'Uma fixação no peito', a história do torcedor que tem mais de 800 camisas do Corinthians

'Uma fixação no peito', a história do torcedor que tem mais de 800 camisas do Corinthians

Por Meu Timão

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Paulo Gini é o maior colecionador de camisas de futebol do mundo

Paulo Gini é o maior colecionador de camisas de futebol do mundo

Foto: Divulgação / Nike

Zenon, Basílio, Neto, Marcelinho Carioca... esse são alguns dos nomes de jogadores que Paulo Villena Gini tem estampado em suas camisas. O torcedor tem mais 800 peças só do Corinthians. A história dele foi contada pela Nike, fornecedora de materiais esportivos do clube, neste domingo, e cedida com exclusividade ao Meu Timão. Ela faz parte da campanha do novo terceiro uniforme do Timão. O modelo já será usado pela primeira vez no clássico contra o Santos, na Vila Belmiro.

Confira a história de Paulo Gini

Corinthians, uma fixação no peito

Paulo Villena Gini não tem tempo para se orgulhar do título de maior colecionador de camisas de futebol do mundo. De acordo com o administrador e jogador de pôquer profissional, a façanha de possuir quase cinco mil camisas e centenas de artigos que vão desde chuteiras assinadas por Pelé, flamulas de partidas históricas e bolas antiguíssimas é reconhecida pela FIFA.

Ainda assim, Paulo não vê oportunidade para se gabar porque a curadoria tem foco e obstinação. Uma obsessão que implica catalogar, plastificar, classificar, conservar, expor e garimpar itens permite pouco espaço para bradar conquistas homéricas como a camisa que pertenceu a Roberto Baggio, italianos que na final do Mundial de 1994 perdeu o pênalti que assegurou o tetra campeonato à Seleção Brasileira.

Não se engane. Colecionar é como jogar pôquer. Paulo Gini estuda cada indivíduo detentor de relíquias futebolísticas para interpretar o melhor momento de fazer um lance decisivo. Se no carteado há blefes, percepções e leituras do oponente, as intimidades do colecionismo exigem talento para sacar o limite e para compreender as nuances que revelam os próximos movimentos do vendedor em potencial.

A coleção começou em 1982, quando o avô de Paulo, ex-diretor do Corinthians, conseguiu a camisa do jogador Zenon que atuou na vitória que levou o Campeonato Paulista ao time. A vestimenta veio autografada pela equipe que contava com Biro-Biro, Sócrates, Casagrande, entre outras lendas de então. Foi a inauguração de um hábito para toda a vida de um menino de apenas quatro anos.

Na adolescência, Paulo converteu-se em rato de estádio em uma época que o acesso aos vestiários era muito menos restrito e passou a amontoar peças de diversos clubes. Ainda que a paixão se alastre por diversos times, brasileiros e estrangeiros, a fixação é preta e branca. São centenas de obras de arte em forma de camisas que narram de modo cronológico o avanço e evolução do Coringão pela história do futebol.

O objeto têxtil de maior idolatria é a camisa do jogador Basílio, que fez o único gol sofrido contra a Ponte Preta, em 1977, e que garantiu o título paulista ao Corinthians depois de um jejum de quase 23 anos. “É a principal camisa do time, é um marco para a torcida”, conforme o colecionador. Tanto é verdade que o tio de Paulo pagou a promessa caso o Corinthians vencesse a partida e literalmente comeu grama do estádio na ocasião.

Camisas do Neto e do pé de anjo Marcelinho Carioca são apenas outros exemplos dentro do acervo de mais de 800 peças só do Corinthians. O museu particular é digno de um arqueólogo que preserva cores, memórias e até mesmo o suor e barro que vieram à tona nos jogos. Nada adquirido pelo colecionador veio de lojas oficiais dos times. Todos os itens entraram em contato com a pele de representantes do clube em campo.

Toda a técnica de pesquisa, metodologia de obtenção de artefatos, as mais de 80 exposições realizadas pelo mundo, as diversas entrevistas concedidas aos meios de comunicação e rede de contatos constituída a longo prazo nos bastidores do colecionismo compensaram a frustração juvenil de não virar boleiro profissional, pois o impressionante catálogo privado inseriu Paulo Gini obrigatoriamente na história do Corinthians.

Veja mais em: Camisa do Corinthians e Ações de marketing.

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