Estatuto do Corinthians dificulta profissionalização no clube

Estatuto do Corinthians dificulta profissionalização no clube

Referência no mercado publicitário, Marcelo Passos anunciou saída do Corinthians em janeiro

Referência no mercado publicitário, Marcelo Passos anunciou saída do Corinthians em janeiro

Foto: Marcelo Machado/Ag. Corinthians

Nos últimos anos, o Corinthians passou a ser referência no quesito profissionalização do futebol. De 2007 para cá, por exemplo, o clube inaugurou um dos mais modernos centros de treinamento do mundo, o CT Dr. Joaquim Grava, ergueu o tão sonhado estádio próprio, que abrigou a abertura da Copa do Mundo de 2014, e conquistou títulos de grande expressão internacional. Contudo, há quem acredite que o Timão teria a possibilidade de alçar voos maiores caso um simples mas complexo regimento imposto em seu estatuto fosse alterado: os cargos não remunerados.

Em janeiro, logo após a celebração do hexacampeonato nacional, a alta cúpula corinthiana perdeu Marcelo Passos, então diretor de marketing. O executivo ocupava o cargo desde fevereiro de 2015, quando Roberto de Andrade assumiu a presidência no lugar de Mário Gobbi, e dividia sua rotina com a agência de publicidade DM9DDB, da qual era vice-presidente de atendimento.

Passos, então, acabou substituído pelo economista e publicitário Maurício Jacob, de vasta experiência nas áreas comercial e de marketing, além de ter passado pela diretoria da Disney no Brasil. O executivo, porém, permaneceu na chefia do departamento corinthiano por menos de três meses.

Segundo Gustavo Herbetta, superintendente de marketing remunerado do clube, as saídas de Passos e Jacob estão diretamente relacionadas à falta de profissionalismo do futebol, haja vista que a maior parte dos dirigentes sequer é remunerada. “É impossível você ter um cara do mercado do nível do Marcelo Passos, do Maurício Jacob, sem remunerar. Por mais que eles queiram, se esforcem, se envolvam, chega um momento em que você precisa do envolvimento da empresa que você trabalha e que te paga um salário. Então você precisa voltar, e foi a opção que eles fizeram”, explica Herbetta em entrevista ao Meu Timão.

“Isso é um empecilho no futebol brasileiro. Eu não sou do mercado do futebol, eu gosto do mercado publicitário e vim com essa versão profissional, de olhar de fora. E o Corinthians tem um núcleo mais duro financeiro, jurídico, marketing, sempre prevalecendo a parte profissional, acho que por isso ele se destacou nos últimos anos, todo o trabalho muito bem feito. E pra mim, o problema do futebol é a não profissionalização, a não remuneração das pessoas que querem atuar no futebol”, acrescenta.

O estatuto vigente do Corinthians, datado de 15 de julho de 2015 e disponível no site oficial do Timão, determina: “Art. 101 §7º: Os Diretores e Secretário Geral não poderão ser remunerados, nem ter qualquer função remunerada pelo clube”. A norma, portanto, dificulta a modernização tanto dentro como fora de campo, fazendo com que profissionais gabaritados se afastem cada vez mais do Parque São Jorge.

“O meu cargo é remunerado, como executivo, foi essa a proposta. Se não fosse remunerado, não é a questão de paixão pelo clube, é a questão de você poder se envolver, se dedicar. A gente trabalha no Corinthians 16 horas por dia, finais de semana, dias de jogo, é diferente de qualquer segmento do mercado”, diz Herbetta. “E não é ruim, é bom porque é dinâmico, envolve paixão, mas precisa de bons profissionais. E pra ter bons profissionais, eles precisam ser remunerados, simples assim. Eu defendo, por mais que fira o estatuto do clube, os caras deveriam ser remunerados no futebol”, finaliza.

Veja mais em: Estatuto do Corinthians e Parque São Jorge.

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