De último reserva a titular incontestado: o legado de Felipe no Corinthians

De último reserva a titular incontestado: o legado de Felipe no Corinthians

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Felipe deixa o Corinthians após quatro anos e seis meses

Felipe deixa o Corinthians após quatro anos e seis meses

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

O zagueiro Felipe se despediu do Corinthians neste domingo, exatos 1593 dias após ser apresentado na sala de imprensa do CT Joaquim Grava ao lado de Cássio sob status de reserva. Mais do que os R$ 24 milhões que a negociação com o Porto deve render ao Timão, o beque deixa em terras alvinegras um legado de paciência e superação.

Ao longo de boa parte de 2012, quando chegou ao Corinthians, Felipe foi última opção de Tite para o setor defensivo, atrás dos titulares Chicão e Leandro Castán e dos reservas Paulo André e Wallace. Tanto que, mesmo fazendo parte do elenco alvinegro, não foi inscrito e portanto não é considerado campeão da Libertadores.

Até meados de 2014, convivia sob críticas pesadíssimas da torcida, que inclusive fizeram os pais chorarem, tais como "sua mãe nunca deveria ter te parido". Aqui, cabe destacar a paciência que o camisa 28 teve em seus primeiros anos no Corinthians, sempre chamando atenção da comissão técnica nos treinamentos pela velocidade e impulsão. Quando entrava em campo para tapar algum buraco, contudo, sofria com a impaciência da torcida e acabava ficando marcado por falhas pontuais.

Evoluindo nos treinos até se tornar primeira opção, Felipe tornou-se titular no início de 2015 ao lado de Gil, aproveitando-se do inesperado retorno de Anderson Martins ao futebol árabe. Ainda assim, era constestado fora... e dentro do clube.

Em conversa informal com um membro da alta cúpula corinthiana na época, ouvi as seguintes palavras: "Sabemos que Felipe não está à altura de uma Libertadores, então estamos à procura de um zagueiro". Vendo no que o camisa 28 do Corinthians se tornou ao longo dos últimos anos, me pergunto hoje quem é que não estava à altura de quem nessa história.

Felipe não foi campeão da Libertadores. Entretanto, foi titular e pouco falhou nos dois últimos anos. Ganhou até chance na Seleção Brasileira. E, aos 27 anos, tornou-se alvo do mercado europeu, onde pode evoluir e se valorizar ainda mais (diferente dos que trocaram o Parque São Jorge pela China).

Felipe se emocionou ao falar da "família" que deixará para trás ao fechar com o Porto. E ninguém melhor do que Tite, que foi o paizão durante boa parte dessa trajetória de mais de 1500 dias, para definir a passagem do zagueiro pelo clube alvinegro: "Ele dignificou a camisa do Corinthians".

Sobre o legado deixado por Felipe, vale sempre lembrar: mais paciência, tanto da torcida quanto da diretoria, com qualquer jogador. Todos, afinal, merecem chances para se superar e então dignificar a camisa do Corinthians.

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