O que justifica o ódio que alguns torcedores têm pelo time feminino do Corinthians?
Opinião de Bruno Cassiano
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Tamires, Gabi Zanotti e jogadoras erguendo o troféu do Brasileiro Feminino 2025
Foto: Ronaldo Barreto/Meu Timão
Cresci ouvindo do meu pai que toda e qualquer disputa, independente de qual seja, onde houver ao menos um indíviduo vestindo a camisa do Corinthians, haverá um grupo de gente torcendo por ele. Não importando o local, o gênero ou a idade, porque para o torcedor do Corinthians o que basta é a presenta de alguém representando a sua maior paixão: o Corinthians.
Foi norteado por esse pensamento que segui na vida. Não gosto de todos os esportes, não gosto de todos os jogos existentes, mas gosto demais de ver o Corinthians. Paro para ver natação, futsal, basquete, vôlei... Paro não pela modalidade em específico, não pelo número de títulos conquistados, paro pelo Corinthians. Meu negócio é O Corinthians. Achei que isso era algo normal na Fiel... Mas 35 milhões de pessoas acaba sendo muita gente.
Há torcedores que se importam única e exclusivamente com o futebol, algo que até seria normal, se esses mesmos não tentassem a todo custo desmerecer a modalidade feminina do mesmo esporte. Não faz sentido, mas é real. Mesmo esporte, mesmo emblema, mesma torcida... Mas há um certo desprezo e uma tentativa de menosprezo com base em argumentos menos sentido ainda.
Tal como o futebol masculino, o futebol feminino pode proporcionar lances e disputadas empolgantes, estressantes e entediantes. Por vezes, é bem mais bonito ver o futebol jogado pelas mulheres do Corinthians do que pelos homens. Há falhas, há passes mal feitos, há erros de arbitragem, há disputadas que ultrapassam os limites do jogo.... Tudo o que há em um, há em outro. Mesmo que de forma diferente ou em maior e menor escala. É o mesmo esporte.
Então o que justifica o ódio que alguns torcedores têm pelo time feminino do Corinthians?
Não acredito que ainda seja uma birra pela contratação errada de um técnico ultrapassado para o time masculino ao qual, de forma gigante, elas foram contrárias, em uma clara defesa não só das campanhas afirmativas do clube como da própria história do Sport Club Corinthians Paulista. Também não posso acreditar que seja pelo atual momento político financeiro do clube, que em nada elas têm culpa, afinal de contas, nenhuma delas presidiu o clube ou tem algum salário astronômico para causar rombos.
Então o que é?
Como uma modalidade tão vencedora, que eleva o nome da instituição não só no continente como no mundo, pode ter pessoas contrárias dentro da própria torcida? Como que o torcedor não enxerga e não celebra algo que muitas outras torcidas no mundo gostariam de ver acontecer? Como, para alguns, não é visível o ganho que um projeto tão vencedor e bem estruturado trás para uma nova geração de mulheres corinthianas ou não? A resposta é uma só, mas não direi por já ser de conhecimento público.
Enquanto essas pessoas se incomodam com títulos de rivais e os utiliza como "argumento" para o ódio direcionado às mulheres, sigo comemorando os títulos, vitórias e posicionamentos de cada uma delas enquanto Corinthians. Meu negócio, assim como de muitos torcedores da Fiel, é um só: o Timão. O resto... Pouco, ou quase nada, importa.
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.
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