Ex-auxiliar de Tite explica primeira recusa ao Corinthians e compara pressão com Flamengo
2.0 mil visualizações 17 comentários Reportar erro
Por Meu Timão

Cléber Xavier e Tite trabalharam juntos por 24 anos e em três passagens pelo Corinthians
Lucas Figueiredo / CBF
Corinthians e Tite estiveram próximos de um reencontro, mas uma pausa do treinador para cuidar da saúde mental interrompeu a possibilidade de uma quarta passagem. Caso o acerto se concretizasse, o torcedor não veria um nome que se tornou figura conhecida nos trabalhos do comandante: Cléber Xavier.
Depois de duas décadas, o profissional deixou a comissão técnica de Tite em outubro do ano passado, de olho em buscar voo solo na carreira. Com anos de experiência no futebol, o ex-auxiliar do treinador não escondeu o orgulho dos trabalhos feitos no Parque São Jorge ao relembrar os momentos de cada período.
"Com certeza (mais orgulha). É o mais pesado. Dois brasileiros, uma Libertadores, um Mundial, duas Recopas, Libertadores que o clube não tinha ganhado, a forma que foram conquistados, o último time sul-americano a ganhar um campeonato mundial de clubes. Tem tudo isso, a relação, o ambiente criado e a forma de comandar. Temos uma gestão que chamamos de humanizada por respeitar o atleta e não expor ele", disse em entrevista ao O Estado de S. Paulo.
Apesar da relação vitoriosa com o Corinthians, o cenário junto à Fiel começou a mudar em 2023, após a saída de toda a comissão da Seleção Brasileira, no ano anterior. À época, Tite chegou a ser consultado pelo clube alvinegro, mas alegou que apenas voltaria aos trabalhos em 2024. No entanto, fechou com o Flamengo em outubro. Cléber Xavier relembra que a decisão inicial, durante a procura do Timão, era de não trabalhar no futebol brasileiro.
"Na época a gente estava indo para o Al-Hilal (da Arábia Saudita), já tinha tomado uma decisão quando o Corinthians veio conversar e a ideia não era trabalhar aqui no Brasil. O Corinthians estava em uma transição, estava saindo uma diretoria e entrando outra, era um momento complicado. Coincidiu de não irmos para o Al-Hilal e aparecer a proposta do Flamengo logo em seguida" explicou.
As três idas e vindas foram diferentes no clube. Em 2004, Tite chegou ao Corinthians para salvar a equipe do rebaixamento, missão esta que foi bem-sucedida. Depois, entre 2010 e 2013, conquistou o Brasileirão (2011), Libertadores (2012), Mundial (2012) e Recopa (2013). A última passagem durou de 2015 a 2016, com o título do hexacampeonato brasileiro, em 2015. As boas memórias, segundo Cléber Xavier, não impedem o torcedor de expressar frustração pelas recusas recentes.
"Vejo de forma natural a mágoa do torcedor. É interessante que tivemos três passagens no Corinthians. Em 2004, viemos para tirar o time do rebaixamento. A gente emenda 11 jogos sem perder e por um ponto não vai para a Libertadores. Aquilo, para a gente, foi uma conquista. Dentro de todas as passagens, para nós foram mais coisas boas. As coisas positivas suplantaram as negativas. Foram poucos momentos ruins e grandes momentos bons. E o que mais marcou foi a relação interna", complementou.
Sem o Corinthians em 2023, Tite, Cléber Xavier e o restante da comissão técnica não tiveram um final feliz no Flamengo. Apesar do título carioca na temporada passada e aproveitamento de 65,7%, a equipe carioca acumulou desempenho ruins, que culminaram na demissão, em outubro, às vésperas da semifinal da Copa do Brasil contra o Timão. O ex-auxiliar alvinegro afirmou que a pressão do Flamengo era maior que a do Parque São Jorge.
"Acho maior que no Corinthians. O carioca entra em ti, eu era festejado e cobrado. É o porteiro do prédio, o cara na farmácia, na esquina. Não me lembro de ter sofrido uma pressão assim no Corinthians, de rua. A torcida do Corinthians é única porque apoia o tempo inteiro e depois vaia no final se não gostou do resultado. Muitas vezes a gente ganha no Corinthians jogando mal e a torcida te aplaude. No Flamengo, se ganha jogando mal, a torcida te vaia. Tem essa pressão por não jogar bem. Mas a torcida do Corinthians é violenta numa situação de pressão. Teve um jogo em Santos que a gente não pode voltar para o CT, teve que ir para o aeroporto e do aeroporto para o ônibus", finalizou Cléber.
Em busca da sua primeira oportunidade como treinador, Cléber Xavier aguarda a dança das cadeiras do futebol nacional. O Corinthians, por sua vez, não tem mais o cargo vago, já que oficializou a chegada de Dorival Júnior para o comando técnico, nesta segunda-feira, com contrato até dezembro de 2026.