Conselho do Corinthians rejeita texto-base da Reforma do Estatuto e reunião é suspensa
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Por Daniel Keppler e Fábio Marinho, no Parque São Jorge

Conselho Deliberativo do Corinthians reprova texto-base da Reforma do Estatuto
Fábio Marinho / Meu Timão
Na noite desta quarta-feira, o Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians se reuniu para votar o projeto de reforma do Estatuto Social do clube. A reunião no teatro do Parque São Jorge começou com a votação do texto-base do documento, que foi rejeitado por 93 votos contra e 60 a favor.
Em seguida, porém, o colegiado iniciou a votação dos 15 destaques para a Assembleia Geral (AG) dos associados — veja abaixo. Depois da votação de dois tópicos (regras para sociedades empresárias e associado de futebol com direito a voto – Fiel Torcedor), a reunião foi suspensa e continuará na próxima segunda-feira, dia 4 de maio.
A Reforma do Estatuto voltou a ser pauta no órgão, quase dois meses depois da reunião frustrada de 9 de março, que terminou em tumulto e sem um desfecho, acarretando na convocação de uma Assembleia Geral dos sócios, para votar o projeto em 18 de abril. A reunião, porém, acabou suspensa dias antes da data, devido a uma liminar obtida na Justiça pelo conselheiro Felipe Ezabella, e posteriormente foi cancelada por Leonardo Pantaleão.
Foi Pantaleão, inclusive, quem conduziu a reunião, com a mesa dos trabalhos também composta por Maria Ângela Ocampos, primeira secretária do CD, Dalton Gioia, presidente da Comissão de Reforma do Estatuto e Miguel Marques e Silva, presidente do Conselho de Orientação (Cori).
Os trabalhos foram iniciados com um pronunciamento do conselheiro, elogiando a condução da reunião ocorrida na segunda-feira, que aprovou as contas de 2025 do Corinthians. Então, Maria Ocampos leu o edital de convocação da reunião, que previa em sua ordem do dia a votação e aprovação do texto do novo estatuto corinthiano.
A reunião prosseguiu, com um aparte do conselheiro Felipe Ezabella. Ele falou a respeito da liminar que pediu para cancelar a Assembleia Geral, esclarecendo que solicitou a medida devido a "ilegalidades" que enxergou em sua convocação.
Em resposta, Romeu Tuma Júnior, presidente licenciado do CD, pediu a palavra, afirmando que a liminar só foi concedida devido à concordância do clube nos autos do processo em questão e que encaminharia uma resposta completa, por escrito, para constar em ata.
Pantaleão, então, passou a conduzir a votação do novo projeto de estatuto. Ele explicou a dinâmica, ressaltando que o voto seria aberto e nominal, a título de transparência administrativa e necessidade de prestação de contas. Declarou, ainda, que o primeiro tópico a ser apreciado seria o texto-base, e em seguida os 15 itens, onde não houve consenso e mais de uma alternativa de redação foi formatada pela comissão de reforma estatutária.
Ainda houve o esclarecimento sobre a necessidade, após uma eventual aprovação do projeto, de que o texto passe por uma revisão para possíveis correções de redação, gramática e quaisquer outros tipos de inconsistências que ainda restarem, para então o texto revisado e definitivo ser encaminhado para votação dos associados. Caso, porém, o texto-base seja rejeitado, Pantaleão propôs que os 15 itens sequer sejam votados.
O conselheiro Rozallah Santoro pediu a palavra. Ele lembrou das audiências que debateram o projeto, afirmando que as reuniões foram feitas em caráter consultivo e que a reforma modificaria todo o texto. Sugeriu, então, que caso o texto-base seja rejeitado, os 15 itens possam ser votados para eventual incorporação ao Estatuto atual, ou que a votação do projeto seja feita artigo a artigo.
Dalton Gioia, em resposta, afirmou que a comissão procurou atender a todas as demandas feitas em audiência e apelou para uma votação responsável. O conselheiro e diretor de Inovação e Novos Negócios, Herói Vicente, também se manifestou, expressando a importância de que uma reforma política seja feita na reunião. Criticou, ainda, que o seu projeto de ampliação do colégio eleitoral não tenha sido, ao seu ver, devidamente debatido durante o processo de redação do projeto.
Em seguida, Tuma pediu aparte e lembrou que Herói Vicente não compareceu à audiência que debatia o voto do Fiel Torcedor, e explicou que a sua proposta não foi acolhida pela comissão, pois o projeto não teve o aval da diretoria. Pediu, ainda, questão de ordem, dizendo que os debates sobre o projeto já foram encerrados e que o projeto seja votado e que, independentemente do resultado, o documento seja encaminhado para a Assembleia Geral dos associados.
Outro conselheiro a pedir a palavra foi Caetano Blandini, membro do Cori. Ele afirmou que o órgão fez a mesma sugestão proposta por Rozallah, argumentando que o Corinthians "já tem um estatuto" e que todos os grupos políticos do clube reconheceram a necessidade de reforma das normas internas.
Ezabella voltou ao palco, discordando da questão de ordem de Tuma e dizendo que a Assembleia Geral não pode votar nenhum item do projeto que o CD não tenha aprovado.
Após isso, Pantaleão retomou os trabalhos, com a votação do texto-base do projeto de reforma estatutária. Dentre os conselheiros vitalícios, cinco foram a favor e 27 contrários. Já entre os trienais, 54 foram favoráveis e 66 contrários. Com isso, o texto-base foi rejeitado pelo CD, por 93 votos a 59.
Votação dos destaques
Depois de proclamar o resultado, foi feita a proposta de que os 15 itens sem consenso fossem votados mesmo com a rejeição do texto-base, gerando protestos dos conselheiros como Jorge Kalil, Caetano Blandini e Alexandre Husni. Após alguns minutos de tumulto, Tuma pediu a palavra, lembrando que a Assembleia Geral é soberana e sugerindo que a reunião se encerre sem mais nenhuma votação.
Outros apartes foram feitos. Os conselheiros, como Rubens Gomes, o Rubão, por exemplo, pediram que a reunião fosse encerrada. Já o conselheiro Caio Ribeiro ponderou que deseja votar os itens extras, especialmente o voto do FT.
Devido às divergências, Pantaleão conduziu votação para que o CD decidisse sobre o tema. Dos 136 conselheiros votantes, 79 foram a favor e 57, não. Com isso, os 15 itens sem consenso passaram a ser votados na reunião:
- Regras para sociedades empresárias;
- Associado de futebol com direito a voto – Fiel Torcedor;
- Composição do Conselho de Ética;
- Período de carência para votar;
- Controle de eventual SAF;
- Sistema eleitoral para o Conselho Deliberativo;
- Reeleição ao Conselho Deliberativo;
- Eleição da Diretoria Executiva na Assembleia Geral;
- Composição do Conselho Deliberativo;
- Orçamento do Conselho Deliberativo;
- Eleição dos membros do Cori;
- Membros natos do Cori;
- Periodicidade dos balancetes;
- Gerente executivo do Parque São Jorge;
- Transição da elegibilidade em mandato vago.
Reunião suspensa
O primeiro destaque dizia respeito às regras para sociedades empresárias, com uma opção determinando 51% das ações e 10% das receitas para o Corinthians, e outra opção, que não estabelece porcentagem mínima. Os conselheiros protestaram, com sugestões de como a antecipação do voto do FT ou mesmo o adiamento da reunião, mas Pantaleão não considerou. Dos 93 conselheiros votantes, 83 votaram pela segunda alternativa, com oito escolhendo a primeira opção e duas abstenções.
O segundo item fazia referência ao direito de voto do Fiel Torcedor. A primeira opção concedia direito apenas em 2030, mediante contribuição. A segunda antecipava esse direito para este ano, aproveitando-se os últimos quatro anos de inscrição dos associados pagantes no FT. Já a terceira mantém o membro do FT sem direito de voto. Dos 90 conselheiros votantes, 79 escolheram a segunda opção, nove optaram pela primeira e dois preferiram a terceira alternativa.
Enquanto o tópico sobre o voto do FT tinha sua votação apurada, um debate se iniciou sobre a sequência após as votações. Romeu Tuma Júnior defendeu que a Assembleia Geral possa votar o projeto, incluindo o texto-base. Outros conselheiros, como Vinicius Cascone e Rozallah Santoro, defenderam que somente os itens aprovados pelo CD passem para os associados. Pantaleão optou por não tomar uma decisão imediata a respeito e continuou as votações.
A votação do terceiro item, sobre o formato da proposta de criação de Conselho de Ética, chegou a ser proposta, mas Pantaleão voltou atrás e decidiu pela suspensão da reunião, remarcando-a para a próxima segunda-feira, dia 4 de maio.
Próximos passos
Após a deliberação do Conselho, na próxima segunda-feira, a Comissão de Reforma fará os ajustes finais no anteprojeto, incorporando as alterações aprovadas. A versão consolidada será encaminhada à Assembleia Geral, prevista para o início de abril.
Na Assembleia, os associados votarão de forma objetiva, escolhendo entre “sim” ou “não” para a aprovação de cada trecho do novo Estatuto. O processo será restrito a sócios com mais de cinco anos de vínculo, maiores de 18 anos e com as mensalidades em dia. As mudanças aprovadas passarão a valer imediatamente no Corinthians.