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Atualização
Milhas suspeitas e novo prazo: Pantaleão fala de investigação contra ex-presidentes no Corinthians
Por Felipe Sales, Matheus Quintino e Rodrigo Vessoni
Atualmente, a Comissão de Justiça do Corinthians conduz investigações sobre gastos de gestões anteriores dos ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo . Leonardo Pantaleão, vice-presidente do Conselho Deliberativo e presidente do Comissão de Ética e Disciplina desde o fim de agosto, detalhou a apuração interna do clube sobre as condutas dos ex-mandatários.
“Eu costumo dizer que o Ministério Público apura condutas criminosas. As comissões do Corinthians apuram condutas vergonhosas, o que é muito mais amplo do que simplesmente a conduta criminosa. E te dou um exemplo: eu posso ter pessoas que ocuparam determinadas funções em determinados períodos e que não necessariamente praticaram crimes no sentido jurídico. A conduta às vezes não se encaixa no tipo penal específico, mas elas foram negligentes. Muitas vezes, elas também contribuíram para esse resultado”, afirmou Pantaleão, em entrevista exclusiva ao Meu Timão.
“Então, não tem por que alguém, e aqui eu faço até uma pequena, com todo respeito, uma pequena divergência ao doutor Cássio Conserino. Porque o doutor Cássio mencionou: ‘Ah, mas são pessoas que não recebiam para isso’. Então, eu discordo completamente. Eu acho que quem não recebia, mas não foi obrigado a ficar naquele local, se colocou à disposição do clube para ocupar aquele local. Então, tem que ser analisada a responsabilidade de cada uma dessas pessoas. Então, quando eu digo que o que se apura nas comissões é uma conduta vergonhosa e não criminosa, é para ficar claro: crime não é com a gente; crime é lá com o Ministério Público. Aqui, elas vão apurar outras coisas”, complementou.
No dia 16 de outubro, Andrés Sanchez e o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo por supostas irregularidades no uso do cartão corporativo do clube entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. Duilio Monteiro Alves também é investigado pelo MP-SP por uma série de gastos que somariam R$ 80 mil em apenas 40 dias de gestão. A gestão de Augusto Melo igualmente entrou no radar. Internamente, o trio também é alvo de apurações no clube do Parque São Jorge.
Leonardo Pantaleão também explicou que, além do uso do cartão, os órgãos do clube analisam eventuais benefícios gerados pelos gastos e quem teria sido favorecido. O presidente da Comissão de Ética ainda reconheceu a importância e responsabilidade das investigações.
“Agora, vamos lá atualizar o status efetivo dessas apurações. A Comissão de Justiça está à frente disso, com o acompanhamento meu enquanto presidente da Comissão de Ética em todas as reuniões que acontecem. Porque o grande problema não é necessariamente o uso do cartão. É evidente que esse é um problema. Mas o problema pode ser muito maior do que o uso do cartão. Porque você tem os desdobramentos do uso do cartão. E eu dou aqui alguns exemplos. Eram faturas, na época, pelo que nós apuramos, que variavam em torno de R$ 500 mil, R$ 600 mil. E o que decorre dessa fatura?”, detalhou.
“Por exemplo, programas de milhagem, programas de cashback. Quem se utilizou disso? Quem se beneficiou disso, que vem às custas do Corinthians? Então, os programas de milhagem, os cashbacks... Isso tudo tem que ser analisado. Isso tudo está sendo apurado. E é por isso que, naturalmente, demora mais. E outra coisa, para ficar claro também para todos que nos acompanham: a gente entende a ansiedade da torcida. Nós também temos ansiedade. Só que a gente tem que agir com responsabilidade. A gente não pode, no intuito de correr, para jogar para a torcida, deixar coisas importantes para trás”, completou.
Avanços na investigação interna
Pantaleão também explicou que, para além do caso de Andrés Sanchez, tanto a Comissão de Justiça quanto a de Ética estão aprofundando as investigações referentes aos gastos imputados às gestões de Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, em estágio diferente ao do Ministério Público.
Segundo Leonardo, a apuração tem avançado sobre movimentações desde o início de 2018, quando Sanchez assumiu seu último mandato como presidente do Corinthians. Além disso, ele destacou que a comissão tem enviado convites para depoimentos de ex-funcionários da época, mas tem enfrentado dificuldades para convencê-los a comparecer. O dirigente, no entanto, ressaltou que haverá responsabilizações caso seja necessário ao fim das apurações.
“Enquanto o Ministério Público ficou focado no Andrés, nós já quebramos a fatura de Andrés, Duilio e Augusto. As comissões já têm tudo isso. Estamos chamando pessoas que, inclusive, participaram das gestões, pessoas que estão se recusando, algumas delas, a vir ao clube. A gente não tem como obrigar, evidentemente, que é um convite. A pessoa quer vir, não quer vir, justifica que não quer vir por alguma razão. Você tem pessoas que nós estamos convidando e é extremamente importante vocês saberem disso, que estão querendo questionar qual é a pauta: ‘Eu quero saber o que vocês vão me perguntar, senão eu não vou’. Então são essas dificuldades que a gente encontra no dia a dia, mas é importante saber por que demora mais do que o Ministério Público, porque a nossa investigação está sendo maior do que o Ministério Público e está sendo uma troca inclusive”, iniciou.
“No início de 2018, se você for observar, e aqui não vai nenhuma crítica ao doutor Conserino, foi a maneira pela qual ele entendeu que era correta fazer a investigação, mas por exemplo, ele só pegou os cartões de crédito a partir de agosto de 2018 para frente. Mas e os sete primeiros meses da gestão de 2018? Nós vamos ignorar que existiu? Mas é que não tinha um cartão específico. Não interessa, existia um cartão que era utilizado, era inclusive um cartão da bandeira Amex, era a American Express, que era o cartão utilizado de janeiro a julho. Cadê essas faturas? Eu quero ver essas faturas, porque de repente ali eu consigo identificar outras coisas também que são importantes para a nossa apuração... E a partir do momento que tivermos a visão do todo, adotarmos as providências do gentil e tentar punir, se for o caso de punir, na medida da sua responsabilidade”, completou.
Prazo para conclusão
Por fim, ao ser questionado sobre um prazo para a conclusão da investigação interna do Corinthians, Leonardo Pantaleão evitou confirmar uma data definitiva, mas estimou que, no máximo em 30 dias, as comissões de Justiça e de Ética devem apresentar um parecer sobre os casos envolvendo Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo.
“Passando aqui, há nada vinculativo, mas qual é o nosso objetivo? É que daqui no máximo 20, 30 dias, nós já tenhamos condições pela Comissão de Justiça de fazer um parecer a respeito dessa situação. Por isso que nós já dissemos, nós já olhamos cartões de todo mundo, então nós já estamos um pouco mais à frente. Agora encontramos barreiras, encontramos dificuldades, nós encontramos situações de pessoas que às vezes não querem colaborar. Aqui vai um exemplo, eu pedi as faturas do American Express, como nós comentamos aqui, a Comissão pediu, mas ainda não recebemos. Então, muitas vezes, eu dependo de outras pessoas para poder finalizar essa análise. Então isso precisa vir da diretoria executiva, essas informações, para a gente conseguir avançar. Mas estimamos, quem sabe que daqui a 20, 30 dias já tenha condição de encerrar”, comentou.
Relembre o caso
Desde agosto , o Corinthians virou alvo do Ministério Público, que vem investigando as passagens dos ex-presidentes Andrés Sanchez (em seu segundo mandato, de 2018 a 2020), Duilio Monteiro Alves (de 2021 a 2023) e Augusto Melo (de janeiro de 2024 a maio de 2025) pelo Parque São Jorge.
Em um primeiro momento, apenas Andrés e Duilio seriam investigados. O primeiro devido ao uso do cartão corporativo do Corinthians para fins pessoais , e o segundo por uma série de gastos que totalizavam R$ 80 mil em apenas 40 dias de gestão . Depois, a gestão de Augusto Melo também foi incluída nas investigações . Inclusive, o Ministério Público chegou a solicitar o afastamento temporário dos três ex-presidentes de todos os colegiados do clube até o fim das investigações para evitar que influenciem em processos internos — o Cori ainda recomendou a abertura de um processo interno contra Andrés .
Para além dos presidentes, o Corinthians também vem participando das investigações. Na condição de testemunha, o presidente Osmar Stabile e o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, foram ouvidos pelo MP-SP . O clube também enviou uma série de documentos requisitados pelo Ministério Público sobre gastos das três gestões .




