Andrés Sanchez é acusado de ao menos três crimes na investigação por uso indevido do cartão corporativo do Corinthians

Andrés Sanchez é acusado de ao menos três crimes na investigação por uso indevido do cartão corporativo do Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

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Correção

MP altera denúncia contra Andrés Sanchez após localização de nota fiscal por serviço hospitalar

Por Matheus Fiuza e Rodrigo Vessoni

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu a nota fiscal do Hospital Albert Einstein referente à investigação do uso indevido do cartão corporativo do Corinthians por parte do ex-presidente Andrés Sanchez. O envio fez a promotoria alterar uma das acusações ao dirigente, que foi denunciado por apropriação indébita, falsidade de documento tributário e lavagem de dinheiro .

A informação foi divulgada inicialmente pelo canal Fala Muito Fiel e confirmada pelo Meu Timão. O próprio hospital informou, a princípio, que não havia notas fiscais no nome de Andrés ou do Corinthians, cujos serviços foram prestados em 9 de agosto de 2018, sob o valor de R$ 5.311,64.

No entanto, após ofício do MP-SP, o Hospital Albert Einstein localizou a nota, com pagamento feito por meio de um cartão Santander Mastercard final 4339. O documento foi emitido em nome de Andrés Sanchez. Dessa forma, o promotor Cássio Conserino corrigiu a tipificação do crime contra a ordem tributária para falsificação ou emissão de documento fiscal falso.

Como reportado pelo portal, o Ministério Público destacou a utilização do serviço hospitalar como possibilidade de etapa de lavagem de dinheiro, devido à falta de identificação. A denúncia, inclusive, destaca que havia a suspeito de um terceiro ter usufruído do serviço, mas foi o próprio ex-presidente quem arcou com as despesas usando o cartão corporativo, de acordo com o documento.

"O denunciado ANDRÉS N. SANCHES valendo-se do cartão corporativo do SCCP custeou despesa estritamente particular e pessoal e determinou a emissão de documento fiscal em seu próprio nome, ciente de quem pagava eram os valores da conta corrente atrelada ao cartão de crédito empresarial da entidade desportiva visando, pois, com isso obstar a rastreabilidade da relação entre o gasto e o patrimônio do clube, dissimular a natureza, origem e propriedade dos valores que o custearam e, por fim, ocultar a titularidade do bem/serviço custeado subsumindo-se aos ditames do artigo 1º, “caput” e &1º, I, da Lei 9.613/98. Esclarece-se que a capitulação legal já restou tipificada na denúncia oferecida, havendo, apenas, a necessidade de reescrever os fatos, porque o EINSTEIN apresentou a nota fiscal lançada em nome do denunciado, o que caracteriza etapa de lavagem de dinheiro", indica trecho encaminhado à Justiça.

As acusações foram apresentadas no último dia 15. Ao todo, são mais de 200 gastos em 31 faturas entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021, com prejuízo estimado aos cofres alvinegros de R$ 480.169,60. Destes valores, a denúncia se apoia em alguns custos, casos de relógios, roupas de luxo e supermercado, para explicar o enquadramento dos crimes — relembre aqui .

A promotoria solicitou que Andrés e Roberto Gavioli, ex-gerente financeiro à época, sejam obrigados pela Justiça a ressarcir os R$ 480 mil aos cofres do Corinthians, a título de danos materiais , e a pagar 75% desse valor por danos morais, chegando a R$ 1,1 milhão total. A defesa do ex-presidente, inclusive, entrou na Justiça para derrubar o caso, que ficará sob análise da 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário .

Relembre o caso

Desde agosto , o Corinthians virou alvo do Ministério Público, que vem investigando as passagens dos ex-presidentes Andrés Sanchez (em seu segundo mandato, de 2018 a 2020), Duilio Monteiro Alves (de 2021 a 2023) e Augusto Melo (de janeiro de 2024 a maio de 2025) pelo Parque São Jorge.

Em um primeiro momento, apenas Andrés e Duilio seriam investigados. O primeiro devido ao uso do cartão corporativo do Corinthians para fins pessoais , e o segundo por uma série de gastos que totalizavam R$ 80 mil em apenas 40 dias de gestão . Depois, a gestão de Augusto Melo também foi incluída nas investigações . Inclusive, o Ministério Público chegou a solicitar o afastamento temporário dos três ex-presidentes de todos os colegiados do clube até o fim das investigações para evitar que influenciem em processos internos — o Cori ainda recomendou a abertura de um processo interno contra Andrés .

Para além dos presidentes, o Corinthians também vem participando das investigações. Na condição de testemunha, o presidente Osmar Stabile e o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, foram ouvidos pelo MP-SP . O clube também enviou uma série de documentos requisitados pelo Ministério Público sobre gastos das três gestões .

Veja mais em: Andrés Sanchez e Processos do Corinthians.

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