Tite tranquiliza torcedores sobre estado de saúde e se declara ao Corinthians
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Por Bruno Pantarotto, Matheus Quintino e Melik Chain

Tite durante o evento Reencontro de Gigantes
Matheus Quintino / Meu Timão
Pela primeira vez desde que recusou o Corinthians alegando questões de saúde psicológica, o técnico Tite comentou o assunto publicamente. Discreto, o treinador disse que está bem, mas que ainda não está no momento adequado para se aprofundar no tema.
“Estou legal! Obrigado pelas palavras de carinho que eu recebi, que as pessoas próximas a mim remeteram. Eu estou legal, ‘tô de boa’, como a molecada fala. E pronto para poder de alguma forma estarmos juntos neste momento que humanamente é muito rico”, disse Tite em entrevista coletiva durante o evento "Reencontro de Gigantes".
Posteriormente, o técnico comentou a sensação de retornar ao Pacaembu, palco de muitos títulos conquistados pelo Corinthians sob seu comando, especialmente a Copa Libertadores de 2012, que deu origem ao evento desta sexta-feira.
“Esse é um momento especial, um momento único, ele transcende… Que riqueza o relato de vocês todos (olhando para os jogadores de Boca e Corinthians). Estou muito feliz, a gente se remete a sensibilidade, ao feeling, em cada canto, em cada local, em cada bola, em cada passe, a gente tem uma história para contar", comentou o técnico.
"Para aqueles que viram e vão rememorar com gatilho de emoção, vão dizer assim: ‘foi muito mais que futebol’. Foi uma grandeza extraordinária, uma grandeza humana. Para fechar, eu lembro que o Sheik dizia que a La Bombonera tremia. E tremia o Pacaembu também. O Pacaembu tremia. Ele tremeu antes e tremeu no intervalo do jogo", relembrou.
O ex-técnico alvinegro também se declarou ao Corinthians, time que já comandou por três vezes ao longo de sua carreira. Ele falou sobre as adversidades enfrentadas e como conseguiu superar os desafios dentro do Parque São Jorge.
"Um momento mágico na minha carreira e que eu tenho a maior gratidão foi com esse grupo. Ele não é dos resultados só. É fácil estar falando ‘ganhou o Mundial, ganhou com a base da equipe e ganhou o Mundial depois’, a gente está falando de algo que transcende isso, que ele está aquém disso, que ele está mais do que isso. O futebol é mais do que isso. Essas emoções, essas situações todas, ultrapassar as adversidades", falou.
"No processo todo do Corinthians, eu sou muito grato às pessoas, à entidade, ao clube que deram um tempo para que o trabalho possa ter. Não é varinha mágica, não existe. Os trabalhos dos profissionais, eles requerem, inclusive, nesses momentos de adversidade, para que em cima de uma lealdade, de uma competência, ele possa crescer”, completou.
Tite relembrou episódios marcantes vividos durante sua passagem pelo Corinthians que, segundo ele, exemplificam o valor da transparência e da lealdade dentro de um grupo vencedor. O treinador citou casos envolvendo nomes como Sheik e Alessandro, que estavam presentes na coletiva.
“Ele (Sheik) chegou atrasado, e a gente foi conversar. Eu gosto de conversar pessoalmente e sempre com mesas à frente, para ter um contato direto com o olhar. E coloquei assim: ‘não dá para chegar atrasado’. E ele me olhando. Digo: ‘eu tenho uma responsabilidade muito grande de disciplina com os atletas’. E ele continua me olhando. Digo: ‘eu tenho uma admiração muito especial por ti e sei o quanto tu és corajoso, o quanto tu trabalhas, tu treinas, mas neste aspecto de horário você tem que melhorar’. E ele continua me olhando. Aí eu digo: ‘não tem nada para falar?’. Ele olhou para mim e disse assim: ‘o senhor tem razão, professor’. Aí me quebrou, né. Digo: ‘então vamos fazer o seguinte: nós vamos reunir todo mundo e tu vais falar na frente do grupo todo”, relembrou.
"Ou tu chegar com o Alessandro, em determinado momento, ele colocou pra mim assim: ‘Professor, toma cuidado, que nos treinamentos a gente precisa estar com um pouco mais de equilíbrio e estar tendo essa competitividade, que ela cresça; o trabalho dentro do campo é fruto do trabalho do dia a dia’. Veja como essa relação de lealdade e transparência é importante, a preocupação do líder com o grupo”, finalizou.
Tite quase retornou ao Corinthians em abril de 2025. O técnico já tinha a viagem marcada e comandaria seu primeiro treino como novo treinador alvinegro, mas desistiu de última hora após sofrer uma crise de pânico, episódio alertado por seu auxiliar e filho, Matheus Bachi.