Comissão de Ética do Corinthians pede afastamento de conselheiros ligados a ato pró-Augusto Melo
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Por Rafael Marcon e Rodrigo Vessoni
Augusto Melo liderou uma tentativa de retomada do poder no dia 31 de maio
Ronaldo Barreto / Meu Timão
No dia 31 de maio de 2025, o Parque São Jorge viveu uma das cenas políticas mais conflitantes dos últimos anos. Augusto Melo, afastado pelo voto da maioria dos conselheiros naquele momento, tentou retomar o poder com apoio de Maria Angela e outros apoiadores. A Comissão de Ética do clube julgou necessário o afastamento imediato de todos que participaram desta invasão pró-Augusto.
Um ofício foi enviado ao Conselho Deliberativo na última terça-feira, solicitando que os envolvidos sejam suspensos do quadro associativo, perdendo a força política como conselheiros e associados, por 60 dias ou até que o caso seja encerrado. Rodrigo Vicente Bittar, um dos membros da Comissão de Ética, é o relator do caso. A informação foi divulgada inicialmente pela Gazeta Esportiva e confirmada pelo Meu Timão, que também teve acesso ao documento.
A decisão da Comissão de Ética foi unânime. Além de Bittar, contou com assinaturas dos suplentes Richard de Paula Oliveira e Claudia Carlos de Oliveira, e do conselheiro eleito Adilson J. S. C. Junior. Somente Dr. Leonardo Pantaleão, eleito recentemente como vice do Conselho Deliberativo e, portanto, representante máximo do órgão de ética, não votou.
Na época do ocorrido, Osmar Stabile ainda era o presidente interino do Corinthians e viu o ato como uma ameaça ao “estado democrático de direito”. O pedido da Comissão de Ética se fundamenta na mesma justificativa, afirmando que o grupo liderado por Augusto fez uma “infração estatutária”.
Além de Augusto Melo e Maria Angela de Souza Ocampos, os outros 11 conselheiros são: Carlos Eduardo Melo Silva, Laercio Ferreira Victoria, Leandro Olmedila, Marcos Coelho Abdo, Mário Mello Júnior, Paulo Juricic, Paulo Rogério Pinheiro Jr., Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos, Rodrigo Simonnini Gonzalez, Ronaldo Fernandez Tomé e Wanderson Contrera Salles.
Dois desses são atuais membros eleitos da Comissão de Ética (Mário Mello Júnior e Ronaldo Fernandez Tomé). Caso sejam suspensos, os possíveis suplentes são Cláudia Carlos Oliveira, Richard de Paula Oliveira e Renato Ramires.
Eles já estão sendo julgados por órgãos internos do clube. A Comissão determinou o afastamento, mesmo sem uma conclusão sobre as possíveis punições. Ainda segundo o ofício enviado ao Conselho Deliberativo, a permanência desse grupo enquanto se apuram tais condutas representa um “risco institucional concreto”.
O ofício trata-se apenas de uma recomendação. A decisão é do Conselho Deliberativo, chefiado por Romeu Tuma Júnior, que pode convocar uma votação para o afastamento ou não dos membros julgados pela Comissão de Ética.
O que foi o dia 31 de maio?

A briga política no dia 31 de maio necessitou até mesmo do apoio da polícia no Parque São Jorge
Vitor Chicarolli / Meu Timão
Augusto Melo já estava afastado pelos conselheiros e Osmar Stabile era o interino. No dia 31 de maio, por volta das 18h30, a conselheira e primeira secretária do Conselho Deliberativo, Maria Angela, se declarou nova presidente do CD e decidiu anular todos os atos de Romeu Tuma Júnior no cargo, incluindo a votação para o impeachment de Melo.
A justificativa veio de um pedido da Comissão de Ética para o afastamento de Tuma. Ela se anunciava como “herdeira” do caso, pois Roberson de Medeiros, vice do Conselho Deliberativo, estava sob licença médica. Segundo o novo ofício enviado pela Comissão de Ética nesta terça-feira, este afastamento de Tuma “jamais ocorreu”.
Ao lado dela, Augusto Melo invadiu o quinto andar do prédio-sede do clube, onde está localizada a cadeira da presidência, e tentou retomar o poder. A tentativa foi anulada pelos órgãos fiscalizadores do Corinthians, sob a justificativa de que a ação se baseava em matérias infundadas. Romeu Tuma Júnior classificou o episódio como um “golpe institucional”.
Após duas horas de disputa interna, os apoiadores de Augusto Melo deixaram a sala da presidência e Osmar Stabile continuou como interino. Posteriormente, Melo ainda sofreria um impeachment pelos associados do Parque São Jorge, enquanto Stabile passaria a ocupar o cargo como presidente eleito pelos conselheiros para cumprir o mandato-tampão.
