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'Sem segurança jurídica'
MP recebe denúncia de associados do Corinthians sobre convocação de Stabile contra Tuma
Por Felipe Sales e Daniel Keppler
Um grupo de associados e conselheiros do Corinthians enviou ao promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), um e-mail apontando possíveis irregularidades na convocação feita pelo presidente Osmar Stabile ao Conselho Deliberativo (CD) para deliberar sobre o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do órgão.
Ao analisar o pedido, Conserino destacou que, embora não tenha atribuição direta na esfera administrativa ou cível do clube, o conteúdo apresentado dialoga com investigações já em curso envolvendo o Corinthians.
O MP-SP conduz apurações relacionadas às últimas gestões do clube, incluindo os mandatos dos ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. As investigações envolvem suspeitas de uso irregular de cartões corporativos, adiantamentos de valores em espécie e possíveis inconsistências em notas fiscais, temas que já motivaram a abertura de um inquérito civil e seguem sob análise.
Segundo o despacho do promotor, a denúncia, que foi assinada pelos conselheiros trienais Peterson Ruan Aiello do Couto Ramos e Romero Cardoso de Ávila, além dos associados Alexandre Germano, Cyrillo Cavalheiro Neto e Felipe José Mendes da Silva, sustenta que a convocação teria ocorrido de forma unilateral, em desacordo com o Estatuto do clube, e teria como objetivo promover uma destituição sumária do presidente do CD.
Segundo o despacho, esses elementos podem se somar ao contexto das investigações já existentes. Diante disso, Conserino determinou o encaminhamento do documento à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, responsável por conduzir o inquérito civil que avalia a possibilidade de intervenção judicial no clube.
Por fim, o despacho também menciona a necessidade de adoção de práticas mais rigorosas de governança no Corinthians, como a implementação de uma política de compliance, diante dos riscos apontados à integridade institucional da entidade.
Convocação de Osmar Stabile

Osmar Stabile (direita) convocou o Conselho Deliberativo para votar a suspensão preliminar de Romeu Tuma Júnior (esquerda) da presidência do órgão
Evander Portilho / Agência Corinthians
Na última quarta-feira, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, convocou uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para deliberar sobre o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do órgão .
Segundo edital publicado no site oficial do clube, a sessão está marcada para o dia 23 de março, no Teatro do Parque São Jorge, com primeira chamada às 18h e segunda às 19h. A convocação tem como base o artigo 112, item 6, do Estatuto do Corinthians, que permite a realização de reuniões extraordinárias em casos considerados urgentes e relevantes.
No documento, Stabile argumenta que há necessidade de análise imediata diante de denúncias de conduta irregular, da existência de processo disciplinar e dos desdobramentos da reunião do último dia 9 de março, quando a votação da reforma do Estatuto foi interrompida e posteriormente encaminhada à Assembleia Geral.
O pedido de afastamento provisório se apoia em acusações de ameaças, assédio e interferência no andamento dos trabalhos da diretoria executiva. O edital também menciona a existência de provas testemunhais e documentais, além de uma representação disciplinar protocolada na Comissão de Ética e Disciplina, acompanhada de boletim de ocorrência e pedido de suspensão liminar do cargo.
Relembre a confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto

Confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto
Fábio Marinho / Meu Timão
Antes da votação do anteprojeto de reforma do Estatuto do Corinthians, Osmar Stabile pediu a palavra no Conselho Deliberativo e afirmou estar sendo ameaçado e coagido por Romeu Tuma Júnior . Segundo o presidente da diretoria, Tuma teria tentado interferir na gestão do clube.
“Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: ‘ou você faz o que eu quero ou eu vou te f**er’. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso, além de outras interferências”, declarou Stabile, afirmando ainda possuir documentos que comprovariam pedidos de atualização sobre suas ações na gestão.
A pedido do dirigente, o diretor de negócios jurídicos, Pedro Luis Soares, também foi ao púlpito e confirmou o relato, dizendo que o episódio ocorreu durante um jantar informal no Parque São Jorge.
Na sequência, Tuma rebateu e acusou a atual gestão de recontratar Aldair Borges, segurança citado em depoimentos na Polícia Civil por permitir a invasão de torcedores no clube em janeiro de 2025. O conselheiro afirmou que levaria o caso à imprensa caso nenhuma providência fosse tomada.
As falas provocaram reação entre os conselheiros e geraram um princípio de tumulto, que interrompeu a reunião por cerca de dez minutos. Depois disso, a presidência do Conselho decidiu aplicar o artigo 45 do Estatuto e encaminhar a votação do anteprojeto diretamente para a Assembleia Geral (AG) dos sócios, alegando que o CD não desejaria deliberar sobre o tema. A AG, inclusive, foi agendada para o dia 18 de abril e rendeu duras críticas do Conselho de Orientação (Cori) .





