou em mais um tento de Rodriguinho.

3) Repito: está nos olhos assustados do rival, em consonância com o próprio hino: sabe bem o que vem pela frente, que a dureza do prélio não tarda. Piscou, dança!

4) Agora, são seis vitórias mosqueteiras nos últimos sete derbys. Neste período, faturamos dois Paulistas e um Brasileirão.

5) O confronto geral registra agora um empate na retrospectiva, com 126 vitórias para cada lado. No Brasileirão, saltamos à frente: 17 a 16. No Paulistão, nossa vantagem é de 77 a 70.

6) Evidentemente, o rival vai contestar esses números, porque é de sua cultura centenária reclamar e choramingar. Tentarão agregar à conta encontros do finado torneio início, apresentações lúdicas que nem mesmo seguiam os padrões de um jogo oficial. Normal para um clube que tenta convencer a própria torcida de que houve um campeonato mundial de futebol em 1951.

7) Do jogo deste domingo? Para mim, a melhor partida do Corinthians no ano. Teve gana no pé de ferro, compactação no meio-campo e marcação dobrada nas laterais. A esquadra de Carille soube até mesmo pressionar a saída de bola do adversário, o que ocorreu, sobretudo, nos 30 primeiros minutos da segunda etapa.

8) Destaque para Pedrinho, que rende mais quando parte em diagonal para o meio. Prendê-lo à margem do campo, como um velho ponta-direita, constitui desperdício de talento. Turbinado, Jadson correu como nunca nesta tarde itaquerense. E Mantuan ganhou confiança. Mais uma bela partida do garoto. Seguro na marcação, preciso no passe.

9) Há quem diga que a garra de Romero compensa sua limitação técnica. Não concordo. Romero é, sim, dono de virtudes e habilidades. Tem drible, velocidade, bom passe e sabe concluir para gol. Neste domingo, repetiu Edílson e levou a Fiel à loucura com suas "embaixadinhas" de cabeça. Já tem seu nome gravado em letras maiúsculas na história do Timão.

10) Comovente a homenagem que a equipe prestou à Democracia Corinthiana, movimento que encantou a torcida com a bola no pé e que muito contribuiu para a redemocratização do Brasil. Emocionante ver Maycon, o menino dedicado que acompanhamos desde a base, envergando o mato sagrado com o nome do nosso mestre Doutor Sócrates. Que prossigamos assim: conscientes, solidários, disciplinados e vencedores!

11) Por fim, dedico esta coluna a minha mãe, Dona Bida, que assistiu ao Derby da arquibancada do paraíso. Operária, mãe, cidadã, corinthiana, ela rezava durante os jogos, mas nunca para que seus santos interviessem por uma vitória. "Eu faço a oração para ninguém se machucar, pois são pais de família", ensinava.

12) E dedico também a todas as mães deste nosso país, especialmente aquelas que lutam todos os dias por respeito e igualdade em direitos e oportunidades. Fecho com uma homenagem a essa trinca maravilhosa de torcedoras alvinegras, sempre juntas na fileira A do Bloco 619: Dona Maria, sua filha Eliana e sua neta Larissa. Com vocês, a energia se completa na ternura. Até o próximo jogo!

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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