Como evitar o apequenamento do nosso Corinthians

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Como evitar o apequenamento do nosso Corinthians

Corinthianismo: uma saga de superação e triunfo

Foto: Arte; WFJR

Vou dizer para você, caro leitor, do fundo do meu coração, não engulo derrotas em que o nosso Coringão se mostra frágil, apático, retraído e desprovido da vontade de vencer.

Meu avô calabrês, um pintor e músico de alma generosa, viu o time surgir da gente trabalhadora do Bom Retiro, e repetia com orgulho: "para nós, o outro time nunca é favorito, porque nós temos mais raça e coragem".

Eu e muitos outros corinthianos fomos educados assim, para empurrar o time em qualquer situação e sempre acreditar na vitória, mesmo debaixo de chuva, mesmo com um homem a menos, mesmo com o juiz ladrão, mesmo com o goleiro contundido, mesmo com a força avassaladora do adversário.

O colega Celso Unzelte costuma salientar o fato de que vários outros clubes populares surgiram no início do século passado, mas somente o Corinthians sobreviveu. Por quê?

Ele mesmo responde: "porque vencia". Se éramos costureiras, alfaiates, ferroviários, estudantes, funcionários do desinfectório, lavadeiras no Glicério, doceiras, operárias, padeiros e donos de modestas lojinhas, as dores crônicas do cotidiano eram curadas pelos triunfos de nosso representante no ludopédio.

O Corinthians sempre foi o caminho de redenção do povo que construiu a sociedade industrial brasileira. Nossa agremiação incluiu os irmãos negros no esporte, engajou associados na luta contra a Gripe Espanhola e sempre teve um papel social e cultural importante naquela que se tornaria a maior cidade do Brasil. Por decisão estatutária, de 1913, criamos uma biblioteca com obras sobre os mais diferentes assuntos. Motivo? Contribuir para a educação dos associados.

Esse projeto coletivo, holístico e ambicioso incluía ignorar o impossível (e tornar toda conquista possível). E foi justamente o que seduziu gente de todas as classes sociais, credos e ideologias.

Pois o Corinthians destemido, era a aspirina do advogado da Praça da Sé que havia perdido uma causa, era o bálsamo calmante do médico que chorara a morte de uma menina pela poliomielite, era o consolo do pintor do grupo Santa Helena que, no fim do ano, não tivera recursos para montar sua tela e produzir suas tintas.

Caro leitor, estas não são criações da ficção poética, mas visões recuperadas da realidade. Eu e você precisamos sempre de uma grandeza que nos represente. Necessitamos de algo que seja maior do que nós, que nos transcenda, que potencialize nossas virtudes e encaminhe a realização alegórica de nossos sonhos.

Assim era o nosso primeiro super torcedor, o Tan-Tan, que perdera uma perna no bonde, mas ainda assim se convertera em exímio nadador. Assim era a maravilhosa Elisa, nossa torcedora símbolo, proletária, amorosa e valente.

Nunca nos rendemos, mas exigimos sempre a linha alta das expectativas. Almejamos o título, o primeiro lugar, pois como ensina o próprio hino do Corinthians, este é o Campeão dos Campeões.

Quem se conformasse com o segundo lugar veria, lá atrás, inflamar-se o nosso querido Neco, cinta em punho, para punir qualquer covardia. Depois, La Selva e os jovens torcedores constituíram uma frente dinâmica para contestar os cartolas desonestos e resgatar o esplendor de nossa agremiação.

Basta ler os comentários deste Meu Timão para perceber que o DNA de nossa gloriosa torcida está preservado. Uma parcela, no entanto, deu de conformar-se com o fracasso, de dar crédito às desculpas dos dirigentes e de contentar-se em assistir ao Corinthians como mero coadjuvante no cenário esportivo nacional.

Do alto da passividade, alegam que esta é a nossa realidade. Ora, eu ouso discordar! O Corinthians tem a maior torcida do estado mais rico da federação. E não é uma massa qualquer. Ela é apaixonada e atuante. Compra ingressos, adquire produtos licenciados, assina o pay-per-view e auxilia até assistindo à TV aberta, pois justifica o investimento dos patrocinadores do espetáculo.

Potencialmente, o Corinthians é a maior agremiação do futebol do Brasil. Muitas vezes, no entanto, desperdiça seus recursos em razão da péssima governança corporativa, de negócios escusos e da estupidez de algumas de suas lideranças.

Eu pergunto a você: que sucesso se pode esperar de um clube que tem como conselheiro vitalício e manda-chuva uma figura como Mané da Carne? Sim, é aquele que prometeu esmurrar mulheres que discordem de seus delírios de ignorância. Como garantir justiça de uma comissão de ética liderada por André Luiz Oliveira?

Se uma empresa não agrega competência e responsabilidade nas figuras do CEO, do CFO e da diretoria executiva, é natural que se perca qualidade, escala, velocidade, share de mercado, valor de marca e lucratividade. Pois não é diferente no negócio do futebol.

O grupo que aí está procura, de todas as formas, apequenar o meu, o seu, o nosso Corinthians. Temos uma dívida de mais de um bilhão de reais, sem contar o que nos falta pagar pela arena de Itaquera.

Nossa história recente é de boletos não pagos, rachadinhas, fraude eleitoral, ações às pencas na justiça, contas reprovadas e nenhuma transparência nos contratos com parceiros da instituição. Enquanto isso, mesmo sem cargo diretivo, o sacripanta do açougue segue sua vida nababesca acompanhando a equipe pelo Brasil. No baile que tomamos do Atlético MG, via-se ele, todo pimpão, na área VIP dos visitantes.

Nossa história centenária é de veemente repúdio a esse tipo de abuso. Parte da torcida, no entanto, hoje se ilude com os bustos inaugurados aos montes no Parque São Jorge. Justas e atrasadas homenagens. Nas fotos, entretanto, a cartolada aproveita para iludir os otários e fazer merchandising de si própria.

É triste ver parte da Fiel (minoritária, eu diria) conformada com mais um fracasso diante do Flamengo. Confira nosso vergonhoso retrospecto recente diante do rubro-negro carioca.

É revoltante a cômoda visão que admite o apequenamento, que comemora a permanência na Série A, que enxerga como conquista máxima uma vaga na Libertadores e que festeja uma derrota por placar mínimo.

O new corinthianer pensa pequeno e, assim, passa pano para os desmandos da cartolada do Parque São Jorge. Confunde fidelidade com vista grossa, resignação, submissão e omissão.

Não basta, pois, ser corinthiano, ou seja, um mero torcedor. Penso que é preciso também ser corinthianista, isto é, honrar os valores fundamentais da instituição pujante, destemida, que encantou e empoderou gerações em mais de um século de grandeza. Estabelecer uma nova fase de ascensão? Depende de todos nós.

Veja mais em: Diretoria do Corinthians e Torcida do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Walter Falceta

Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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    @acmiiller13 em

    'Vou dizer para você, caro leitor, do fundo do meu coração, não engulo derrotas em que o nosso Coringão se mostra frágil, apático, retraído e desprovido da vontade de vencer': é isso! Quando há luta, fico triste pela derrota, mas não fico puto como ontem...

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    Daniel 2569 comentários

    @daniel.amorim8 em

    Corinthians e São Paulo e Santos estão se apequenando com péssimas gestões...se o Corinthians não ganhar nada ano que vem o clube tá ferrado financeiramente...ainda mais com jogadores caros como Wiliam e Roger guedes...

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    57º. @francisco.kribely em

    É torcidas! Tenho que dar parabéns ao Valter Falceta, tudo isto tem um culpado nossos piores presidente do mundo, todos eles ser promoveram em cima do Timão, Precisamos urgente de um presidente igual do Atlético paranaense, que tirou o time da falência, guando eu falei que o duilio tem que ter um impeachment, a torcida apóia, falar sério! Como eu gostaria que esse fórum fazia uma pesquisa com o Duilio pra saber quantas dividas ele pagou esse ano, mais mostrando no papel, não nas palavras, ou empurrou com a barriga!

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    56º. @xandon em

    Não podemos continuar com uma diretoria a onde tem pessoas ultrapassadas sem capacidade, extremamente limitadissimo.

    Duílio e Roberto de Andrade é fracos está chapa renovação & transparência não tem candidatos capacitados com formação acadêmica para exercer cargos importantes dentro do Corinthians.

    Qual a formação do Andrés, Roberto de Andrade e Duílio?

    Eu acho que o único presidente do Corinthians com uma formação acadêmica foi Mário Gobbi que era ex delegado de Polícia.

    Qual formação de seus aliados?

    André negão o bicheiro, e hoje exerce o cargo de presidente do conselho de ética e disciplina pode um negócio desse? É o fim!

    Mané da carne

    Jaça

    Esses cara vem sendo o atraso do Corinthians desde 2007 eles que a pequena o Corinthians sabe porque? Estão lá não para mudar o Corinthians de patamar de patamar, mas sim para dar andamento em seus negócios obscuras!

    Esses cara não pode exercer cargos importantes dentro do Corinthians é fato muito claro!

    Na minha opinião isso explica porque o Corinthians está se apequenando! Não tem pessoas capacitadas no comando, é um mais fraco que o outro!

    É comando de amiguinhos a onde o profissionalismo passa bem longe!

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    Alexandre 3895 comentários

    55º. @xandon em

    O Corinthians só vai parar de se apequenar quando esses fracos amadores semi analfabetos da chapa renovação & transparência sumir do Corinthians!

    Duílio e Roberto de Andrade não tem capacidade para elevar o Corinthians de patamar, é extremamente ultrapassados!

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    Vicente 2126 comentários

    54º. @vicente.martinelli1 em

    Entendo que o caminho seria a profissionalização do clube, como clube empresa.

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    Eli 165 comentários

    53º. @eli.ana.moraes.carul em

    Muito bom ótimo texto tudo correto falou tudo quem e corintiano de coracao não aceita esmolas e tudo que vemos hoje são gangs tomando conta do nosso Corinthians sou uma torcedora desde criança com muito orgulho de ver os times que já se formaram no Corinthians hoje não é pra alegria do povo é pra fins lucrativos de empresarios e interesseiros em lucros...so que da onde só tira não promove não investe uma hra seca...testo corretíssimo de Valter Fauceta falou tudo e com o coracao Corintiano de verdade.

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    Fernando 6034 comentários

    52º. @fernando.zemetek1 em

    PARABÉNS Falceta!
    Me senti muito bem representado e orgulhoso ao ler seu texto que expressa verdadeiramente em ser CORINTHIANS!

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    Nelson 624 comentários

    51º. @nelson77 em

    Esse departamento. Jurídico tem que ser investigado, por tantas ações perdidas, me desculpem se estou sendo injusto.

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    Daniel 192 comentários

    50º. @daniel.paione em

    Parabéns, texto excelente! Só acho que "o Corinthians mero coadjuvante" no cenário nacional foi uma circunstância do destino. Tínhamos um dos maiores (se não o maior) do time do Brasil na década de 20, mas ainda não havia torneios nacionais. Tínhamos talvez o melhor time do mundo na 1a metade da década de 50, mas não havia ainda Libertadores nem mundial. E alguns times tiveram pontualmente boas equipes e ganharam tudo, como o Santos de Pelé, o Flamengo do Zico ou o inter do Falcão.

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