Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, ex-presidentes do Corinthians

Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo, ex-presidentes do Corinthians

Foto: Danilo Fernandes e Jhonny Inácio / Meu Timão

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Próximo passo

Comissão de Justiça do Corinthians avança em processos internos que apuram gastos de ex-presidentes

Por Felipe Sales e Daniel Keppler

O ano de 2026 só começou oficialmente na última segunda-feira para os órgãos internos e de fiscalização do Corinthians, com o encerramento do recesso. Já nesta semana, a Comissão de Justiça (CJ) do Conselho Deliberativo (CD) concluiu a análise sobre o uso do cartão corporativo do clube durante a gestão do ex-presidente Andrés Sanchez.

A informação foi divulgada inicialmente pela Central do Timão e confirmada pelo Meu Timão. Como soube a reportagem, ao longo do processo, a Comissão de Justiça (CJ) ouviu funcionários do departamento financeiro que atuaram entre 2018 e 2020, período do último mandato de Andrés Sanchez, além do próprio ex-presidente. Matias Ávila, ex-diretor financeiro do clube, também prestou depoimento.

A apuração da Comissão de Justiça se restringe à conduta de Andrés Sanchez e não envolve, até o momento, a análise da atuação dos órgãos internos responsáveis por fiscalizar as questões contábeis durante o mandato.

Com o material reunido, a CJ encaminhou o relatório ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. Agora, após o despacho de Tuma, o caso deve ser remetido à Comissão de Ética e Disciplina (CE), presidida por Leonardo Pantaleão, vice-presidente do CD, para tramitar como processo disciplinar por gestão temerária. Entre as punições possíveis estão suspensão e até expulsão do quadro associativo.

Andrés Sanchez é conselheiro vitalício e fazia parte tanto do Conselho Deliberativo quanto do Conselho de Orientação (Cori). Porém, após a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), pediu afastamento de suas funções .

Paralelamente ao avanço da apuração interna no Corinthians, o Ministério Público denunciou Andrés Sanchez e o então superintendente financeiro Roberto Gavioli por uso indevido do cartão corporativo do clube. A acusação, apresentada no início de outubro, é por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário — no caso de Gavioli, apenas pelos dois primeiros supostos crimes .

Segundo a investigação, houve mais de 200 despesas irregulares distribuídas em 31 faturas, entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. O MP-SP pede o ressarcimento de cerca de R$ 480 mil ao Corinthians por danos materiais, além de 75% desse valor por danos morais, o que eleva o total para aproximadamente R$ 1,1 milhão .

Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo são os próximos da lista

Além de Andrés Sanchez, os ex-presidentes Duilio Monteiro Alves, comandantes do Corinthians entre 2021 e 2023, e Augusto Melo, presidente de janeiro de 2024 a maio de 2025, também serão investigados pela Comissão de Justiça (CJ) em relação aos gastos realizados durante seus respectivos mandatos.

Conforme publicado pelo Meu Timão, a Comissão decidiu conduzir as apurações de forma individualizada e em ordem cronológica, com análise de documentos, demonstrativos financeiros e realização de oitivas.

Dessa forma, nas próximas semanas, Duilio Monteiro Alves deverá ser ouvido pela Comissão de Justiça, assim como funcionários do departamento financeiro de sua gestão, entre eles Wesley Melo, ex-diretor financeiro. Após a conclusão dessa etapa, Augusto Melo será o próximo a ser investigado e também deverá prestar depoimento, assim como ex-integrantes de sua administração, como Rozallah Santoro e Pedro Silveira, que ocuparam cargos na área financeira durante o seu mandato.

Vale destacar que, por se tratar de uma apuração interna, nenhum dos convocados para prestar depoimento é legalmente obrigado a comparecer. Essa limitação, inclusive, tem sido um dos principais desafios enfrentados pela Comissão de Justiça ao longo do processo de investigação.

Torcida cobra expulsão

A Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, cobrou a expulsão dos ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo . O grupo acompanhou a reunião do Conselho Deliberativo (CD) do Timão na última segunda-feira.

Em nota oficial, a uniformizada afirmou que vai acompanhar, junto ao CD, o desligamento do trio no quadro associativo do Corinthians. Segundo a Gaviões, o pedido parte com base nas investigações dos gastos no cartão corporativo e nos "sucessivos escândalos" da Taunsa e "outros contratos que causaram danos graves à instituição".

A reunião contou com a presença de fundadores e ex‑presidentes da Gaviões, além de conselheiros trienais do Timão e integrantes da atual diretoria liderada por Osmar Stabile. A Gaviões destacou que convocará, nos próximos dias, um novo protesto pacífico no Parque São Jorge, sobretudo pelos debates sobre o direito de voto do Fiel Torcedor na reforma estatutária.

Relembre o caso

O Ministério Público abriu, em agosto de 2025, uma investigação sobre os gastos de Andrés Sanchez (no segundo mandato, de 2018 a 2020) e Duilio Monteiro Alves em seus respectivos mandatos no Corinthians. O caso se iniciou após denúncias do uso do cartão corporativo por parte de Andrés , que admitiu as despesas pessoais , e vir a público uma planilha de R$ 80 mil em 40 dias durante a gestão de Duilio . Pouco depois, Augusto Melo também entrou na mira do MP-SP .

Assim, o Ministério Público, que obteve quebra de sigilo , segue investigando o caso e até já ouviu os principais nomes ligados ao Corinthians. Osmar Stabile e Romeu Tuma Júnior, respectivamente presidente do clube e do Conselho Deliberativo, já participaram das oitivas (ambos na condição de testemunha), assim como o ex-gerente financeiro Roberto Gavioli e o próprio Andrés Sanchez, além de Duilio. O Ministério Público também solicitou uma série de documentos ao clube e aos Conselhos Deliberativo e de Orientação.

O MP-SP solicitou o afastamento temporário dos três últimos presidentes de todos os colegiados do clube até o fim da investigação . Augusto Melo, vale lembrar, não tem mais poderes políticos devido ao impeachment, enquanto os outros dois nomes integram o Conselho de Orientação (Cori) do Corinthians.

A 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crime Tributário é a responsável por analisar a denúncia de Andrés e Gavioli, além de novos denunciados.

Veja mais em: Conselho do Corinthians e Presidentes do Corinthians.

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