Alta do dólar acende o sinal de alerta para direção do Corinthians

Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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Alta do dólar acende o sinal de alerta

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Alta do dólar acende o sinal de alerta

Jovem, Malcom será fatalmente um dos jogadores mais cobiçados do elenco

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Na semana passada, foi noticiado que a desvalorização do real trará pelo menos um benefício direto para o Corinthians. Como o contrato com a Nike é indexado em dólares, as parcelas dos próximos meses tenderão a engordar. Ponto para a diretoria da época da renovação, que teve muita visão ao negociar essa cláusula.

Ao mesmo tempo, fica mais barato investir por aqui, o que deve facilitar a busca por patrocínios de empresas estrangeiras. A situação favorece desde companhias interessadas em anunciar na nossa camisa até aquelas que queiram associar sua marca à Arena.

A realidade, porém, é que com a nossa moeda em baixa o cenário é de turbulência. O dinheiro dos times de fora passa a valer muito mais. Com isso, não só fica bem mais difícil para os clubes daqui contratar jogadores que estão em clubes da Europa como, o que é pior, o assédio aos nossos atletas ganha força. O futebol brasileiro como um todo perde fôlego. O nível dos campeonatos periga se deteriorar.

É difícil competir nessas condições. Se, há pouco mais de um ano, uma proposta de 3 milhões de euros equivalia a 9 milhões de reais, hoje, essa mesma proposta vale quase 14 milhões de reais - ou seja, mais de 50% de diferença. E a repercussão se sente também nas propostas salariais. Na atual taxa de câmbio, até mesmo um clube europeu de médio porte pode pagar um valor equivalente ao que pagamos aos astros do time.

A diretoria precisa se preparar para dezembro. É verdade que a janela do fim do ano costuma ser menos voraz do que a do meio do ano, mas ainda assim a Europa virá sedenta ao Brasil em 2015. E o time do Corinthians, com a grande campanha que vem fazendo, será certamente um dos alvos preferidos.

Por isso é essencial antecipar o planejamento: identificar os jogadores que podem ser negociados em condições favoráveis e pensar desde já na eventual suplementação, com foco especial no mercado interno. A valorização dos nossos jogadores é, no fundo, uma oportunidade para bons negócios.

Renovar os contratos das principais estrelas do time, como tem sido feito, é importante, mas não é garantia de nada. As propostas vão ser tentadoras de uma forma ou de outra, e será improvável segurar todo o mundo. Talvez nem seja conveniente: com o real em baixa, além da vantagem de se poder vender por uma quantia mais significativa, a pressão pode vir dos próprios atletas, interessados em conseguir salários mais atrativos do outro lado do mundo.

E a torcida, sobretudo, precisa entender que, apesar de todo o cuidado que os diretores possam ter, a transferência de um ou outro jogador, nessas condições, não será o fim do mundo. Pelo contrário, pode ser uma boa forma de colocar as contas em dia de uma vez e até de fazer caixa, para trazer novos reforços e, aquilo que é crucial, valorizar quem faz a diferença.

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Por Roberto Piccelli

Roberto Piccelli é advogado atuante em direito público e escreve sobre temas jurídicos e institucionais relacionados ao Corinthians.

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