Linha do tempo: os 45 dias que abalaram o mundo do Corinthians

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Fábio Carille viu seu time amagar o sétimo jogo seguido sem vitória

Fábio Carille viu seu time amagar o sétimo jogo seguido sem vitória

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Em 45 dias, o Corinthians foi do sonho da tríplice coroa a uma das maiores crises da década. A derrota da última quarta-feira para o CSA, combinada a outra série de fatores em Maceió, evidencia uma situação caótica na qual jogadores, comissão técnica e diretoria se encontram.

O Meu Timão traça abaixo uma espécie de linha do tempo para a torcida entender como o departamento de futebol profissional foi por água abaixo no último um mês e meio.

Antes disso...

O período de 45 dias citado tem como ponto de partida a derrota para o Fluminense, no Mané Garrincha, ainda pelo primeiro turno do Brasileirão. Ali os comandados de Fábio Carille perderam uma invencibilidade de 14 jogos, que durava desde a retomada do calendário nacional pós-Copa América. A crise, porém, já se desenhava antes dos resultados negativos.

Nas semanas que antecederam o início da crise, o desempenho do Corinthians já era contestado por parte da imprensa e da torcida. Os dois empates contra o próprio Fluminense nas quartas de final da Copa Sul-Americana e as outras duas igualdades frente a Avaí e Ceará no Brasileirão ligaram sinal de alerta sobre a passividade da equipe alvinegra.

Corinthians penou diante do Ceará em Itaquera: 2 a 2

Corinthians penou diante do Ceará em Itaquera: 2 a 2

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Ainda assim, o Corinthians ali sustentava, mesmo que sem muita segurança, a maior invencibilidade do ano, a melhor defesa do Brasil, dava sustos em times de alto nível como Flamengo e Palmeiras e ainda se dava ao luxo de sonhar com a tríplice coroa em 2019.

Independiente 'del baile'

A primeira pancada mais forte sofrida pelo Corinthians foi logo três dias depois da quebra da invencibilidade. O time que não perdia havia 14 jogos perdeu logo duas vezes seguidas. O revés de 2 a 0 para o Independiente del Valle mostrou uma equipe completamente submissa e perdida, mesmo diante de sua torcida, frente a um adversário claramente desconhecido.

No jogo de volta, a equipe até mudou a postura (e Carille, a escalação). Ainda assim, quando os equatorianos se propuseram a jogar, dificultaram e muito a vida do Corinthians, que não conseguiu sequer vencer em Quito (precisava de um triunfo por três gols de diferença).

Torcedor tentou invadir o campo durante derrota para Del Valle

Torcedor tentou invadir o campo durante derrota para Del Valle

Danilo Fernandes/ Meu Timão

Vitórias 'de mentirinha'

O Corinthians até conseguiu estancar a potencial crise que surgia com a eliminação para um time com folha salarial quase equivalente aos vencimentos mensais de jogadores como Cássio, Fagner e Mauro Boselli. Como? Engatando três vitórias no Brasileirão, sobre Bahia Vasco e Chapecoense, se isolando no G4 e encostando a oito pontos do líder Flamengo.

O problema é que, apesar dos nove pontos conquistados em nove disputados, o Corinthians não fez nenhuma boa exibição. As três vitórias foram "no limite", jogando mal mesmo diante de adversários, assim como o Del Valle, inferiores técnica e financeiramente.

Jejum de vitórias

A partir do empate em 0 a 0 contra o Grêmio, o Corinthians não venceu mais. Foi depois desse jogo que Mauro Boselli entrou publicamente em rota de colisão com Carille. O time engataria nova igualdade contra o Athletico-PR, por 2 a 2 (com um dos gols anotados justamente pelo centroavante argentino), e ali deixou claro ser quase incapaz de vencer "jogos grandes" neste Brasileirão - algo que não acontece desde o Majestoso de maio.

Especificamente o tropeço em casa diante de um Athletico-PR que já está "de férias" pós-título da Copa do Brasil gerou críticas mais pesadas ao trabalho de Fábio Carille. O nome do próprio rubro-negro Tiago Nunes passou a ser ventilado nos corredores do Parque São Jorge.

A situação se agravou com a derrota para o São Paulo naquele que, até então, havia sido o pior jogo do Corinthians na temporada. Carille concedeu ali uma entrevista considerada por muitos como tenebrosa na medida em que atacou a todos direta ou indiretamente: jogadores, diretoria e seu próprio trabalho ao longo dos dez meses já corridos da atual temporada.

Fábio Carille e Fabinho durante Majestoso deste mês

Fábio Carille e o auxiliar Fabinho durante Majestoso deste mês

Danilo Fernandes/ Meu Timão

A partir de então, Carille cedeu à pressão de torcida e imprensa e tentou mudar a escalação, apostando em nomes mais jovens como Bruno Méndez, Carlos Augusto, Janderson e Gustavo. Por outro lado, Boselli voltaria ao banco de reservas mesmo destoando positivamente do restante do elenco nas exibições anteriores.

As mudanças pouco surtiram efeito, e o Corinthians engatou empates contra Goiás e Santos intercalados com uma derrota em casa para o Cruzeiro. Ciente da proximidade do jogo contra o líder Flamengo, no Macaranã, a pressão atingia seu auge para o duelo frente ao CSA.

Fatídica viagem para Maceió

Absolutamente tudo deu errado na viagem de três dias do Corinthians à capital de Alagoas.

  • o elenco entrou em atrito com a torcida ao pouco interagir com a Fiel mesmo diante da surpreendente positiva recepção dos torcedores locais no desembarque da delegação ainda na noite de segunda-feira;
  • na única entrevista pré-jogo do Corinthians concedida em Maceió, o atacante Gustavo se enrolou ao explicar o episódio do dia anterior no aeroporto. A declaração de que os jogadores estavam cansados da viagem não pegou bem;
  • o treino, que costuma ser aberto à torcida em viagens do time para longe de São Paulo, foi mais uma vez fechado a torcedores e, claro, imprensa;
  • mesmo diante do mistério sobre a escalação e a própria preparação da equipe, o Corinthians fez contra o então 18º colocado do Campeonato Brasileiro sua pior atuação na temporada, sofrendo incontestável derrota de 2 a 1 para o CSA;
  • com a derrota, o Corinthians foi ultrapassado pelo Grêmio na classificação, caiu para a sétima posição e deixou assim a zona de classificação à Libertadores;
Corinthians foi dominado pelo CSA em Maceió

Corinthians foi dominado pelo CSA em Maceió

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

  • no pós-jogo, ainda no estádio Rei Pelé, o técnico Fábio Carille se recusou a falar com os jornalistas. O presidente Andrés Sanchez assumiu a "bucha" e se mostrou descontrolado em praticamente todas as respostas, elevando o tom de voz, falando palavrão e sugerindo haver clima de férias entre os jogadores que têm mais nove partidas pela frente no ano;
  • na mesma entrevista, o próprio mandatário corinthiano canta a bola para uma "derrota anunciada" do Timão diante do Flamengo, no próximo domingo, caso não haja mudanças drásticas na forma de trabalhar de todos - jogadores, comissão técnica e a própria diretoria (o Corinthians pode ficar nesta quinta a incríveis 25 pontos de distância dos cariocas na classificação);
  • pela primeira vez no ano, alguém da alta cúpula corinthiana se negou a bancar a permanência de Carille até o fim da temporada;
  • já na madrugada desta quinta-feira, a delegação foi recepcionada sob cobranças de alguns torcedores na porta do hotel onde está hospedada. Um pouco mais tarde, mais pessoas se dirigiram ao local numa tentativa de invasão, armando confusão com seguranças do clube e quebrando a fachada do estabelecimento;
  • um dos muros do Parque São Jorge amanheceu pichado com mensagens de cobrança direcionadas a jogadores, comissão técnica e diretoria;

O Corinthians inicia já nesta quinta-feira sua preparação para o jogo de domingo contra o Flamengo. O clube conta com esquema especial de segurança desde o embarque em Maceió ao desembarque em Guarulhos, bem como na chegada ao CT Joaquim Grava.

Veja mais em: Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana, Fábio Carille, Diretoria do Corinthians, Andrés Sanchez, Elenco do Corinthians e Torcida do Corinthians.

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