Adilson Cunha Apoiador
Em qq posição cargo, salário, empresa ou time, eu não conseguiria trabalhar bem não pelo fato de me desconcentrar ou fazer corpo mole 'fingem que me pagam eu finjo que trabalho' mas pelo fato de preocupação em pagar as contas dar condição de vida para a família.
Fuja que é cilada.
em Bate-Papo da Torcida > Você conseguiria trabalhar bem sabendo que seu salário está atrasado...
Em resposta ao tópico:
Essa é a situação enfrentada pelos jogadores e integrantes da comissão técnica do Corinthians. O salário de maio está atrasado, não existe previsão pública de pagamento e o problema ocorre pelo segundo mês consecutivo.
Nenhum profissional consegue trabalhar com tranquilidade sem saber quando receberá. No futebol, não é diferente. Atrasos afetam a concentração, o ambiente interno, a confiança na diretoria e o desempenho dentro de campo. Não se pode cobrar comprometimento absoluto dos jogadores quando o próprio clube não cumpre uma obrigação básica.
A responsabilidade não pertence apenas a uma gestão. Dirigentes atuais e antigos, conselheiros e grupos políticos participaram da construção desse desastre. Contratações foram feitas sem capacidade de pagamento, dívidas foram empurradas para administrações seguintes, receitas futuras foram antecipadas e o Corinthians passou a depender da venda de jogadores para pagar despesas comuns.
A gestão atual recebeu um clube endividado, mas também precisa ser responsabilizada. Quem aceita administrar o Corinthians assume o dever de apresentar soluções, controlar gastos e garantir salários. Herdar problemas não concede autorização para repeti-los.
Enquanto isso, o Conselho Deliberativo, que deveria fiscalizar com independência, frequentemente se transforma em palco de disputas políticas, acordos internos e proteção entre grupos que se alternam no poder. Os responsáveis mudam de cadeira, mas o modelo de gestão permanece praticamente o mesmo.
Diante de dívidas bilionárias, salários atrasados, bloqueios, transfer bans, processos e ausência de governança confiável, uma intervenção judicial independente precisa ser seriamente considerada. Não para escolher escalação ou administrar o futebol, mas para proteger o patrimônio do clube, preservar documentos, revisar contratos, fiscalizar movimentações financeiras e impedir que decisões irresponsáveis continuem aumentando o prejuízo.
A intervenção deve respeitar a lei, o contraditório e as decisões do Poder Judiciário. Porém, esperar que os mesmos grupos políticos que ajudaram a criar a crise resolvam tudo internamente parece cada vez menos razoável.
O torcedor também pode ajudar.
Quanto mais corinthianos divulgarem informações verificadas, cobrarem transparência e pressionarem pacificamente nas redes sociais, maior será o custo político da omissão.
Não se trata de atacar familiares de dirigentes. Também não se trata de espalhar boatos. A cobrança deve ser firme, responsável e baseada em fatos.
O Corinthians não pertence aos dirigentes, aos conselheiros nem às chapas políticas. O Corinthians pertence à sua torcida.
Compartilhar, cobrar e exigir investigação independente é uma forma legítima de defender o clube. O silêncio apenas favorece quem deseja que tudo continue como está.