Presidente do Conselho do Corinthians atualiza reforma do estatuto e direito do Fiel Torcedor a voto
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Por Felipe Sales, Matheus Pogiolli e Rodrigo Vessoni

Presidente do Conselho do Corinthians atualiza reforma do estatuto e direito do Fiel Torcedor a voto
Gustavo Lima / Meu Timão
Durante as manifestações mais recentes da torcida do Corinthians, um dos temas mais abordados foi a cobrança pela reforma do estatuto. Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do clube, explicou que possui um plano para alterações no regimento interno e que isso é uma prioridade para o seu mandato.
“Nós temos outros assuntos urgentes do nosso trabalho, que é a reforma de estatuto. Prioridade número um, é uma redundância, mas é importante deixar consignado que a prioridade dessa presidência do Conselho é a reforma estatutária, que é algo que eu venho lutando há muitos anos, quando eu era um simples conselheiro e tentamos aí, durante algumas gestões, emplacar uma reforma estatutária, infelizmente não foi possível. Nós recebemos muitas propostas de chapas, conselheiros, torcida organizada, de pessoas que amam o Corinthians e querem a modernização dos estatutos. No estatuto temos um grande trabalho pela frente e tenho como missão concretizar essa reforma durante a minha gestão como presidente do Conselho", iniciou em entrevista coletiva no Teatro do Corinthians, no Parque São Jorge, na última sexta-feira.
"Nós vamos tratar, dentro de vários assuntos, do direito do voto do torcedor, que é uma coisa que sempre foi muito debatida na imprensa, todos vocês já abordaram esse assunto, mas nunca foi debatido onde é adequado, que é dentro do clube e dentro do Conselho Deliberativo. Eu trouxe esse debate para cá, que eu for adequado, como eu sempre falei. Vamos tratar de condições modernizadas e mais responsáveis para as candidaturas para o conselho e para a presidência da diretoria, tratar de relações clube e torcida organizada", completou.
A principal reivindicação, seja da torcida geral ou das organizadas, é que os sócios dos planos de Fiel Torcedor tenham direito a voto nas eleições para presidente e CD do Corinthians. Atualmente, a participação nessas eleições é exclusiva aos associados do clube social do Timão, o Parque São Jorge. Ainda assim, o sócio precisa ter mais de cinco anos de associação, ser o titular do plano e estar com as mensalidades em dia. Portanto, há cerca de cinco mil pessoas habilitadas atualmente.
Segundo Tuma, ele instituiu uma comissão dentro do Conselho para avaliar mudanças. Desde agosto do último ano, existem planos prontos, como um pré-projeto, mas por conta dos casos envolvendo a diretoria, incluindo o impeachment de Augusto Melo por conta do caso VaideBet, o processo foi paralisado.
'Será uma reforma bem ampla e que vem sendo muito estudada por mim e por todos os conselheiros há muito tempo, especialmente pela comissão de reforma que está instituída e tem trabalhado nisso desde 2024. Pelo empenho de quem está envolvido nessa reforma, ela já pode ter sido concretizada desde agosto do ano passado. Infelizmente, as questões políticas se sobressaíram e não foi possível terminar essa reforma. Como eu disse, ela foi, nós tivemos um regulamento para a reforma. Todas as etapas foram cumpridas e ela ficou praticamente pronta com o pré-projeto em agosto do ano passado. Entretanto, as questões do impedimento do presidente (Augusto Melo) acabaram se sobressaindo e travou a reforma estatutária', explicou.
Em meados de março de 2024, o Blog do Juca Kfouri denunciou um suposto esquema envolvendo os repasses dos valores pagos pelo Corinthians na intermediação do acordo, o que levantou suspeitas de um suposto esquema de "laranja". No dia 27 de julho, Augusto Melo, Marcelo Mariano, ex-diretor administrativo, Sérgio Moura, ex-superintendente de marketing, e Alex Cassundé, suposto intermediário e sócio da Rede Social Media Design LTDA, foram processados formalmente. Eles são acusados de lavagem de dinheiro, associação criminosa e furto qualificado.
Tuma também acusou o presidente afastado de atrapalhar o andamento do processo de reformulação do estatuto, mas alegou que os episódios recentes fizeram com que o projeto inicial fosse ainda mais elaborado.
"Nós tivemos por parte do ex-presidente uma ordem dele para que os membros de algumas comissões deixassem as comissões para tentar travar o andamento do trabalho do Conselho, e os assuntos urgentes foram superando a questão da reforma. Muita gente acha que a gente não estava fazendo nada, mas a reforma estava pronta. Até teve um lado bom da reforma não poder dar. Surgiram vários fatos importantes que não tinham previsão de uma reforma estatutária e hoje, com eles acontecendo, a gente viu que não estavam tendo atenção e a gente acabou aproveitando tudo isso de ruim que tem acontecido para supervisionar na reforma estatutária essas questões. Então ela vai ser um pouco mais abrangente, melhor, porque são fatos que aconteceram, a gente não tinha essa experiência e agora elas vão ser abarcadas na reforma”, finalizou.
Romeu Tuma Júnior será presidente do Conselho até dezembro de 2026, e ainda tem um pouco mais de um ano para implementar as mudanças estatutárias.
Impacto dos protestos
Em outro momento, Tuma foi questionado se os protestos realizados pelas torcidas organizadas poderiam atrapalhar a implementação das mudanças no estatuto do clube. Segundo o presidente do CD, alguns sócios acabam sentindo medo das cobranças realizadas e ficam receosos, mas destacou que o que de fato está atrasando o novo estatuto é a crise política enfrentada pelo clube.
“O impacto não teve nenhum. O impacto tem às vezes, isso eu já falei até para eles, tem um impacto negativo. Foi uma coisa que a gente está tentando votar e sempre teve uma resistência, que é o Fiel Torcedor votar. Porque assim, sempre foi um negócio muito difícil, que o associado entendesse talvez a importância disso. E os conselheiros também. Quanto mais pressão as torcidas fazem, mais medo eles têm. E aí eu vou reverberar o que eu ouço. Talvez não é o que eu penso, mas é o que eu ouço, para que todos entendam a voz que sai aqui das alamedas do Parque São Jorge: 'Eles sem votarem, sem terem direito a votar no clube, fazem o que fazem, imagina quando eles tiverem poder de decisão''', declarou.
“Então, assim, cada vez que tem um gesto que enseja a violência, que enseja a ameaça, que enseja risco para as pessoas aqui, aquela invasão que teve um mês atrás, não sei, que trancaram os portões e tal, tinha criança aqui dentro. Então, as pessoas ficam amedrontadas. É natural que se sinta insegurança. O pessoal vem aqui, amedronta a gente, vai voltar ainda. As pessoas têm medo. Acaba criando uma maldade, um ambiente desfavorável para a aprovação de um Fiel Torcedor votar. Mas, assim, o processo atrasar foi por conta da decisão política, que não deixava o Conselho funcionar. E, obviamente, nós tínhamos algumas coisas mais prioritárias, porque não é que é prioritária, é porque a gente quer. É porque tem prazo estatutário', completou.
O episódio relatado por Tuma aconteceu no início do mês de junho, quando principais torcidas organizadas do Corinthians, incluindo Gaviões da Fiel, Camisa 12, Pavilhão Nove, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e Fiel Macabra, ocuparam o Parque São Jorge em um protesto pacífico contra a situação política do clube. Cerca de 500 pessoas participaram do ato, caracterizado como um "ato de resistência" contra a má gestão do clube. A Polícia Militar e Civil estavam presentes para garantir a segurança.
O presidente do Conselho destacou a importância da reforma estatutária para melhorar a governança do Corinthians e evitar novos escândalos administrativos. Segundo ele, há grupos que se beneficiam do atual sistema e resistem às mudanças. Por outro lado, afirma que foram os vitalícios que apresentaram os projetos durante as reuniões.
“E a gente percebe, e isso eu vou falar para vocês com bastante franqueza, o sentimento meu, pessoal, como presidente do Conselho, e como alguém que tem prioridade para a reforma estatutária. É importantíssimo isso. Tem muita gente que não quer reforma. O ex-presidente (Augusto Melo), por exemplo, não estou dizendo que ele não quer reforma, vou dar um dado, ele não fez nenhuma proposta na reforma. Ele nunca falou para mim, eu procurei três vezes: 'Presidente, tem alguma coisa que você acha importante para a reforma?' Ele nunca falou: 'Olha, acho importante o Fiel votar'. Nunca falou. Tem um monte de chapa aí que entrou no barulho, quando foi aquela pressão, quando eles quiseram mudar a narrativa do impeachment. Falaram: 'Reforma já'. Por isso que a gente nunca tinha falado em reforma no clube", explicou.
"Pega as propostas que eles fizeram por escrito, nas últimas três tentativas de reforma. Na gestão do Conselho que o presidente era o Goulart, que não votou por causa da pandemia. Na gestão do Conselho que o presidente era o Alexandre Luzzi. E na minha. Pega a proposta dele de reforma, se eles apresentaram a proposta para o Fiel Torcedor votar. A proposta que tentou para votar, agora teve mais algumas, mais ajustando. A primeira proposta escrita foi para votar, sabe de quem foi? Dos caras que são mais massacrados aqui dentro. Dos (conselheiros) vitalícios. Que todo mundo quer ver morto, extingue vitalício, não presta para nada. Foi eles que propuseram. Os únicos que tiveram coragem de propor. Eles não dependem de ninguém. Tem muita narrativa que não é verdade", finalizou.
Para que a reforma do estatuto do Corinthians saia do papel, é necessário apresentar uma proposta concreta de mudança, que pode ser feita por uma comissão do Conselho Deliberativo, conselheiros ou grupos políticos. No caso de mudanças como o direito ao voto do Fiel Torcedor, a proposta ainda precisa ser submetida a uma assembleia geral dos sócios, onde os associados do clube social têm a palavra final.