Nem Gil escaparia deste efeito dominó

Andrew Sousa

23 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

ver detalhes

Nem Gil escaparia deste efeito dominó

Coluna do Andrew Sousa

Opinião de Andrew Sousa

4.0 mil visualizações 46 comentários Comunicar erro

Nem Gil escaparia deste efeito dominó

Culpar um só jogador pelo que deu errado não é o caminho

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Como o Corinthians só volta a campo nesta quinta-feira, o jogo contra o Mirassol, no último domingo, segue dominando as discussões da torcida. Depois de estreia convincente em casa, a equipe sofreu longe de Itaquera e ficou no empate por 1 a 1.

A exemplo do que geralmente acontece após uma atuação ruim, parte dos torcedores começou a buscar vilões para o revés. O principal alvo das críticas foi, sem dúvidas, o zagueiro Pedro Henrique - pior do embate no quadro Notas da Torcida, aqui do Meu Timão.

Também pudera. Foram deles os erros de passe que resultaram nas principais chances do Mirassol, que dificultou a saída de bola do Corinthians e colheu os frutos. Nem por isso, portante, devemos jogar tanta responsabilidade sob os ombros do camisa 34.

Sei que vários alvinegros já estão comentando que ele é péssimo e pronto, mas tenho um argumento e, bom, estamos aqui para discutir.

Para mim, além do tempo curto de trabalho, que ainda precisa de sequência para ter mais entrosamento, há um efeito dominó que alivia a barra de Pedro Henrique. E vou além, como viram no título: nem Gil sairia por cima em uma partida com essas características.

O efeito dominó

  • Primeiro fator: Saída dificultada

Com Camacho muito marcado e Richard tímido, aparecendo pouco para auxiliar no início das jogadas, o Corinthians teve boa parte de sua posse de bola distribuída na linha de defensores. De acordo com o Footstats, 47% dos passes do time foram trocados entre Cássio, Fagner, Pedro Henrique, Gil e Lucas Piton.

  • Segundo fator: Insistência no "lado bom"

Apesar da boa distribuição entre os jogadores do setor, Pedro Henrique foi o mais exigido dos nomes. Como Gil atua pela esquerda e é destro, Tiago Nunes explicou que Cássio sempre visa sair jogando com o camisa 34, que domina em melhores condições.

  • Terceiro fator: Melhor condição nem sempre é tão boa

A vantagem de trabalhar do lado ideal para seu pé bom, Pedro Henrique nem sempre tem opções tão simples de passe. Com mais espaço nos outros jogos, inclusive, ele deu alguns toques de maior profundidade justamente por causa disso. Como o Mirassol pressionou, o nível de dificuldade aumento.

  • Quarto fator: Matemática simples

É uma conta simples. Quando mais se tem a bola, mais chances de errar. Com 77 tentativas de passe no jogo e pressionado na maioria delas, Pedro Henrique foi quem mais cometeu deslizes. Não podia ser diferente.

Gil daria conta?

Diante desse cenário extremamente característico e muito difícil, pergunto: Gil não cometeria erros decisivos na partida? Bruno Méndez? Danilo Avelar?

Sei de toda a indisposição de parte da Fiel por conta de algumas partidas ruins de Pedro Henrique em sua primeira passagem, mas é possível analisar o macro, deixando o micro de lado. Em Mirassol, o Corinthians sofreu como sistema. O setor defensivo não tinha opção de desafogo e foi forçado a seguidos erros por conta disso.

É preciso entender que os mecanismos para sair de uma pressão como a do time do interior serão criados com o tempo e com o entrosamento, além da básica mudança de peças - Cantillo aparece bem mais do que Richard para auxiliar no processo.

Sendo assim, o melhor a se fazer é evitar essa pressão desnecessária. Com apenas dois jogos oficiais, Tiago Nunes já teve que ir a público dar um voto de confiança para Pedro Henrique.

Nesse sistema,que cobra personalidade para sair tocando a bola, a confiança é essencial. Prova disso é Richard, que pouco aparece para o jogo com um aparente medo de errar.

É melhor esperar a engrenagem funcionar para criticar uma das peças.

Veja mais em: Gil e Pedro Henrique.

Coluna do Andrew Sousa

Por Andrew Sousa

23 anos, formado em Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

O que você achou do post do Andrew Sousa?