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Rebatida
Presidência do Conselho vê irregularidade e 'ignora' convocação de Stabile para impeachment no órgão
Por Matheus Fiuza e Daniel Keppler
Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians, tratou como irregular a convocação de Osmar Stabile, mandatário do clube, para votar o impeachment da presidência do órgão. A reunião ficou prevista para a próxima segunda-feira, a partir das 18h, no Teatro do Parque São Jorge.
De acordo com o despacho, ao qual o Meu Timão teve acesso, Tuma afirma que a ação de Stabile contraria o funcionamento estatutário do Conselho Deliberativo. Segundo ele, o ato está em desconformidade ao artigo 82, inciso II, alínea b, que atribui exclusivamente ao presidente do Conselho Deliberativo a competência para convocar o colegiado.
"À luz das indagações formuladas por membros deste colegiado, impõe se esclarecer que a medida padece de irregularidade formal, porquanto emanada de autoridade desprovida de competência para a prática do ato convocatório, em afronta à sistemática estatutária que rege o funcionamento do Conselho Deliberativo" escreveu Tuma.
No edital de convocação da sessão marcada para o dia 23 de março, com primeira chamada às 18h e segunda às 19h, o presidente do Timão se baseou no artigo 112, item 6, do atual Estatuto do Corinthians, que, segundo o dirigente, permite a realização de reuniões extraordinárias em casos considerados urgentes e relevantes. Entretanto, Romeu Tuma Jr. publicou que não há qualquer reunião marcada no Conselho para os próximos dias, em alinhamento com a Comissão de Ética e Disciplina (CE).
De acordo com Tuma, o próximo encontro dos conselheiros está agendado apenas para 27 de abril, quando haverá a votação das contas referentes a 2025 da gestão de Osmar Stabile, que assumiu após o impeachment de Augusto Melo, em maio.
O presidente do Conselho tem o apoio de Leonardo Pantaleão, mandatário da CE e vice do CD corinthiano. O dirigente alegou ter sido vítima de ameaças por parte de um grupo de conselheiros vitalícios, que arquitetaria um afastamento de Pantaleão caso o líder da Comissão de Ética não compareça na próxima segunda-feira . Ele também assina o despacho da última quinta-feira.
Nos últimos dias, associados do Corinthians encaminharam ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) uma denúncia apontando possíveis ilegalidades na convocação feita por Osmar Stabile . O documento foi recebido pelo promotor Cássio Conserino, que analisou o pedido.
No despacho, Conserino afirmou que não possui atribuição direta sobre a esfera administrativa do clube, mas destacou que os fatos podem se relacionar com investigações já em andamento sobre os gastos dos ex-presidentes Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo. Diante disso, determinou o encaminhamento da denúncia à Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, responsável pelo inquérito civil que avalia a possibilidade de intervenção judicial no Corinthians.
Convocação de Osmar Stabile

Osmar Stabile (direita) convocou o Conselho Deliberativo para votar a suspensão preliminar de Romeu Tuma Júnior (esquerda) da presidência do órgão
Evander Portilho / Agência Corinthians
Na última quarta-feira, o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, convocou uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo para deliberar sobre o afastamento provisório de Romeu Tuma Júnior da presidência do órgão .
Segundo edital publicado no site oficial do clube, a sessão está marcada para o dia 23 de março, no Teatro do Parque São Jorge, com primeira chamada às 18h e segunda às 19h. A convocação tem como base o artigo 112, item 6, do Estatuto do Corinthians, que permite a realização de reuniões extraordinárias em casos considerados urgentes e relevantes.
No documento, Stabile argumenta que há necessidade de análise imediata diante de denúncias de conduta irregular, da existência de processo disciplinar e dos desdobramentos da reunião do último dia 9 de março, quando a votação da reforma do Estatuto foi interrompida e posteriormente encaminhada à Assembleia Geral.
O pedido de afastamento provisório se apoia em acusações de ameaças, assédio e interferência no andamento dos trabalhos da diretoria executiva. O edital também menciona a existência de provas testemunhais e documentais, além de uma representação disciplinar protocolada na Comissão de Ética e Disciplina, acompanhada de boletim de ocorrência e pedido de suspensão liminar do cargo.
Relembre a confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto

Confusão na votação do anteprojeto da reforma do Estatuto
Fábio Marinho / Meu Timão
Antes da votação do anteprojeto de reforma do Estatuto do Corinthians, Osmar Stabile pediu a palavra no Conselho Deliberativo e afirmou estar sendo ameaçado e coagido por Romeu Tuma Júnior . Segundo o presidente da diretoria, Tuma teria tentado interferir na gestão do clube.
“Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: ‘ou você faz o que eu quero ou eu vou te f**er’. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso, além de outras interferências”, declarou Stabile, afirmando ainda possuir documentos que comprovariam pedidos de atualização sobre suas ações na gestão.
A pedido do dirigente, o diretor de negócios jurídicos, Pedro Luis Soares, também foi ao púlpito e confirmou o relato, dizendo que o episódio ocorreu durante um jantar informal no Parque São Jorge.
Na sequência, Tuma rebateu e acusou a atual gestão de recontratar Aldair Borges, segurança citado em depoimentos na Polícia Civil por permitir a invasão de torcedores no clube em janeiro de 2025. O conselheiro afirmou que levaria o caso à imprensa caso nenhuma providência fosse tomada.
As falas provocaram reação entre os conselheiros e geraram um princípio de tumulto, que interrompeu a reunião por cerca de dez minutos. Depois disso, a presidência do Conselho decidiu aplicar o artigo 45 do Estatuto e encaminhar a votação do anteprojeto diretamente para a Assembleia Geral (AG) dos sócios, alegando que o CD não desejaria deliberar sobre o tema. A AG, inclusive, foi agendada para o dia 18 de abril e rendeu duras críticas do Conselho de Orientação (Cori) .
Confira o comunicado completo
Publicou-se edital de convocação de reunião do Conselho Deliberativo por iniciativa direta do Presidente da Diretoria, em desconformidade com o procedimento previsto no art. 82, inciso II, alínea “b” do Estatuto Social.
À luz das indagações formuladas por membros deste colegiado, impõe se esclarecer que a medida padece de irregularidade formal, porquanto emanada de autoridade desprovida de competência para a prática do ato convocatório, em afronta à sistemática estatutária que rege o funcionamento do Conselho Deliberativo.
Como é assente, atos praticados por agente incompetente não se revestem de validade jurídica, circunstância que inviabiliza o reconhecimento de eficácia a eventual reunião fundada em convocação irregular.
Não se encontra, portanto, regularmente constituída sessão do Conselho Deliberativo para os próximos dias, permanecendo o órgão em seu regular funcionamento, em conjunto com a Comissão de Ética, no exercício de suas atribuições institucionais.
Esclarece-se por oportuno, que a próxima reunião deste Colegiado, conforme Edital já publicado regularmente nos termos do Estatuto, ocorrerá em 27 de abril de 2026, e dar-se-á ordinariamente para votação das contas da Diretoria e respectivos pareceres relativos ao exercício 2025.





