Corinthians prepara homenagem ao prefeito de Nova York após elogios à Democracia Corinthiana
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Por Meu Timão

Clube pretende agradecer as recentes declarações do político sobre a Democracia Corinthiana e sobre o ídolo Sócrates
Divulgação
O Corinthians quer fazer uma homenagem especial para o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, neste sábado. O clube pretende agradecer as recentes declarações do político sobre a Democracia Corinthiana e sobre o ídolo Sócrates com a ajuda do ex-jogador Casagrande. A informação foi divulgada pela GloboNews e confirmada pelo Meu Timão.
O clube, inicialmente, estava tentando contato com Mamdani com a ajuda do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores do Brasil). Surgiu, então, a alternativa de utilizar Casagrande, que está em Nova York cobrindo a Copa do Mundo, e irá se reunir com o prefeito para discutir projetos de intercâmbio esportivo e social entre Brasil e Estados Unidos nesta sexta-feira.
O encontro contará com duas homenagens simbólicas. A primeira será a entrega de uma camisa em referência a Sócrates, um dos maiores nomes da história alvinegra e principal liderança do movimento corinthiano. Além disso, Mamdani receberá uma placa de agradecimento pelo trabalho de divulgação e valorização internacional da história do clube.
O texto da homenagem destaca o legado deixado pelo movimento criado no Corinthians na década de 1980, ressaltando que a Democracia Corinthiana demonstrou que "o futebol pode ser muito mais que um jogo, podendo servir como plataforma para a liberdade, participação e dignidade humana". A placa também faz uma adaptação de um dos tradicionais cânticos da torcida corinthiana, encerrando a mensagem com a frase: "Vai Nova York, Vai Corinthians".
A homenagem acontece poucos dias após Mamdani citar o Corinthians e Sócrates durante uma edição do programa "The Morning Pitch", publicada nas redes sociais da prefeitura de Nova York no último dia 12 de junho.
O quadro, apresentado pelo próprio prefeito, costuma abordar temas relacionados ao trânsito, clima e eventos da cidade. Aproveitando a proximidade da Copa do Mundo de 2026, cujo jogo de abertura entre Brasil e Marrocos será realizado em Nova York, o político ampliou a discussão para refletir sobre a influência do futebol na sociedade e na política.
Durante sua fala, Mamdani destacou a trajetória de Sócrates, capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982 e jogador do Corinthians entre 1978 e 1984, classificando-o como um símbolo de resistência em um dos períodos mais difíceis da história do Brasil.
"Eu tenho pensado ultimamente sobre Sócrates, não o antigo filósofo grego, mas o maestro do meio-campo brasileiro. Sócrates jogou pelo Brasil nos anos 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, onde capitaneou a seleção. Estes foram anos difíceis no Brasil. Uma junta militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força", disse, recordando da ditadura militar que governou o país entre 1964 e 1985.
Na sequência, Mamdani destacou o papel do Corinthians na resistência ao autoritarismo, por meio da Democracia Corinthiana, um experimento de autogoverno onde todos os membros do clube, independentemente de posição ou status, tinham direito a voto igual.
"No Corinthians, o clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que os brasileiros comuns sonhavam: democracia. Eles começaram um experimento em autogoverno chamado Democracia Corinthiana. Quer você fosse o centroavante estrela ou trabalhasse na lavanderia, você tinha um voto", explicou.
O prefeito encerrou sua fala, recordando um dos gestos mais icônicos de Sócrates, quando levou o protesto político diretamente para o campo, e refletiu sobre o poder transformador do futebol como um todo.
"E enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderou os jogadores para o campo, usando jaquetas com as palavras 'Eu quero votar para presidente' nas costas. Conforme nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas em todo o mundo, tantos pobres e esquecidos, um senso de pertencimento, uma conexão com seu vizinho, um sentimento de solidariedade compartilhada. O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores, e por 90 minutos de cada vez, não apenas nos permitiu esquecer nossos problemas, mas encontrar maneiras de superá-los. Que belo jogo", concluiu.
A iniciativa liderada por Casagrande reforça a relevância histórica da Democracia Corinthiana, movimento que ganhou notoriedade durante os últimos anos da ditadura militar brasileira ao defender a participação democrática dentro e fora dos gramados.
O movimento corinthiano, vale lembrar, também será dramatizado em uma nova série produzida pela HBO. A produção terá oito episódios que contarão a história do movimento ocorrido no Parque São Jorge entre 1982 e 1984, com foco nas trajetórias dos jogadores Sócrates, Wladimir e Casagrande, além de Adílson Monteiro Alves, diretor de futebol à época que ajudou na construção do fenômeno.