Corinthians oficializa renovação com gestora do estacionamento da Neo Química Arena
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Por Matheus Fiuza

Corinthians Indigo renovaram o acordo por mais 12 anos
Danilo Augusto / Meu Timão
O Corinthians oficializou, nesta quarta-feira, a renovação contratual com a Indigo, responsável pela gestão do estacionamento da Neo Química Arena. O novo acordo será válido pelos próximos 12 anos.
Como antecipado pelo Meu Timão, a empresa vai repassar 35% da receita líquida mensal do espaço na Casa do Povo ao clube. Além disso, a Indigo vai financiar a construção de cerca de dois mil novos lugares na ampliação da Leste Superior do estádio, que ainda aguardam a aprovação dos laudos de segurança dos órgãos competentes.
"Esse é mais um passo importante rumo ao fortalecimento financeiro e estrutural da nossa Arena. O acordo com a Indigo representa uma parceria estratégica que vai muito além da operação atual e abre caminho para a modernização e ampliação de espaços fundamentais, cujo projeto de ampliação e suas aprovações já estão em andamento junto aos órgãos competentes", explicou Osmar Stabile, presidente do Corinthians, em material divulgado no site oficial.
Ao contrário das estruturas provisórias na Copa do Mundo de 2014 e em partidas da NFL (National Football League), a instalação será definitiva. O Corinthians divulgou que deve ampliar a capacidade para 51 mil torcedores — atualmente, o estádio corinthiano contempla 48.905 pessoas.
O novo acordo ainda contempla o perdão de dívidas estimadas em R$ 2,5 milhões que o Timão continha com a empresa. A partir de 2030, a Indigo também pagará cerca de R$ 13 milhões ao clube, segundo divulgado pelo Corinthians, pela cessão de uso do espaço.
"Esse acordo firmado com a Indigo é fruto de uma negociação séria, transparente e conduzida com muito respeito entre as partes. Quero deixar aqui um agradecimento à Indigo pela parceria e pela confiança no potencial da Neo Química Arena. Desde o início, encontramos uma empresa disposta a construir soluções conjuntas, pensando não apenas no presente, mas também no futuro do clube", completou o mandatário.
A gestão do estacionamento da Arena foi tema recorrente ao longo de 2025, ainda durante a presidência de Augusto Melo. Na ocasião, o clube avaliava mudanças no modelo vigente, principalmente por conta da baixa lucratividade para o Corinthians e de divergências financeiras envolvendo o valor de uma eventual multa rescisória.
Diante desse cenário, a diretoria alvinegra chegou a buscar alternativas no mercado, analisando propostas de empresas que oferecessem maior participação do clube na receita mensal, além de um possível adiantamento financeiro para viabilizar a rescisão contratual com a Indigo.
Entre as opções avaliadas, esteve a MultiPark, que chegou a ter negociações avançadas para assumir a operação do estacionamento em maio do ano passado. No entanto, a mudança não foi oficializada e o Corinthians optou por seguir em tratativas com a atual administradora.
Antigo contrato
O estacionamento da Neo Química Arena está sob administração da Indigo desde 2018, após contrato firmado ainda na gestão do então presidente Andrés Sanchez. Na ocasião, o Corinthians recebeu R$ 11,4 milhões pelo acordo, sendo R$ 2,5 milhões direcionados à Omni, responsável pela operação anterior, e R$ 8,9 milhões destinados ao fundo da Arena, divididos em duas parcelas.
O vínculo estabelecia que a empresa não poderia ser retirada por um período de 120 meses, além de impedir qualquer tipo de rescisão por justa causa. Já a rescisão sem justa causa só poderia ocorrer após os dez anos iniciais de contrato, em caso de renovação automática, desde que fosse respeitado aviso prévio de 30 dias. Em março de 2025, uma troca de e-mails entre o clube e a consultoria Ernst & Young apontou que a multa para rompimento antecipado era estimada em R$ 12.630.915,00.
Outro ponto relevante do acordo previa que a Indigo ficaria isenta do pagamento de aluguel sempre que o faturamento líquido anual do estacionamento fosse igual ou inferior a R$ 4,888 milhões, valor sujeito a reajustes anuais.
Na prática, isso significa que, mesmo operando em uma propriedade do clube, a empresa não realizava pagamentos mensais ao Corinthians - situação que motivou críticas do ex-presidente Augusto Melo, ainda como do clube, que se posicionou sobre o tema em fevereiro de 2025.
"O Corinthians deve para o estacionamento acho que R$ 1 milhão. Você vê como é difícil pagar as dívidas do Corinthians, né? Um contrato de estacionamento onde nós não recebemos um real do estacionamento. Ou seja, a propriedade é nossa, o estacionamento está ali junto com a nossa Arena. (...) De 2014 para cá, o Corinthians, assim que eu saiba, nunca recebeu nada", declarou Augusto em entrevista ao programa Benja Me Mucho.
O contrato também entrou na pauta de uma auditoria interna conduzida pela Ernst & Young, contratada pela atual diretoria para revisar acordos firmados pela gestão anterior, incluindo o do estacionamento. Apesar disso, o relatório final nunca foi divulgado oficialmente. Enquanto a consultoria afirmava ter entregue o documento, a diretoria do ex-presidente Augusto Melo sustentava que não o recebeu.
O ex-mandatário ainda declarou que o contrato havia sido renovado pela gestão de Duilio Monteiro Alves até 2030. No entanto, documentos obtidos à época pela reportagem e informações da própria consultoria contestam essa versão.
Uma ata do Conselho Deliberativo, datada de fevereiro de 2024, mostra que o contrato foi analisado pela Comissão de Justiça do clube. Em maio daquele ano, os resultados foram apresentados sem qualquer menção a aditivos ou prorrogações.
Antes mesmo de qualquer discussão sobre possível mudança na administração, a Indigo anunciou, em fevereiro de 2025, um reajuste nos preços do estacionamento da Arena. Os setores E2 e E3 passaram a custar R$ 170, representando aumento de 21%, enquanto os espaços E4 e E5 foram reajustados para R$ 140, alta de 27%. O ajuste anterior havia ocorrido em 2023.