Corinthians coloca regras em acordo com Apollo e se previne de problemas

Corinthians coloca regras em acordo com Apollo e se previne de problemas

Camisa do Corinthians receberá patrocínio da Apollo em breve

Camisa do Corinthians receberá patrocínio da Apollo em breve

Foto: Agência Corinthians

Em abril, a diretoria do Corinthians estendeu o patrocínio da Caixa Econômica Federal por uma temporada. Ficou acordado que o banco estatal pagaria os mesmos R$ 30 milhões desembolsados por ele em 2015, mas teria sua marca exposta apenas no peito da camisa alvinegra, deixando a propriedade das costas do uniforme livre para negociação. O espaço vago será adquirido pela Apollo Sports Capital, companhia que promete agitar o seguimento brasileiro.

O modelo do acordo de patrocínio firmado entre Corinthians e Apollo, fundo de investimento que reúne empresas interessas em investir no futebol, gerou dúvidas de parte da torcida corinthiana. Isso porque a corporação promete colocar em prática um rodízio de marcas no manto alvinegro, de acordo com a necessidade – e aporte financeiro – de cada cliente.

“O que atraiu a gente no discurso da Apollo, não só a proposta financeira, foi exatamente essa visão de que o mercado de futebol versus anunciantes precisa ter uma quebra e uma proposta de valor nova. Hoje eles só atuam no Corinthians, mas é objetivo trabalhar com outros clubes também, vão fazer esse intercâmbio, esse meio entre a estratégia de negócios do cliente versus como ele pode implementá-la usando as propriedades do futebol, não necessariamente seja a camisa. Tem clientes deles que não têm interesse na camisa, mas têm interesse em outras propriedades que fazem parte do contrato: rede social, Fiel Torcedor...”, afirmou o superintendente de marketing do Corinthians, Gustavo Herbetta, em entrevista ao Meu Timão.

A princípio, o Timão receberá R$ 30 milhões da Apollo por ceder o espaço posterior do manto durante três temporadas, até 2019. Diferentemente de um anunciante comum, o fundo tem como objetivo não divulgar seu próprio nome, mas revender a propriedade no mercado. Segundo o especialista, a organização trabalha como intermediadora, oferecendo aos clientes soluções de marketing as quais o Corinthians não possui, por se tratar de um clube de futebol.

“Qual o objetivo que esses clientes têm? Engajar o torcedor e arrecadar vendas. Pode ser que uma marca nova, uma marca entrante no mercado, precise ganhar notoriedade e precise da camisa. Pra isso, ela não precisa ficar necessariamente um ano, ela pode usar a camisa só seis meses ou talvez um ano e meio. Esse trabalho de inteligência de negócios que eles estão se propondo é monitorar e ver o quanto realmente isso está incrementando para o parceiro para eles mexerem nas propriedades. ‘Tiro um da camisa agora, coloco outro que precisa, uso a rede social’. Obviamente sempre respeitando as regras que a gente estipulou no contrato, que prevalece os parceiros do Corinthians nas categorias, e nosso guia de marketing que não pode ser desrespeitado. É uma aposta. Se isso der certo, eles quebraram um paradigma do mercado”, explicou Herbetta.

Gustavo Herbetta é superintendente de marketing do Corinthians desde fevereiro de 2015

Gustavo Herbetta é superintendente de marketing do Corinthians desde fevereiro de 2015

Foto: Ricardo Taves/Ag. Corinthians

Para aceitar o formato de negócio proposto pela Apollo, o Timão se preveniu e estabeleceu regras que vão desde a proibição da cor verde à preferência por patrocinadores do clube – Caixa (peito), Special Dog (calção), TIM (número) e Estrella Galicia (uniforme de treino), anunciada em evento no CT Joaquim Grava na semana passada.

“Se uma marca parceira deles atuar em um segmento que o Corinthians já tem parceiro, prevalece o parceiro do Corinthians. Por exemplo, se tem um parceiro de telefonia, prevalece a TIM. E seguir o brand guide (guia de marca) do Corinthians, ele não pode colocar a marca que ele quer, do jeito que ele quer, na cor que ele quer. Ele vai respeitar as regras do Corinthians e o Corinthians vai ajudá-lo a angariar parceiros pra entender esse novo formato de patrocínio. O que nos resguarda? Um contrato de três anos naqueles valores que seriam a propriedade vendida no mercado”, acrescentou o chefe do marketing corinthiano.

“Nessa crise que a gente vive, uma coisa que o torcedor cobra bastante, você precisa encontrar alternativas. Você bate na porta dos 30 maiores anunciantes e eles falam ‘não’. Você bate na porta dos outros 30, eles falam: ‘Não, veja bem, vamos ver no ano que vem’, e a gente precisa captar recurso. Você precisa encontrar alternativas, pode ser que dê certo, pode ser que dê errado”, frisou o superintendente.

INTERMEDIADORA: SOLUÇÃO OU PROBLEMA?

A concepção do patrocínio da Apollo Sports Capital foi alvo de críticas de adeptos do Corinthians. Para muitos, a agência alugará as costas dos jogadores e embolsará quantias superiores às quais a diretoria poderia faturar, assim como a relação com a Omni, gestora do Fiel Torcedor – a empresa é responsável por todos os custos do programa de fidelização do Timão e, em contrapartida, lucra parte do valor arrecadado com os quase 130 mil sócios-torcedores alvinegros. A afirmação, porém, é rebatida por Herbetta.

“Se fosse, qual é o problema? Meu custo da propriedade é R$ 10 milhões. Alguém veio, se propôs a pagar R$ 10 milhões e disse que vai vender por R$ 12 milhões. Problema deles. Isso não tem nada a ver com a ver com a Omni. A Omni é uma parceria que eu divido uma receita. Aqui não, eu estou vendendo no valor que pedi por três anos nos moldes que eu estou exigindo. Se vender por R$ 12, 14 ou 15 milhões, parabéns, é o trabalho deles. Por que não é isso? Porque se fosse, seria uma loucura”, declarou o especialista.

“Porque se o cliente, o anunciante, que no final do dia é o mesmo, bate na minha porta e não quer pagar R$ 10 milhões, por que ele pagaria R$ 12 milhões para ele (Apollo)? Não é simplesmente ‘eu compro uma propriedade pra revender’, o que não tá errado se fosse, mas é um trabalho que eles estão fazendo com um modelo de negócios inovador, vão propor soluções para clientes que um clube de futebol não pode propor. Success fee (remuneração por resultados alcançados), participação nos negócios...”, finalizou.

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